Política | Eleições 2018

Organizadoras do “Ele não” dizem que manifestações devem continuar no país

Eventos contra o candidato Jair Bolsonaro iniciou-se com 30 mulheres e ganhou o mundo inteiro, com manifestações que lotaram as principais cidades no Brasil, Estados Unidos e Europa
01/10/2018
Organizadoras do “Ele não” dizem que manifestações devem continuar no paísMarcha contra Bolsonaro mobilziou o mundo inteiro (manifestação contra Bolsonaro)

RIO - Cerca de 30 mulheres trabalharam por cerca de duas semanas para organizar operacionalmente o ato de protesto contra o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro. O grupo se formou e seguiu as orientações decididas em duas reuniões plenárias com cerca de 100 mulheres, formadas espontaneamente, a partir de contatos feitos nas redes sociais. Todo o dinheiro para alugar um carro de som, montar um palco e contratar seguranças foi levantado por doações mobilizadas pelas organizadoras, informou Natália Trindade, integrante do grupo e militante da União Brasileira de Mulheres.

A militante disse ainda que a mobilização deve continuar. Embora espere que Bolsonaro não chegue nem no segundo turno, Natália afirmou que um segundo ato de mulheres contra o candidato pode ser convocado antes do pleito decisivo de 28 de outubro.

Os manifestantes contrários a Bolsonaro lotaram a praça da Cinelândia e marcharam até a Praça XV, no Centro do Rio, na tarde deste sábado. Os manifestantes se reuniram em torno do palco na Praça XV por volta das 18 horas. O ato carioca também teve militantes de partidos políticos. Segundo Natália, a organização do ato foi suprapartidária - militantes de partidos e bandeiras partidárias não foram excluídas, mas o que uniu o movimento foi a oposição a Bolsonaro.

"Estamos aqui para apresentar resistência, dizer que o País que queremos é sem fascismo", disse Natália, no backstage do palco montado na Praça XV. Natália citou as declarações do candidato a vice de Bolsonaro, Hamilton Mourão, sobre o fato de famílias chefiadas por mães e avós criarem filhos degenerados, e do próprio candidato do PSL, sobre o fato de ter tido uma filha quando deu uma "fraquejada" como exemplos do fascismo representado pela candidatura.

Os protestos contra a candidatura de Bolsonaro foram convocados de forma espontânea, em várias cidades do País e também no exterior, a partir da criação do grupo "Mulheres Unidas contra Bolsonaro" no Facebook, no último dia 30. No Rio, o principal palco de manifestação é a Cinelândia, no Centro.

A mobilização por meio das redes sociais começou a chamar a atenção na segunda-feira, dia 10, ao agregar mais de 300 mil mulheres em um único dia. Neste sábado, o grupo, fechado, contabilizava 3,9 milhões de participantes. A adesão é um reflexo da rejeição à Bolsonaro entre as eleitoras - o porcentual de mulheres que, nas pesquisas de intenção de voto, dizem que jamais votariam no deputado fluminense é maior do que o de homens.

O crescimento do grupo provocou reação em meados deste mês. No fim de semana dos dias 15 e 16, quando tinha em torno de 2,5 milhões de participantes, o grupo chegou a ficar fora do ar após ser hackeado e ter seu nome mudado, com alusão favorável a Bolsonaro. Várias mulheres do grupo foram agredidas verbalmente e receberam ameaças via internet. Paralelamente, naquele fim de semana, a hashtag #EleNão foi utilizada 193,4 mil vezes e a #EleNunca outras 152 mil vezes em todo o País.

A reação ao movimento incluiu suspeitas de violência física no Rio. Uma das administradoras do grupo na cidade registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil afirmando que foi agredida na noite da última segunda-feira, quando chegava em casa, na Ilha do Governador, na zona norte do Rio, por dois homens ainda não identificados. A ativista afirmou que vinha sendo ameaçada nas redes por causa da militância política, mas disse que não podia afirmar quem eram os agressores. Os homens levaram apenas o celular da vítima, deixando os demais pertences

Simpatizantes tentam

contrapor manifestações

Partidários do candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, se reuniram neste domingo, 30, na Avenida Paulista em São Paulo um dia depois de manifestações contra o candidato terem acontecido em todas as capitais do País e do exterior. Militantes e candidatos fizeram um apelo para eleitores de João Amoêdo (Novo), Alvaro Dias (Podemos), Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB) se unirem em torno do capitão, na esperança de uma vitória no primeiro turno.

Em discurso aos manifestantes, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL), e o candidato ao Senado Major Olimpio (PSL) criticaram o PT. A PM não divulgou estimativa de público na manifestação, que ocupou três quarteirões da Avenida Paulista. Olímpio disse que se a candidatura de Bolsonaro crescer "mais um Alckminzinho" - cinco ou seis pontos porcentuais nas pesquisas - seria possível vencer a eleição ainda no primeiro turno.

Em áudio, gravado no Rio de Janeiro, e divulgado durante a manifestação, Eduardo Bolsonaro repetiu o mantra. "Vamos ganhar essas eleições no primeiro turno. A diferença será tão grande que não será possível qualquer possibilidade de fraude. Chega de PT e de PSDB"

Já no fim da manifestação, uma forte chuva fez com que um grupo de manifestantes se abrigasse no vão livre do Masp. Lá, onde até pouco antes acontecia uma feira de artesanato, um grupo de jovens gritava "ele não" e palavras de ordem contra Bolsonaro.

Os grupos se encontram no Masp. À princípio, os grupos se enfrentaram verbalmente, mas, antes que a PM pudesse interferir, alguns militantes trocaram socos e pontapés. A PM precisou "escoltar" um grupo que se posicionava contra Bolsonaro para fora do vão livre. Policiais afirmaram que não houve detenção.

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