Política | Eleição presidencial

No Brasil, 2º turno é o cenário mais provável, com disputa entre PSL e PT

Especialistas avaliam presença maior do voto útil, mas mesmo assim consideram vitória em 1º turno do candidato Jair Bolsonaro - que lidera as pesquisas de intenção de voto - uma tarefa difícil de ocorrer, devido ao alto índice de rejeição
06/10/2018

Brasília - Nas últimas semanas, por causa da alta rejeição dos dois candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto - Jair Bolsonaro (PLS) e Fernando Haddad (PT) -, voto útil virou o termo do momento nos discursos dos candidatos, nas redes sociais e na imprensa.
Ele resume a estratégia do eleitor de abandonar o candidato de sua preferência para apostar em alguém com mais chances de vitória. É uma decisão pragmática, que pode ser tomada tanto para não "desperdiçar" o voto em alguém que aparentemente não tem chances de ganhar, quanto para evitar a vitória de um candidato considerado "pior" na avaliação do eleitor.
Segundo especialistas, a lógica que tem norteado esse discurso na eleição deste ano é a de tentar impedir a vitória de Bolsonaro ou de Haddad. Mais importante do que o peso das propostas de cada político, evitar um "mal maior" pode estar norteando o comportamento de parcela dos eleitores.
“Não me lembro de ver um cenário em que os dois candidatos que lideram sejam tão rejeitados. Essa alta rejeição pode estar influenciando o pensamento de voto útil”, diz a professora Maria do Socorro Braga, coordenadora do Núcleo de Estudo dos Partidos Políticos Latino-americanos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Com o crescimento acima da margem de erro de Bolsonaro nas última pesquisas Ibope e Datafolha, especialistas identificam um fortalecimento do discurso de um "voto útil" no ex-capitão do exército, na esperança de "derrotar o PT" no primeiro turno.
"Pode haver um voto útil de um setor mais à direita que, embora não concordando com Bolsonaro em vários pontos, transfere o voto a ele na reta final num esforço por uma vitória no primeiro turno", afirma Maria do Socorro Braga, da UFSCar.
Mas, por causa da alta taxa de rejeição, não será tarefa fácil para o candidato do PSL alcançar o critério de 50% dos votos válidos (que excluem brancos e nulos) para encerrar a disputa com uma vitória no domingo.
Atualmente, segundo a pesquisa Datafolha, Bolsonaro aparece com 39% dos votos válidos e Haddad, com 25%.
"Assumindo que Bolsonaro tenha, de fato, cerca de 30% das intenções de voto, ele precisa subir próximo a 10 pontos percentuais para levar no primeiro turno, o que é uma subida não desprezível", diz a cientista política Lara Mesquita, do Centro de Política e Economia do Setor Público (Cepes) da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Isso significaria, por exemplo, esvaziar os votos de Marina Silva, João Amôedo, Henrique Meirelles e Álvaro Dias. "O que os institutos de pesquisa dizem é que os eleitores cada vez mais estão decidindo o seu voto muito tarde. Se isso é verdade, ainda tem espaço para movimentação e alguém vencer no primeiro turno. Eu acho improvável, mas é possível", completa Mesquita.
"É muito difícil que, numa eleição tão fragmentada, alguém consiga aglutinar todos os votos necessários para ganhar no primeiro turno. Seria mais fácil se as taxas de rejeição fossem menores", pondera Andrea Freitas, professora de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

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