Cidades | Resolvido

Após denúncia de O Estado, balsas sairão de rio

Embarcações foram usadas na construção de uma ponte ferroviária sobre o rio Mearim
Daniel Júnior / O Estado18/10/2018
Após denúncia de O Estado, balsas  sairão de riobalsas são um perigo para pescadores e pessoas da comunidade (balsa)

Após a denúncia de O Estado sobre seis balsas abandonadas no rio Mearim, em Arari, a Vale informou, por meio de nota, que fará a retirada das embarcações do rio. De acordo com a mineradora, as balsas são de responsabilidade de empresas subcontratadas pela empreiteira Novus, a qual teria firmado um contrato com a Vale, para a construção de uma ponte ferroviária sobre o Mearim, concluída no ano de 2016, como parte da obra de duplicação da Ferrovia Carajás.

A Vale informou que, mesmo depois de terem sido acionadas diversas vezes, as empresas proprietárias das embarcações não tomaram uma decisão. “Considerando o pedido das comunidades e poder público, a própria Vale atuará para resolver a questão de maneira definitiva e depois acionará os responsáveis pelas balsas abandonadas na Justiça”, diz um trecho da nota.
Ainda conforme a Vale, a retirada das balsas será realizada em duas etapas. As embarcações serão remanejadas para local seguro do Rio Mearim, sem risco às comunidades ou à navegação. Em paralelo à fase de remanejamento, a Vale está definindo com os órgãos competentes a melhor estratégia de remoção definitiva das balsas. Todo o trabalho será realizado com o acompanhamento da Marinha do Brasil, por meio das Capitanias dos Portos do Maranhão e Pará.

As balsas estavam presas por cabos, que se romperam com o tempo. Três delas estão atracadas às margens do rio e outra encalhou nas proximidades do Igarapé do Nema, o qual é muito usado para a pesca e o translado para o rio.
A Secretaria de Meio Ambiente de Arari também havia comunicado que a empreiteira Novus, contratada pela Vale para a execução da obra, fez a contratação das balsas durante a construção de uma ponte sobre o rio Mearim na Comunidade de Ararial (Arari/Vitória do Mearim). A pasta afirmou que já estava providenciando medidas administrativas e judiciais contra a Vale, para reparar os danos.

Tragédia anunciada
Mais afetados, proprietários de embarcações do povoado Arraial, em Arari, temem pelo seu patrimônio e por suas vidas, pois as balsas, depois que se desprenderam dos pontos onde estavam paradas, passaram a se deslocar pelo rio, causando estragos por onde passam. Por causa do comprimento, de cerca de 80 metros, e da largura das balsas, os donos de barcos, a maioria pescadores, não têm como segurá-las, o que aumenta o perigo de colisões.

Pesca comprometida
Moradores alertam que a situação só se agrava a cada dia na entrada do Igarapé do Nema, de grande importância para o município. O curso d’água foi comprometido pela balsa encalhada, pois a água que entra e sai, em um processo natural, agora está com seu volume acima do normal, o que representa risco de mortandade para os peixes que se reproduzem nesse trecho do rio. No referido ponto, já é possível ver o avanço do mururu, planta típica da região, diminuindo o espaço para respiração dos cardumes.

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