Cidades | Fatalidade

Adolescente é a terceira vítima de meningite em SL

Sala de aula onde Taynara Sousa dos Santos, de 16 anos, estudava, está interditada; este é o terceiro caso de morte causada pela doença em São Luís, este ano; funcionários reclamam da falta de inspeção sanitária na unidade de ensino estadual
Daniel Júnior / O Estado16/03/2018

Vítima de meningite, a estudante Taynara Sousa dos Santos, de 16 anos, morreu no último domingo, 11, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Cidade Operária, em São Luís. Este é o terceiro caso de morte causada pela doença registrado na capital maranhense este ano. Taynara dos Santos era aluna da Escola Estadual Pedro Álvares Cabral. A sala de aula onde estudava permanece interditada. De acordo com a direção da unidade escolar, uma professora percebeu, na sexta-feira, 9, que a adolescente não estava bem.

"Na sexta-feira, ficamos sabendo que a Taynara não estava muito bem. Uma professora percebeu. Quando foi na segunda-feira de manhã, recebemos a notícia do falecimento. Não acreditamos e ligamos para a mãe dela, para confirmar. O laudo da morte revelou meningite. Nunca teve um caso assim aqui na escola, que possui cerca de 1.200 alunos", relatou Valmir Ribeiro, diretor da unidade.

Quando O Estado esteve na escola, na manhã de ontem, uma equipe da Vigilância Sanitária fazia uma inspeção em suas dependências. Mas, segundo funcionários da unidade de ensino, que preferiram não se identificar, a vistoria sanitária só aconteceu depois da morte da aluna por uma doença contagiosa. "Não há inspeção aqui na escola. Eles dizem que estão aqui para fazer uma inspeção preventiva, mas não é, pois nunca tem. Ficamos preocupados com a nossa saúde e a dos nossos alunos. Disseram que não era para a gente se preocupar, mas por que os sanitaristas estão todos de máscara?", indagou uma servidora.

O Estado flagrou água empoçada e uma área que necessita de capinação na escola. Depois da fatalidade, a as aulas foram suspensas por dois dias. Muita gente foi tentar tomar a vacina que previne a doença em unidades de saúde do bairro e adjacências, mas, segundo funcionários da escola, não estão conseguindo.

Outros casos
O estudante Lucas Gabriel Martins, de 21 anos, morreu dia 27 de fevereiro vítima de meningite. Ele chegou a ser socorrido e internado em um hospital particular da capital, mas não resistiu e faleceu. De acordo com amigos da vítima, durante todo o dia o jovem sentiu fortes dores de cabeça, vômito e torcicolo.

O outro caso registrado foi da adolescente Deborah Sales, de 17 anos. Ela morreu após passar mal. A jovem chegou a ser internada com sintomas da doença na Unidade Mista do bairro Bequimão, mas acabou falecendo. Todos os casos foram confirmados pela Secretaria Estadual de Saúde. O órgão descartou um possível surto de meningite em São Luís, por meio de nota no início deste mês.

Sobre a morte de Taynara Sousa dos Santos, A Secretaria de Estado da Saúde (SES) afirmou, em nota, que houve óbito de uma jovem de 18 anos atendida na UPA Cidade Operária, moradora do bairro Cidade Olímpica, estudante de uma escola do mesmo bairro (Centro de Ensino Pedro Alvares Cabral) com suspeita de meningite. O corpo foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO) para coleta de amostra que será analisado pelo Laboratório de referência Adolfo Lutz (São Paulo).

A SES ressaltou que tem adotado medidas de controle através da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde em parceria com a Vigilância Epidemiológica Municipal, com a investigação epidemiológica na UPA Cidade Operária – conversa com os profissionais de saúde que atenderam a paciente; investigação epidemiológica no SVO para colher informações a respeito da suspeita pelos médicos que procederam a coleta de amostras para exame laboratorial; realização de orientação para os gestores de Educação da escola e corpo docente da mesma sobre as medidas de controle, sendo realizado bloqueio da doença com a medida de quimioprofilaxiatanto na escola, quanto nos familiares do domicílio após avalição e triagem; orientação aos familiares quanto as medidas de controle e quimioprofilaxia dos contatos do domicílio; e reunião com a Vigilância Sanitária para adoção de medidas sanitárias na escola onde o caso suspeito estudava e visita à escola, orientação, avaliação das condições de higiene do ambiente escolar, entre outras.

SAIBA MAIS

A meningite é uma inflamação das membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal, geralmente causada por uma infecção, normalmente viral. Mas a doença também pode ser causada por bactérias ou fungos. Existem vacinas para a prevenção de algumas formas da meningite. Os sintomas incluem dor de cabeça, febre e torcicolo. Dependendo da causa, a meningite pode melhorar com o tempo, com tratamento à base de antibióticos, ou ser fatal.
Devem ficar atentas as pessoas que apresentarem os sintomas:
Dores locais: costas, nos músculos ou pescoço; No corpo: calafrios, fadiga, febre, letargia, mal-estar, perda de apetite ou tremor; No aparelho gastrointestinal: náusea ou vômito; Na pele: erupções avermelhadas ou manchas vermelhas; Também é comum ter alimentação insuficiente, confusão mental, sensibilidade a barulhos altos, irritabilidade, meningismo, respiração acelerada, sonolência ou taquicardia.

Leia mais notícias em OEstadoMA.com e siga nossas páginas no Facebook, no Twitter e no Instagram. Envie informações à Redação do Jornal de O Estado por WhatsApp pelo telefone (98) 99209 2564.

© 2019 - Todos os direitos reservados.
Tamanho da
Fonte