Edição Digital

Cidades | Devoção

Devotos celebram dia de Santo Antônio com fé e agradecimentos

Homenagens e missas aconteceram durante todo o dia; tradicional distribuição de pães representa fartura para os fiéis do padroeiro; todos os anos, centenas de devotos se reúnem na igreja para fazer pedidos e pagar promessas
Monalisa Benavenuto / O Estado14/06/2018
Distribuição de pães é feita por devotos de Santo Antônio, em pagamento das graças recebidas

As celebrações em comemoração ao dia de Santo Antônio começaram às 5h de ontem, 13, na igreja que leva o nome do padroeiro, na Praça Antônio Lobo, localizado no centro de São Luís. Durante as missas, aconteceu a tradicional distribuição de pães, simbolizando a ação fraterna do santo em prol dos menos favorecidos.

Às 5h de ontem, durante a alvorada que marca o encerramento do festejo e o dia de Santo Antônio, a igreja que leva o nome do padroeiro já estava repleta de fiéis. Homenagens, demonstração de fé, pedidos e agradecimentos vêm sendo feitos desde o dia 1º de junho, quando começaram as festividades da paróquia.

A professora Sônia Regina dos Santos é devota de Santo Antônio há cerca de 15 anos. Ela se apegou ao padroeiro após um problema de saúde e desde então participa das cerimônias em homenagem ao santo. “Eu tive um derrame, me apeguei a Santo Antônio e em 15 dias estava recuperada, claro que fazendo alguns procedimentos para normalizar e paguei a promessa vindo vestida de Santo Antônio, na época. Hoje eu continuo agradecendo as graças que recebo”, contou a aposentada.

Tradição
A tradição iniciou-se por volta do século XII e até hoje movimenta católicos de todo o Brasil. Na capital maranhense, a distribuição dos pães é um dos momentos mais aguardados pelos fiéis.

“Esse pão representa a fartura. Você pega, coloca nos seus mantimentos, pode colocar no arroz, no açúcar ou na geladeira, e isso tudo faz parte da nossa fé. A fé move montanhas”, disse Sônia Regina dos Santos.

As missas foram celebradas durante todo o dia, com a igreja sempre cheia, reforçando a popularidade do santo, conhecido como o padroeiro dos pobres e oprimidos e também conhecido como Santo Casamenteiro. “Geralmente, a gente não consegue contar a quantidade de pessoas aqui, porque para cada missa entra e sai muita gente. Mesmo nos horários que não tem missa a igreja está bastante cheia”, ressaltou o seminarista Raymison Dutra.

Distribuição de pães é feita por devotos de Santo Antônio, em pagamento das graças recebidas

Entre as celebrações, a Santa Missa dos Antônios e Antônias se destacou. “Nessa missa vem sempre muita gente vestida de Santo Antônio, tanto homens quanto mulheres. Foi muito bonito”, destacou Raymison Dutra.

A monitora escolar Edilene Felipa Pereira fez uma promessa há um ano para o filho Mateus Felipe, de 6 anos, que nasceu com problemas de desenvolvimento, e pretende levá-lo todos os anos para agradecer às conquistas. “Ele teve muita dificuldade quando nasceu, custou a andar, sentar, e tem uma inquietação, problemas de aprendizagem, comportamento.

Então, eu fiz uma promessa para Santo Antônio que, se ele melhorasse, tivesse desenvolvimento, eu vestiria ele de Santo Antônio para trazer aqui na missa”, contou.

Além da população de São Luís, muitos turistas prestigiam celebrações como essas, por ser parte da cultura local. O casal de professores da Universidade de Wisconsin-Milwaukee, nos Estados Unidos, Simone Ferro e Meredith Watts, vêm anualmente ao Maranhão para pesquisar sobre as tradições e a participação feminina na cultura popular do estado. Para eles, a demonstração de fé durante festejos, como o de Santo Antônio, é parte importante da cultura maranhense.

“Nós somos pesquisadores da cultura popular e já faz 12 anos que viemos ao Maranhão pesquisando boi, tambor de crioula, tambor de mina, entrevistas com bordadeiras e isso vai ser um dia um livro. A cultura maranhense é tão interligada que não se pode dissociar uma coisa da outra. Os boieiros têm a fé em Santo Antônio e em todos esses santos juninos, e a gente estuda todos eles. Então, essa devoção, esse evento todo é muito lindo. As pessoas têm muita fé, fé em dias melhores, em mudar de vida, na saúde. Então, a gente acha muito importante dar apoio e ver como eles participam dessas festas”, destacou Simone Ferro.

A procissão também é um ponto alto do festejo. Os fiéis seguem pelas principais ruas do centro da cidade, como a Rua 7 de Setembro, e fazem orações e ladainhas em homenagem ao padroeiro. Depois, retornam para o Largo do Carmo, onde são celebradas a Santa Missa Campal e a quermesse, encerrando as festividades com animações culturais e venda de comidas típicas.

Leia mais notícias em OEstadoMA.com e siga nossas páginas no Facebook, no Twitter e no Instagram. Envie informações à Redação do Jornal de O Estado por WhatsApp pelo telefone (98) 99209 2564.

© 2018 - Todos os direitos reservados.