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Provedor da Santa Casa teme corte de gastos na unidade

Murad ressaltou que se o repasse do Governo Estadual for cancelado, a unidade de saúde entrará em crise; segundo ele, outros hospitais estão suspendendo as transferências de mulheres em trabalho de parto, por causa dessas informações
Daniel Júnior / O Estado07/11/2018
Provedor da Santa Casa teme corte de gastos na unidadeSanta Casa de Misericórdia pode entrar em crise (Santa Casa)

Em decorrência dos cortes de gastos que o Governo do Maranhão promoveu na Saúde, o provedor da Santa Casa de Misericórdia, o médico Abdon Murad, teme que a unidade de saúde também seja afetada. Murad fez um ofício para solicitar aos representantes da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e ao governador Flávio Dino, se de fato vai haver o cancelamento de recursos, que são utilizados, principalmente, na maternidade da Santa Casa, que no último mês realizou 647 procedimentos, entre eles parto normal, cesáreo e embriotomia.

“O repasse é sempre realizado no fim de cada mês. Até outubro está em dia. Mas ficamos sabendo que esses recursos seriam cancelados. Isso gera uma preocupação. Desde o primeiro mês de mandato do Dino, ele fez um acordo comigo e disse que o Governo do Estado cederia o Kit Médico, que é um estímulo para o funcionamento da maternidade da Santa Casa de Misericórdia e que serve também para outros setores. Outros hospitais estão suspendendo a s transferências de mulheres em trabalho de parto, por causa dessas informações de que haveria o cancelamento de verbas. Muitas unidades de saúde estão sufocadas de tanta gente. Se o repasse for cancelado, a Santa Casa entrará em crise”, ressaltou Abdon Murad, provedor da Santa Casa de Misericórdia, situada na Rua do Norte, no Centro.

A unidade de atendimento hospitalar Santa Casa de Misericórdia em São Luís foi fundado em 1836. O número de atendimentos realizados na maternidade da Santa Casa de Misericórdia do Maranhão cresce a cada mês. Em julho deste ano, foram executados 218 procedimentos, sendo 79 partos normais, 42 cesáreos, 43 curetagens e 37 embriotomias. Em agosto, o total de procedimentos realizados saltou para 233. Em setembro, foram registrados 634 e, no último mês de outubro, 647 procedimentos foram contabilizados na maternidade.

Priscila Coelho, de 26 anos, deu à luz uma menina na maternidade da Santa Casa, no dia 3 deste mês. Ela contou que foi a melhor alternativa de hospital. “As maternidades estão muito cheias. Não tem leitos para todas as mulheres. Muita estão sofrendo, porque precisam de um parto cesáreo, mas obrigam a mulher ter normal, como foi o meu caso. Mas vim para cá e encontrei um leito para ter meu bebê. Precisa muito melhorar na estrutura. Mas, a Santa Casa da Misericórdia foi a única saída. Se a maternidade aqui não funcionar, o sufoco nos hospitais será pior”, afirmou Priscila Coelho, que estava recebendo alta, no momento que a reportagem estava na unidade de saúde.

O Estado fez contato com o Governo do Maranhão, com a finalidade de obter um posicionamento sobre a questão relatada, porém até o fechamento desta edição, não foi enviada resposta.

SAIBA MAIS

Em portaria nº 1044, publicada no Diário Oficial do Estado, em 30 de outubro, o secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula, determinou “redução do teto das despesas” com a prestação de serviços de ginecologia/obstetrícia, anestesiologia, clínica médica, cirurgia geral, pediatria e ortopedia, tanto em São Luís quanto no interior do estado. O gestor alegou que os repasses feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o Maranhão por pessoa é de apenas R$ 154,98 por ano, valor menor que o da média nacional que é de R$ 203,54 por ano. Diante deste valor menor, o governo resolveu diminuir para R$ 77,5 mil a verba repassada para pagamento de plantão de médicos na capital e R$ 88,5 mil para médicos que são plantonistas no interior. Além disso, a portaria da SES estabelece a redução de 10% do teto de gastos para demais contratos.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) comunicou que é equivocada a notícia sobre suposta redução dos valores pagos para plantões médicos, atribuída à Portaria SES nº 1.044/2018. A SES informou que o documento estabelece, pela primeira vez, parâmetros para o teto do valor pago às empresas médicas e garante isonomia a serviços iguais, prestados em diversas unidades. A secretaria frisou, ainda, que a medida é uma exigência legal diante da expansão da rede de serviços e das regras da emenda constitucional nº 95, que impactou fortemente o repasse de verbas federais para a saúde.

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