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Uma intensa trajetória

Livro “José Sarney: Bibliografia e Fortuna Crítica” ganha segunda edição; obra reúne todos os títulos lançados pelo escritor ao longo de sua produtiva carreira literária
11/08/2018
 Uma intensa trajetóriaJosé Sarney lançou obra que reúne informações de sua produção literária (Paulo Soares)

SÃO LUÍS- Ao longo da vida pública, o escritor José Sarney construiu uma intensa trajetória no universo da literatura. Entre poesias, romances, contos, ensaios e textos avulsos, somam-se em sua rica produção, 119 títulos, em um total de 168 edições, com traduções para o inglês, francês, espanhol, alemão, chinês, coreano, grego, árabe, russo, húngaro, romeno e búlgaro. Esse acervo está catalogado no livro “José Sarney: Bibliografia e Fortuna Crítica”, cuja segunda edição acabou de ser lançada.

Desenvolvida pelo Instituto Geia, a edição revista e ampliada registra a produção do escritor, organizando os títulos por gêneros literários e ainda textos avulsos, além das críticas publicadas acerca das obras. Cada seção da publicação é ilustrada com capas dos títulos em suas diferentes edições e traduções para outros países, acompanhada dos respectivos dados bibliográficos.

No espaço dedicado às criticas, a obra traz informações sobre os autores e local da publicação e o destaque fica por conta de textos elaborados por intelectuais de grande expressão nacional e internacional, a exemplo de Claude Lévi-Strauss, Rachel de Queiroz, Josué Montello, Ivan Junqueira, Ferreira Gullar, Darcy Ribeiro, Carlos Heitor Cony, Jorge Amado, entre outros.

Da geração de jovens intelectuais que movimentaram a literatura de São Luís a partir de meados da década de 1940, José Sarney alcançou grande destaque não apenas na cena literária – ele é decano da Academia Brasileira de Letras, membro da Academia de Ciências de Lisboa, da Academia Maranhense de Letras, entre outras – mas também na vida política nacional, tendo ocupado os cargos de deputado federal, governador do Maranhão, senador pelo Maranhão, presidente da República, senador pelo Amapá e presidente do Senado Federal.

Produção
Em “José Sarney: Bibliografia e Fortuna Crítica” o leitor poderá encontrar, de forma organizada e sistematizada, a vasta produção do maranhense autor de “A canção Inicial”. O livro, de 1954, reúne poemas publicados na revista A Ilha, saída dos encontros na Movelaria Guanabara e do qual participavam os intelectuais Bandeira Tribuzi, Bello Parga, Lago Burnett, Ferreira Gullar e outros. A obra, que ganhou duas edições, sendo a segunda em 2001, foge das formas clássicas e apresenta uma linguagem e ritmo próprios assentados em elementos da identidade cultural do escritor.

Assinam críticas sobre a produção poética de José Sarney, o poeta e escritor José Chagas, João Gaspar Simões e Ivan Juqueira, para citar alguns. Da lavra poética de Sarney estão “Saudades Mortas” e ainda “Os Marimbondos de Fogo”, este último, com quatro edições.

No gênero conto, a pena do maranhense registrou o “Norte das Águas”, publicado em 1969, quando era governador do Maranhão. O livro teve edições em romeno, inglês, alemão, russo, chinês, espanhol, francês e outras. “‘Norte das Águas’, o último livro que li e mais gostei, me parece a revelação de um grande contista, de um grande ficcionista brasileiro”, escreveu Jorge Amado sobre o livro. Rachel de Queiroz, Austregésilo de Athayde, Marcelo Rubens Paiva, Antonio Carlos Villaça foram alguns dos que destacaram a faceta de contista de José Sarney e cujos textos estão no livro “José Sarney: Bibliografia e Fortuna Crítica”.
Ainda como contista, José Sarney publicou “Brejal dos Guarás e outras Histórias”, que teve edição em chinês; e “Dez contos escolhidos”, levado a público em três edições. Seus livros de conto somam, juntos, 20 edições.

Como romancista, assina três títulos que reúnem 25 edições. “O Dono do Mar”, lançado em 1995, foi um grande sucesso editorial traduzido para o francês, inglês, romeno, espanhol, grego e árabe tendo sido ainda best seller no México. O livro recebeu críticas de Claude Lévi-Strauss. “Como etnólogo, fiquei sensibilizado pela atenção que José Sarney dedica à pesca, a seu vocabulário, a suas técnicas locais. Mas o que me tocou acima de tudo é a arte com a qual Sarney demonstra como um gênero de vida tradicional está indissoluvelmente ligado a crenças onde se afirma uma continuidade entre o mundo terrestre (melhor seria dizer, neste caso, marítimo) e o além”, escreveu o francês em texto publicado em 1996.

Outro romance de sucesso foi “Saraminda”. A obra ganhou tradução em romeno, espanhol, francês, húngaro, inglês e alemão. Carlos Heytor Cony, Maurice Druon, Paulo Coelho, Nélida Piñon, entre outros nomes, exaltaram as qualidades da obra. “Eu creio que José Sarney conseguiu algo muito difícil para um autor que é fazer uma região mítica, buscar um território literário”, escreveu Piñon.
Terceiro romance de José Sarney, “A Duquesa Vale uma Missa” apresenta uma narrativa urbana, ao contrário dos romances anteriores, mas mantém a presença do fantástico. A obra ganhou versão em espanhol e também foi comentada por Lévi-Strauss. “Essa leitura cativou-me”, disse o intelectual francês em publicação de 2007.

Como cronista, o escritor publicou 10 livros com 10 edições; na seara política foram 28 títulos e 29 edições; 10 ensaios em 13 edições; e 63 títulos avulsos com 64 edições.
“José Sarney: Bibliografia e Fortuna Crítica” tem prefácio de Éris Antônio Oliveira, doutor em Letras, crítico literário e professor da PUC-Goiás. “Sua vasta obra participa de uma ordem dupla de valores. Na primeira, tem-se seu labor artístico, no qual sua sensibilidade se dirige ao espetáculo admirável do mundo (…); na segunda, suas indagações dão forma a um poderoso impulso investigativo que coloca a problemática social, econômica e política no centro de uma imponderável capacidade reflexiva”, pontua o crítico sobre as facetas literárias de José Sarney.

Desta forma, com o livro, a obra do notável maranhense está ao alcance de estudantes, pesquisadores, professores e interessados não apenas na vida política, como também na literária de José Sarney. l

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