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É baixa a procura por vacinas contra sarampo e pólio em SL

Por conta disso, em São Luís a campanha de vacinação será antecipada e terá início no dia 23 de julho; no país, ação começa no dia 6 de agosto
MONALISA BENAVENUTO / O ESTADO18/07/2018
Carolina Coelho levou o filho, Bernardo, para ser vacinado contra a pólio em posto

SÃO LUÍS - Após a confirmação de sur­to de sarampo em três estados e de risco de surto de poliomielite em 31 municípios do Maranhão, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) está pondo em prática uma nova estratégia, segundo informou a chefe do Departamento de Controle de Doenças Imunopreveníveis do órgão, Maria Helena de Almeida. O objetivo maior é mobilizar e esclarecer a população sobre a importância da imunização.

“Nós iniciamos uma série de seminários nas regionais para mobilizar e orientar os profissionais envolvidos nessa ação [campanha de vacinação], para que possam esclarecer dúvidas das famílias. Também estamos divulgando notas e estamos elaborando informativos mais claros, mais resumidos para a população”, afirmou.

A partir de levantamento, o Ministério da Saúde concluiu que, no Maranhão, há 31 municípios em risco de surto de poliomielite, doen­ça que foi erradicada no Brasil há 28 anos, como explicou o médico pediatra Ronney Mendes.

“Até a década de 1980, o vírus da poliomielite selvagem ainda paralisava e adoecia cerca de mil crianças por dia no mundo. Como alguns países ainda registram casos de pólio selvagem, na África, por exemplo, o risco de retorno da doença e do sofrimento ainda existe, se houver uma baixa cobertura vacinal. A doença está controlada. Não se registra casos de pólio selvagem nas Américas desde a década de 1990, mas o risco ainda existe”, esclareceu.

Entre as justificativas para a situação, o não comparecimento das crianças aos postos de saúde vem chamando a atenção dos órgãos de imunização. O fato se deve, principalmente, pela falta de informação de familiares, que, por causa de boatos na internet, acabam acreditando que as vacinas, em vez de proteção, oferecem riscos à saúde das crianças. Preocupado em garantir o alcance das campanhas de vacinação, o Governo Federal iniciou uma ofensiva contra fake news que associam as vacinas ao autismo e obesidade.

Em reunião na sexta-feira (13), representantes de diversos ministérios e da Secretaria de Comunicação da Presidência definiram ações para identificar os autores das mensagens e combater o desconhecimento.

Em dia
A gestora ambiental Josy Helen Borges, mãe do Luís Gustavo, de dois anos, não se deixa levar pelos boatos. “Eu sempre fiz questão de manter a caderneta de vacinação dele toda atualizada. Esses pais que têm medo de vacinar os filhos por falta de informação deveriam procurar profissionais da área da saúde pra esclarecimentos de suas dúvidas, ao invés disso pesquisam notícias em fontes não confiáveis”, contou.

A campanha de vacinação acontecerá até 31 de agosto e deverá imunizar 449.042 crianças em todo o Maranhão. Para quem quiser se antecipar, as doses já estão disponíveis em diversos postos de São Luís.

Um chorinho de nada, já que a vacina é em gotas, e a Carteira de Vacinação do Bernardo ficou em dia contra a pólio. “A vacina é muito importante para evitar doen­ças que já foram erradicadas, doenças que eles não precisam correr o risco de contrair. Os meus filhos sempre tomaram as vacinas em dia”, contou a mãe e servidora pública Carolina Coelho.

Vacinação
Segundoo MS, os gestores dos estados que estão abaixo da meta de vacinação são orientados sobre a organização de redes de saúde, inclusive com a possibilidade de readequação de horários mais compatíveis com a população.

O órgão ainda reforça que todos os pais e responsáveis mantenham as Cadernetas de Vacinação atualizada, em especial para as crianças menores de cinco anos, que devem ser vacinadas, conforme esquema de rotina. No caso das doses contra a poliomielite oral trivalente, devem ser administradas aos 2, 4 e 6 meses de vida. O primeiro reforço é feito aos 15 meses e o outro entre 4 e 6 anos de idade. A vacinação pode ser feita nos postos da rede pública de saúde diariamente e nas edições da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite.

Maria Helena de Almeida, chefe do Departamento de Controle de Doenças Imunopreveníveis da SES

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Doenças

A poliomielite é uma doença viral infecciosa que pode, em uma minoria dos casos (1 a cada 200), atacar nervos musculares causando paralisia definitiva em poucas horas, geralmente nos membros inferiores. Em 10% dos casos de paralisia, a infecção atinge músculos respiratórios, levando à morte. A doença pode ser contraída por contato com água ou comida contaminadas (menor parte dos casos) ou transmitida entre pessoas contaminadas por via oral (contato com gotículas por meio de tosse, espirro ou mesmo ao falar) e fecal (contato com fezes contaminadas).

Os sintomas são semelhantes aos de outras infecções comuns – o que resulta em muitos casos de pessoas com pólio, quando a doença não causa paralisia, a não serem devidamente diagnosticadas. São eles febre, cansaço, dor de cabeça, vômito e enrijecimento do pescoço e dor nos braços ou pernas.

O sarampo, por sua vez, é uma doença viral infecciosa, muito contagiosa (transmitida por via oral) e de alto potencial letal. No mundo, é uma das maiores responsáveis pelos números de mortalidade infantil. Seus sintomas envolvem febre, dor de cabeça, tosse, manchas brancas na mucosa bucal, conjuntivite e manchas vermelhas (que se espalham do rosto para o resto do corpo).

Nos dois casos, as doenças não têm cura, mas podem ser evitadas por meio de vacina. Contra pólio, há duas vacinas. Uma chamada VOP (Vacina Oral Poliomielite) que é aplicada em gotas em crianças aos 2, 4 e 6 meses de vida. Para essa, há necessidade de reforços entre 15 e 18 meses e, depois, entre 4 e 5 anos de idade. A outra vacina é a VIP (Vacina Inativada Poliomielite), injetável e aplicada em duas doses: uma aos 15 meses e outra aos 4 anos. A vacina para sarampo envolve duas doses: uma aos 12 meses (tríplice) e a outra aos 15 meses (tetra viral). Crianças maiores de 5 anos que não tomaram a vacina previamente podem se imunizar por meio de duas doses da tríplice. Adultos não protegidos também podem buscar se vacinar recebendo uma (entre 30 e 49 anos) ou duas doses (10 a 29 anos) da tríplice.

Abrindo o Jogo - Infectologista Carolina Cipriano Monteiro

Em entrevista a O Estado, a médica infectologista especialista em imunizações, do Hospital São Domingos, Carolina Cipriano Monteiro, esclareceu algumas dúvidas a respeito das vacinas e de notícias que circulam na internet.

Porque é preciso vacinar?

A vacinação é essencial para evitar doenças graves. As vacinas conferem proteção tanto para o indivíduo que toma a vacina quanto para as outras pessoas, já que, se todos se vacinarem, o vírus deixa de circular naquela população. Assim, pessoas que apresentam contraindicação à vacina também estarão protegidas. Esse fenômeno é conhecido como “imunidade de rebanho”.

Quem deve tomar as vacinas?

Todas as crianças devem ser vacinadas contra o sarampo e a poliomielite. A vacina da poliomielite deve ser dada aos 2, 4 e 6 meses, com reforços aos 15 meses e aos 4 anos. A vacina tríplice viral, que confere proteção contra o sarampo, deve ser administrada aos 12 e aos 15 meses de vida. Adultos não vacinados também devem receber a tríplice viral. Pessoas com problemas da imunidade, gestantes e aqueles que apresentam alergia a algum componente da vacina devem passar por avaliação médica antes de vacinar.

As vacinas são seguras?

Todas as vacinas do calendário vacinal brasileiro são seguras e eficazes. Eventos adversos graves são raros. O benefício de tomar a vacina é muito maior que o risco de apresentar alguma reação grave. Ao contrário do que circula em algumas fontes na internet, a vacina tríplice viral não causa autismo.

Por que são necessárias tantas doses de uma mesma vacina durante o 1º ano de vida?

Algumas vacinas precisam de várias doses porque para algumas doenças são necessários vários estímulos para que o sistema imune estruture uma resposta adequada e duradoura.

O que aconteceria se todas as pessoas parassem de tomar as vacinas?

O sucesso do programa vacinal brasileiro levou ao controle de várias doenças, inclusive o sarampo e a poliomielite, e à sensação de segurança na população. No entanto, essa sensação de segurança leva alguns indivíduos a tomarem a decisão errada de não se vacinar ou não vacinar seus filhos. Se todos parassem de se vacinar, doenças graves que hoje estão controladas voltariam a circular e acometeriam um grande número de pessoas.

A pessoa pode contrair a doença mesmo tendo sido vacinado?

Se o indivíduo apresenta boas condições de saúde e tomou todas as doses da vacina corretamente, a chance de ocorrência da doença é muito pequena.

As informações que circulam na internet são seguras?

A internet é uma fonte importante de informações, no entanto é frequente a circulação de boatos e notícias falsas. Por isso, tudo o que circula na internet deve ser interpretado com cautela e as fontes das informações devem ser sempre checadas. Os sites do Ministério da Saúde e das Sociedades Brasileiras de Infectologia e Imunizações, por exemplo, são fontes confiáveis.

As vacinas são seguras e oferecem enorme benefício. Em caso de dúvida, consulte seu médico.


Municípios em risco de surto e a cobertura vacinal para poliomielite


Arame – 14,81%

São Domingos do Maranhão – 15,25%

Alcântara – 15,64%

Bequimão – 19,08%

Santa Luzia do Paruá – 21,45%

Jenipapo dos Vieiras – 23,24%

Bacuri – 24%

Turiaçu – 24,41%

São João Batista – 25,27%

Santana do Maranhão – 28,57%

Peri Mirim – 32,59%

Dom Pedro – 34,73%

Axixá – 35,92%

Bacabal – 35,99%

Magalhães de Almeida – 36,40%

Humberto de Campos – 37,33%

Matões do Norte – 38,40%

Vargem Grandes – 38,72%

Pinheiro – 40,25%

Carutapera – 40,32%

Chapadinha – 41,92%

Serrano do Maranhão – 43,24%

Vitorino Freire – 43,37%

Belágua – 43,50%

Raposa – 43,72%

São Vicente Ferrer – 44,01%

Presidente Dutra – 46,57%

Grajaú – 47,26%

Presidente Sarney – 47,99%

Central do Maranhão – 48,39%

Primeira Cruz – 48,92%

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