Política | Pesquisas

Suspeitas de irregularidade recaem sobre institutos de pesquisa no MA

Pesquisas assinadas por mortos e ocultação de patrimônio são alguns dos imbróglios envolvendo institutos
José Linhares Jr27/09/2018 às 16h40

Desde 2014 a população maranhense conviveu com algo novo nas eleições: o bombardeio por pesquisas. De forma inédito na história, o eleitorado começou a conviver com pesquisas quase que diárias, quase sempre com números que discordam entre si. Além desconfiança sobre os números, também recaem suspeitas sobre a idoneidade dos institutos.

Ecométrica usou estatística falecida para assinar pesquisas

ECONOMÉTRICA

Talvez o Instituto Econométrica seja protagonista do maior escândalo dessas eleições. Pesquisa divulgada pelo Instituto, favorável ao governador Flávio Dino, foi assinada por Celene Raposo de Aquino. Acontece que ela estava morta 19 dias antes do registro da pesquisa, que foi feito no Tribunal em 26 de agosto deste ano.

Apesar do constrangimento, o Instituto Econométrica voltou a registrar pesquisa. Desta vez, assinada por Sergio Pinto Martins, registrado CONRE 5ª Região que engloba Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Uma pesquisa no site do CONRE mostra que o registro de Sergio Pinto é inexistente.

Até hoje Data Ilha não conseguiu explicar irregularidades em CNPJ

DATA ILHA

O caçula dos institutos foi criado em 19 de julho de 2016, sob o nome empresarial de JM de Novaes, ou Josiel Melo de Novaes. Ele aparece como estatístico responsável pelas pesquisas registradas na Justiça Eleitoral.

O registro de Josiel no portal do Conselho Regional de Estatística da 1.ª Região aparece quase 5 meses após a fundação do Data Ilha. Mais especificamente em 6 de dezembro de 2016. Antes, Josiel Melo de Novaes era proprietário da De Melo Móveis e Serviços, em Belém do Pará. A empresa foi baixada por liquidação voluntária em abril de 2016.

Ainda hoje há uma polêmica sobre o endereço da sede do Data Ilha. Registrado no CNPJ como localizado na rua dos Jaçanãs, número 6, apt 1002, Ponta do Farol , São Luís, o instituto de pesquisas funciona na casa de número 8, na mesma rua, onde não existe nenhum prédio de apartamentos. Ao O Estado do Maranhão, em 20 de setembro de 2017, Josiel culpou o sistema do IPTU da Prefeitura de São Luís pela divergência. "Me mudei para cá há três meses, assim que aluguei o imóvel", afirmou à época, mais de um ano após o registro feito na Receita Federal.

Exata não foi declarada na p´restação de contas de seu proprietário em 2016

EXATA

O Instituto Exata é de propriedade de Lino Emiliano Praseres Silva. Lino foi candidato em 2016 a prefeito de Vitória do Mearim.

Lino Emiliano Praseres Silva, além de dono do Instituto Exata, também é proprietário da Exata Agência de Pesquisa e da distribuidora de medicamentos Golden Life. Ele não declarou nenhuma das três empresas à Justiça Eleitoral em 2016. Nas mesmas eleições de 2016, o Instituto Exata, ou LINO EMILIANO PRASERES SILVA-EPP, tem 29 registros de pesquisas no portal do TSE.

Procurado por O Estado para explicar a ocultação de patrimônio, Lino afirmou que não sabia da obrigação. Também disse que o deslize pode ter acontecido oir culpa do contador de sua campanha na época.

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