Polícia | Violência

Mulheres estão sendo mortas na Região Metropolitana de São Luís

Vinte e oito já foram assassinadas este ano na Ilha, segundo dados da SSP; somente neste mês ocorreram quatro casos, com requintes de crueldades; uma média de três assassinatos por mês; fevereiro teve mais registros
Ismael Araújo / O Estado18/11/2017
Mulheres estão sendo mortas na Região Metropolitana de São LuísNo decorrer deste mês, quatro mulheres já foram assassinadas, com requintes de crueldades (Reprodução)

SÃO LUÍS - Um número considerado alto e alarmante. Vinte e oito mulheres já foram assassinadas este ano na Região Metropolitana de São Luís, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Uma média de três assassinatos por mês e fevereiro foi o mês com o maior número de registro deste tipo de crime na Ilha, com sete casos. No decorrer deste mês, quatro mulheres já foram assassinadas, com requintes de crueldades.

A equipe da Delegacia Especial da Mulher (DEM), na sexta-feira, 17, tentava identificar o autor do assassinato de Maria do Nascimento Góes Freitas, de 49 anos, cujo corpo foi encontrado pendurado por uma corda, dentro de sua residência, na Cidade Olímpica. A vítima apresentava uma perfuração de faca no pescoço e marcas de violência nas costas.

No quintal foram encontradas marcas de sangue da vítima. “O acusado simulou que a vítima teria se suicidado, mas isso já foi descartado pelos peritos do Icrim”, explicou a delegada Viviane Azumbuja, chefe do Departamento de Feminicídio, órgão ligado a Superintendência Estadual de Homicídios e Proteção a Pessoas (SHPP).

A delegada também informou que o caso está sendo investigado pela Polícia Civil como homicídio. Ainda ontem, o esposo de Maria do Nascimento, que não teve a identidade revelada, prestou esclarecimento sobre o caso na sede da SHPP, no Centro. “O marido da vítima teria encontrado o corpo e chamou um vizinho. No primeiro momento, há informações de que o casal vivia sem ter a ocorrência de brigas diárias”, declarou Viviane Azambuja.

Buscas

A equipe da DEM e policiais militares continuavam, também na sexta-feira, realizando buscas na Grande Ilha e no interior do estado, para prender o agente de segurança privada, identificado como Batista, acusado do assassinato, a golpes de faca, de sua ex-companheira, a técnica de enfermagem Domingas Ladiele Sousa Maciel, de 33 anos. O crime ocorreu na manhã de quinta-feira, 16, e na residência da vítima, no Bom Jesus, área do Coroadinho.

O corpo da técnica de enfermagem foi achado pelos vizinhos em cima de uma poça de sangue e havia várias marcas de golpes de faca, principalmente, no abdômen e tórax. A delegada Viviane Azambuja contou que vizinhos disseram, aos policiais que estiveram no local do crime, que o casal teve um relacionamento matrimonial durante 16 anos, mas haviam se separado havia três meses. Na manhã da última quinta-feira, 16, o suspeito, que não aceitava o fim do relacionamento, teria discutido com a técnica de enfermagem, cometido a ação criminosa e, em seguida, tomado rumo ignorado.

Também nessa área do Coroadinho ocorreu o assassinato da funcionária terceirizada do Fórum Desembargador Sarney Costa, Andréia Miranda Teixeira, de 36 anos. De acordo com as informações da polícia, o crime ocorreu na tarde do dia 21 de junho deste ano e a vítima levou vários golpes de faca desferidos pelo ex-marido, Ivar de Matos, que não aceitava o fim do relacionamento. Ele foi preso em flagrante e ainda estava com a arma utilizada no crime.

Crueldade

Outro caso relatado pela delegada Viviane Azambuja foi o de Rosangela de Jesus Gonçalves, de 43 anos, assassinada com requintes de crueldades. A vítima tinha sido vista com vida em uma seresta, na noite do dia 4 deste mês, na área da Cidade Operária, e somente no dia 7 foi encontrada morta.

O corpo estava sepultado em uma cova rasa no quintal de uma residência na Vila Riod, despedido e havia um short cobrindo seu rosto. Ainda segundo a delegada, há possibilidade da vítima ter sido estrangulada e violentada sexualmente. O principal acusado do crime é um homem, de nome não revelado, com quem a vítima teria começado um relacionamento amoroso, havia pouco menos de três meses.

Caso Alanna

O assassinato da filha de um cadete do Corpo de Bombeiros Militar, Alanna Ludmilla Borges Pereira, de 10 anos, também chamou a atenção da população, dos profissionais da área de Segurança Pública e da mídia este mês. A criança desapareceu de sua residência, no Maiobão, no último dia 1º, e estava sozinha, pois, sua mãe, Jaciane Borges Pereira, teria saído à procura de emprego.

O corpo foi encontrado no quintal de sua própria casa, no dia 3, por um vizinho e apresentava sinais de violência. Ela estava sob entulhos, com as mãos amarradas e tinha um saco na cabeça. O principal suspeito é ex- padrasto, Robert Serejo Oliveira, de 31 anos, que está preso desde o último dia 4.

O corpo da vítima foi levado ao Instituto Médico Legal (IML), no Bacanga, onde os peritos da Polícia Técnica realizaram o exame de necropsia e coletaram material genético, vestígios e amostras de sangue para serem analisados. Segundo o superintendente da Polícia Técnica e Científica, Miguel Neto, esses exames vão identificar a causa morte da criança e se houve violência sexual.

A cúpula da Secretaria de Segurança Pública (SSP) determinou a formação de uma comissão de delegados, composta por Lúcio Rogério Reis, Viviane Azambuja, Henrique Mesquita, Paulo Arthur Franco e Cláudio Barros, para investigar o caso.l

SAIBA MAIS

Mulheres mortas durante este ano na Ilha

Janeiro: Rosilda Serra Arouche, 60 anos; e Lucilene dos Santos Lima, 41 anos
Fevereiro: Maria do Socorro dos Santos Leite, 46 anos; Carmelita Yeda Santos Amon, de 33 anos; Maria Madalena Costa, de 44 anos; Rosiane Rodrigues da Silva, idade não revelada; Iran Cerqueira Santos, de 52 anos; Ana Beatriz Santos Rodrigues, de 16 anos; e Rafaela Cutrim Viana dos Santos, de 18 anos
Março: Maria Madalena da Silva, 52 anos
Abril: Luciana de Assunção Silva, de 70 anos
Maio: Maria Julia Gomes, de 41 anos
Junho: Rosineia Braga Martins, de 40 anos; Andrea Teixeira, de 36 anos; Cezarina Ferreira Cardoso, de 61 anos
Julho: Neytiele de Jesus Galvão, de 30 anos; Ana Márcia de Amon, de 23 anos; Ledeane Moura, de 35 anos; Dilma Maria Chagas, de 47 anos; Maria Lucimar Andrade da Silva, de 53 anos
Agosto: Dalziza Maria da Conceição Feitosa, de 53 anos; e Adriele Santiago Cardoso, de 27 anos
Setembro: Carla Dayane Sousa Batista, de 25 anos
Outubro: Nathalia Costa Oliveira, de 22 anos
Novembro: Alanna Ludmilla Borges Pereira, de 10 anos; Rosangela de Jesus Gonçalves, de 43 anos; Domingas Ladiele Sousa Maciel, de 33 anos; e Maria do Nascimento Góes Freitas, de 49 anos.

Fonte: Secretaria de Segurança Pública (SSP)

NÚMEROS

28 mulheres foram assassinadas durante este ano na Ilha
4 mortes de mulheres neste mês na Região Metropolitana de São Luís

Feminicídio: termo de crime de ódio baseado no gênero, amplamente definido como o assassinato de mulheres, mas as definições variam dependendo do contexto cultural.

Leia mais notícias em OEstadoMA.com e siga nossas páginas no Facebook, no Twitter e no Instagram. Envie informações à Redação do Jornal de O Estado por WhatsApp pelo telefone (98) 99209 2564.

© - Todos os direitos reservados.
Tamanho da
Fonte