Mais dinheiro

Adriano cobra explicações sobre empréstimo de R$ 500 mi pretendido pelo governo

Governo encaminhou à AL dois projetos de lei pedindo autorização para contratar crédito da ordem de US$ 150 milhões

Gilberto Léda

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h32
Adriano Sarney tem acompanhado empréstimos do governo
Adriano Sarney tem acompanhado empréstimos do governo (Adriano)

O deputado estadual Adriano Sarney (MDB) revelou ontem, em discurso no tempo das lideranças, na Assembleia Legislativa, que o governador Flávio Dino (PCdoB) pretende tomar mais um empréstimo internacional.

Para isso, encaminhou à Casa dois projetos de lei pedindo autorização para contratar crédito da ordem de US$ 150 milhões – o que, em conversão direta para o real, com o câmbio atual, chega perto da casa dos R$ 500 milhões.

Em seu discurso, o parlamentar citou a falta de transparência do Executivo, o risco de e contratar crédito em moeda estrangeira – sujeito à volatilidade do câmbio - e o excesso de empréstimos já contraídos pela atual gestão.

“São dois projetos, um de US$ 77,7 milhões, tomado ao Banco de Desenvolvimento da América Latina, e outro no valor de US$ 70,8 milhões, tomado pelo Banco New Development. Esses dois empréstimos somam cerca de US$ 150 milhões, o que é, convertido em moeda nacional, cerca de R$ 500 milhões de reais que será tomado pelo Governo do Estado nesses bancos internacionais em moeda estrangeira. Mais uma vez, venho pontuar o risco do câmbio, que é um risco muito grande, e também o motivo e a transparência pelo qual esse recurso vai ser utilizado”, destacou.

O parlamentar cobrou dados como taxa de juros e prazo de pagamento. “Mais uma vez o governo do estado não dá a transparência devida da taxa de juros, prazo de pagamento, não dá informação precisa em que esse recurso será investido. Então, mais uma vez, eu venho a esta tribuna para solicitar do governo do estado maiores detalhes”, completou.

Ainda de acordo com Adriano Sarney, a única explicação do governo é a de que o recurso oriundo do empréstimo será utilizado para melhorias na MA-006.

“Numa breve explanação do governo do estado, coloca-se apenas que esse recurso vai prover melhores condições de trafegabilidade na Rodovia MA-006. Eu mesmo já passei por aquela rodovia que necessita de uma obra de grande tamanho, mas nós precisamos saber os detalhes disso. Nós precisamos saber onde esse recurso vai ser investido, que é o recurso que será pago pelo povo do Maranhão”, pontuou.

R$ 1 bilhão – Até o fim do ano passado, a base aliada ao governador Flávio Dino na Assembleia Legislativa já havia garantido ao comunista autorizações para a contração de mais de R$ 1 bilhão em empréstimos desde o ano de 2015.

O mais recente deles, de US$ 35 milhões (mais de R$ 100 milhões em valores atuais), foi aprovado no mês de outubro de 2017.

Outros quatro empréstimos autorizados pelo Legislativo elevam à casa dos bilhões o montante a que o Estado teve o direito de acessar via empréstimos.

O primeiro deles foi autorizado em abril de 2016: R$ 55,2 milhões da Caixa Econômica Federal para obras em São Luís.

Meses depois, em julho, novo pedido de autorização: R$ 400 milhões da Corporação Andina de Fomento (CAF), o Banco de Desenvolvimento da América Latina.

Em novembro, foi autorizado um empréstimo de R$ 444 milhões à Caixa Econômica Federal (CEF), para “obras importantes de infraestrutura”, segundo anunciou à época o secretário de Estado da Comunicação e Articulação Política, Márcio Jerry (PCdoB).

Em dezembro do mesmo ano, a Assembleia Legislativa aprovou projeto de lei autorizando o governo a tomar um empréstimo de R$ 55 milhões do Banco do Brasil para compra de motoniveladoras.

Fida - Os aliados de Flávio Dino na Assembleia ainda aprovaram um pedido de autorização para um obscuro empréstimo que seria tomado do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA).

A transação estava avaliada em 14,3 milhões de Direitos Especiais de Saque. Foi autorizada pelos deputados estaduais governistas em outubro de 2016, mas nunca devidamente explicada pelo governo aos parlamentares de oposição.

Soube-se apenas que os tais “Direitos Especiais de Saque” são um indexador do Fundo Monetário Internacional (FMI) baseado em cinco moedas internacionais. Mas nunca foram dadas informações sobre os valores a serem pagos em Real. Mesmo autorizado a tal, o Executivo acabou não contraindo o empréstimo.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais Twitter, Instagram e TikTok e curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.