Política | Nepotismo cruzado?

Filho de ministro de Temer recebe R$ 10 mil no governo Flávio Dino

Completamente desconhecido no Maranhão, Bruno Jungmann atua no pomposo cargo de assessor especial de apoio institucional da Secap
José Linhares Jr23/10/2018 às 10h28
Bruno Jungmann ocupa o cargo de assessor especial de apoio institucional no governo Flávio Dino

O governador Flávio Dino ficou conhecido durante a campanha por culpar o presidente Michel Temer (MDB) pelos números ruins da economia do Maranhão nos últimos quatro anos. O governador também usa suas redes sociais constantemente para criticar o presidente. As críticas, ao que tudo indica, não se expandem aos homens fortes da Presidência da República. Bruno Jungmann, filho do ministro Raul Jungmann, é assessor especial no governo Flávio Dino. Mesmo não residindo em São Luís, o jovem recebe um salário de cerca de R$ 10 mil.

Raul Jungmann ficou conhecido nacionalmente por ser, além de ministro da Segurança Pública do governo Michel Temer, um dos grandes defensores do presidente. Jungmann foi um dos poucos ministros que decidiu não deixar o cargo para disputar mandato eletivo nas eleições de 2018.

Site do governo do estado atesta vínculo de Bruno Jungmann e seus vencimentos.

Completamente desconhecido no Maranhão, o filho do ministro, Bruno Costa Jungmann, foi nomeado no dia 02 de abril de 2018 para o pomposo cargo de “assessor especial de apoio institucional”. O cargo é vinculado a Secretaria de Estado da Comunicação Social e Assuntos Políticos (SECAP), atualmente coordenada pelo secretário Márcio Jerry. O assessor custa aos cofres públicos cerca de R$ 10 mil por mês. Até agora o filho do ministro de Michel Temer já recebeu do governo Flávio Dino cerca de R$ 70 mil.

Em suas redes sociais Bruno Jungmann possui fotos em vários locais do Brasil e do exterior, a reportagem não identificou nenhuma no Maranhão.

Essa não é a primeira vez que Bruno Jungmann protagoniza nomeações consideradas estranhas. No ano passado uma nomeação no para um cargo comissionado no MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações), de Gilberto Kassab. Até o salário era semelhante aos vencimentos recebidos no governo Flávio Dino, cerca de R$ 10 mil.

Após a publicação da denúncia, Bruno foi exonerado do cargo.

O OUTRO LADO

O Estado entrou em contato com a SECAP e com o próprio Bruno Jungmann. Foram questionadas informações sobre as funções do cargo, carga horária semanal e se o assessor costuma visitar, ou já visitou, o Maranhão.

Bruno confirmou que trabalha na Secretaria de Estado de Representação Institucional do Maranhão no Distrito Federal como assessor especial na área de relações institucionais. Além disso, ele afirmou que qualquer outra informação deveria ser solicitada para a Secap.

A SECAP foi evasiva e confirmou apenas que o filho do ministro Raul Jungmann está lotado no escritório de Representação Institucional do Governo do Maranhão no Distrito Federal (Rebras), onde cumpre expediente regular.

*Matéria atualizada às 13h40 minutos do dia 23/10/2012

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