Cinismo cultural

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h30

Após ser criticado durante os últimos quatro dias, taxado de ser incapaz de entender os aspectos culturais do Maranhão, o governador Flávio Dino (PCdoB) decidiu inventar um ato para justificar a presença do cantor romântico Agnaldo Timóteo no São João do Maranhão. Dino foi às redes sociais ontem para dizer que Timóteo fará um show específico no Arraial dos Aposentados, no Ipem.
E ainda tirou onda, dizendo que os que são contra esta contratação - não por causa do artista, mas pelo período - estão contra a cultura maranhense.
O cinismo do governador - praxe quando é emparedado com questões que ele não consegue explicar - encontra uma barreira em seu próprio governo. Primeiro que, se há alguém contra a cultura maranhense é o próprio Flávio Dino, que deixa de fora artistas consagrados do período junino para contratar outros que não têm identificação com este período da cultura maranhense. Segundo, é reduzir os aposentados a shows românticos - como se eles não gostassem de cacuriá, bumba meu boi, tambor de crioula e outras atrações.
Além de ridicularizar o São João promovido pelo seu próprio governo, o governador comunista desmentiu seu secretário de Cultura, Diego Galdino, que já havia anunciado Agnaldo Timóteo como atração, não de um show específico, mas do “São João de Todos”.

Cachê
O governo comunista e seus agentes nas redes sociais tentaram reduzir o debate sobre Agnaldo Timóteo a uma interpretação da coluna sobre o que disse o próprio cantor.
Em entrevistas disponíveis na internet, Timóteo gosta de comparar seu cachê ao de Luan Santana, ora dizendo que o seu é a metade, ora que apenas 10% do valor do artista sertanejo.
Como Luan Santana cobra algo em torno de R$ 500 mil por show, a Timóteo caberia R$ 250 mil ou R$ 50 mil, dependendo da entrevista que se queira usar.

Do contra
Flávio Dino voltou a usar um de seus deboches tradicionais ao falar dos que criticam suas ações no comando do governo.
Ele adora dizer que os críticos são contra isso ou aquilo, dependendo do malfeito que está sendo analisado.
Agora, diz que os que são contra a contratação de Agnaldo Timóteo são contra a cultura maranhense. Mesmo absurdo que afirmar que criticar a farra dos capelães é ser contra os evangélicos, ora veja.

Será ou não
O ex-governador José Reinaldo Tavares (PSDB) recebeu na última terça-feira manifestação de apoio dos prefeitos de Caxias, Fábio Gentil (PRB), e de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PCdoB).
Ambos destacaram a carreira política de Tavares e disseram que seguirão seu projeto de disputar o Senado.
O problema é que a candidatura do tucano ainda depende do seu enquadramento no projeto eleitoral do partido.

Pré-campanha
Embora não se declare candidato a governador - e provavelmente nem o faça -, o deputado estadual Eduardo Braide (PMN) faz uma espécie de campanha de bastidores.
Na manhã de ontem, moradores do Coroado receberam panfletos com uma espécie de prestação de contas do mandato do parlamentar.
O material gráfico - típico de campanha - mostra as ações de Braide na Assembleia Legislativa.

Esgoto e lama
E por falar em Coroado, a Caema simplesmente abandonou a obra de instalação de rede de esgoto, após destruir ruas e avenidas da comunidade.
Após escavação da Artec para instalação de tubulação, as máquinas foram retiradas e as ruas deixadas em um caos absoluto, com buracos e lama.
O pior é que a rede de esgoto nem tem como funcionar, porque ainda depende de uma estação elevatória na Avenida dos Africanos que sequer tem data para ser concluída.

De todos
Um fator deve levar o deputado federal Sarney Filho (PV) a despontar como favorito ao Senado a partir do início da campanha.
Além de ser a primeira opção em boa parte dos municípios maranhenses, ele ainda é a segunda opção dos eleitores que declaram votar, primeiro, em todos os outros candidatos.
Sarney Filho dobra votação com candidatos do seu grupo, do grupo do governo comunista e também da chamada terceira via.

DE OLHO

R$ 38 mil É quanto o governo Flávio Dino diz que vai pagar pelo show de Agnaldo Timóteo, agora em um evento do antigo Ipem, e não mais no São João maranhense.

E MAIS

• Mais à vontade do que nunca na condição de pré-candidato ao Senado, o deputado Waldir Maranhão já discute até a formação de chapa com seus dois suplentes.

• Enquanto vários deputados da oposição criticaram a secretária de Cultura pelo calendário do São João - o que a fez rever o projeto -, o emedebista Roberto Costa preferiu jogar loas no secretário Diego Galdino.

• As festas políticas organizadas pelo presidenciável Jair Bolsonaro e pelo governo Flávio Dino, dia 14, vão esbarrar no fato de que as atenções estarão voltadas para a abertura da Copa.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais Twitter, Instagram e TikTok e curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.