Polícia | Caso Décio Sá

Seis anos depois, morte de Décio Sá ainda suscita questionamentos

Jornalista de O Estado foi assassinado em um bar na avenida Litorânea; Sindicato dos Jornalistas teve um encontro com a presidência do TJMA para obter informações sobre o andamento do processo do assassinato de Décio Sá
Thiago Bastos / O Estado23/04/2018
Seis anos depois, morte de Décio  Sá ainda suscita questionamentos A morte do jornalista e blogueiro Décio Sá completa 6 anos nesta segunda-feira, 23. (Divulgação)

SÃO LUÍS - Hoje, dia 23 de abril de 2018, faz seis anos de um dos crimes mais emblemáticos e marcantes para a história da comunicação nacional. Neste dia, em 2012, às 22h30, o jornalista da editoria de Política de O Estado e blogueiro, Décio Sá, foi assassinado em um bar na avenida Litorânea, em São Luís.

Mesmo após tanto tempo e com o caso elucidado, de acordo com a polícia, a morte de Décio ainda suscita questionamentos sobre as circunstâncias do crime e sensação de impunidade, já que a maior parte das pessoas apontadas com participação no crime ainda não foi julgada.

Após as investigações, a polícia chegou - em agosto de 2012 - aos nomes de 12 pessoas envolvidas na morte do jornalista. Além de Jhonatan, também foram indiciados por participação no crime Gláucio Alencar, José de Alencar Miranda, Ronaldo Ribeiro, Alcides Nunes da Silva, Joel Durans Medeiros, Júnior Bolinha, Fábio “Capita”, Fábio Aurélio o Buchecha, Marcos Bruno de Oliveira, o Amaral, Shirliano Graciano de Oliveira, o Balão e Elker Farias Veloso. Destes, apenas Jhonatan (que cumpre pena de 25 anos de prisão) e Marcos Bruno foram julgados. Os demais foram impronunciados. Gláucio Alencar, por exemplo, foi beneficiado com habeas corpus expedido em dezembro do ano passado pelo desembargador José Luiz Oliveira de Almeida, do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ).

No dia 19 deste mês, a diretoria do Sindicato dos Jornalistas de São Luís teve um encontro com o presidência do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) para obter informações sobre o andamento do processo do assassinato de Décio Sá. Na ocasião, o presidente da Corte, José Joaquim Figueiredo dos Anjos, se pronunciou a favor do pedido e disse que não mediria esforços para saber outras informações do processo.

A morte de Décio Sá foi encomendada após denúncias divulgadas em seu blog – um dos mais acessados do Maranhão – em que havia a participação direta de agiota no financiamento de campanhas de candidatos a prefeito no Maranhão. De acordo com as apurações de Décio, após assumirem os cargos, os representantes públicos pagavam a dívida com dinheiro público. Estima-se que o esquema tenha sido utilizado em, pelo menos, 41 prefeituras do estado entre 2009 e 2012.

No dia 26 de março deste ano, em nota publicada pela assessoria, o Ministério Público do Maranhão (MP) negou possível reabertura da investigação do assassinato de Décio Sá. Na ocasião, o MP negou que o depoimento divulgado em alguns veículos e imputado ao promotor de Justiça, Marco Aurélio Rodrigues (que teria levantado a hipótese de irregularidades no curso das investigações da morte de Décio), tenha sido verdadeiro.

Morte ainda não esclarecida

No dia 7 de janeiro deste ano, Jhonatan de Souza Silva – que cumpre pena na Unidade Prisional de Ressocialização de São Luís 4 (UPSL4) – assassinou um detento identificado como Alan Kardec Dias Mota. De acordo com informações divulgadas à época pela Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap), o crime ocorreu por volta das 7h30 durante o “banho de sol”. Jhonatan feriu o peito de Alan Kardec com um pedaço de ferro.

O homicídio do detento colocou em xeque a suposta pacificação no sistema prisional do Maranhão, alardeada pelo governo Flávio Dino (PCdoB). A Polícia Civil abriu inquérito para apuração dos fatos. Até o momento, as circunstâncias do crime ainda não foram devidamente esclarecidas.

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