Economia | Recursos

13º salário injetará R$ 2,8 bilhões na economia maranhense este ano

Segundo divulgou o Dieese, gratificação natalina beneficiará 1.799.519 trabalhadores do mercado formal, além de aposentados e pensionistas
10/11/2017
Recursos do 13° salário vão garantir que consumidores voltem às compras, neste final de ano, no estado

O pagamento do 13º salário injetará R$ 2.893.017.079,00 na economia do Maranhão este ano, valor que representa 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado, de acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A gratificação natalina, como também é conhecido o benefício, irá alcançar 1.799.519 trabalhadores do mercado formal maranhense (incluindo empregados domésticos), além de aposentados e pensionistas.

Conforme previsto em lei, o 13º salário deve ser pago em duas parcelas – a primeira até 30 de novembro e a segunda, até 20 de dezembro. E justamente nesses dois últimos meses do ano é que a quase totalidade do valor a ser pago circula na economia, tendo como destino o pagamento de dívidas, consumo e quando possível, a poupança.

O valor médio do 13o salário a ser pago este ano no Maranhão corresponde a R$ 1.509,71, sendo o menor no país, juntamente com o estado do Piauí (ambos com média próxima). A média mais alta é verificada no Distrito Federal, em torno de R$ 4.234,00. Vale ressaltar que essas médias não incluem o pessoal aposentado pelo Regime Próprio dos estados e dos municípios, pois não foi possível obter esses dados.

Os assalariados do setor público e privado e empregados domésticos com carteira assinada, que compõem o mercado formal de trabalho, correspondem a 39,9% dos beneficiários do 13º salário este ano no Maranhão, para os quais serão pagos o montante de R$ 1.622.201.430,00 (56,1% do total). No caso dos empregados domésticos, são 17 mil beneficiários no estado, para o pagamento de R$ 16.558.000,00.

Já os aposentados e pensionistas, que compreendem o Regime Geral da Previdência Social e Regime Próprio do Estado e Municípios, correspondem a 60,1% dos beneficiários. O valor a ser destinado para esse segmento é de R$ R$ 1.270.815.649,00 (43,9% do total).

Cálculo

O cálculo leva em conta dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), ambos do Ministério do Trabalho. Também foram consideradas informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Previdência Social e da Secretaria Nacional do Tesouro (STN).

No caso da Rais, o Dieese considerou todos os assalariados com carteira assinada, empregados no mercado formal, nos setores público (celetistas ou estatutários) e privado, que trabalhavam em dezembro de 2016, mais o saldo do Caged de 2017 (até agosto). Da Pnad, foi utilizado o contingente estimado de empregados domésticos com registro em carteira. Foram considerados ainda os beneficiários (aposentados e pensionistas) que, em julho de 2017, recebiam proventos do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), do Regime Próprio da União e dos estados e municípios.

Para o cálculo do impacto do pagamento do 13º salário, o Dieese não leva em conta autônomos, assalariados sem carteira ou trabalhadores com outras formas de inserção no mercado de trabalho que, eventualmente, recebem algum tipo de abono de fim de ano, uma vez que dados sobre esses proventos são de difícil mensuração.

Mais

13º salário

Esta gratificação é concedida anualmente, em duas parcelas. A primeira, entre os meses de fevereiro e novembro, no valor correspondente à metade do salário do mês anterior, e a segunda, até o dia 20 de dezembro, no valor da remuneração de dezembro, descontado o adiantamento feito.

Se o(a) empregado(a) quiser receber o adiantamento, por ocasião das férias, deverá requerer no mês de janeiro do ano correspondente (Art. 7º, parágrafo único, da Constituição Federal, Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, e regulamentada pelo Decreto nº 57.155, de 3 de novembro de 1965).

Números

R$ 2,8

Bilhões é o montante a ser pago em 13o salário este ano no Maranhão, segundo dados do Dieese

1.799.519

Trabalhadores do mercado formal, além de aposentados e pensionistas, receberão o benefício no estado

Recursos do 13º salário serão destinados principalmente para o pagamento de dívidas

De acordo pesquisa realizada pela Anefac, 85% de consumidores entrevistados disseram que vão utilizar a gratificação natalina para quitar dívidas já contraídas e apenas 4% têm a intenção de poupar os recursos

Pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac) referente à utilização do 13º salário, realizada com 1.045 consumidores de todas as classes sociais, revelou que 85% dos entrevistados pretendem utilizar os recursos este ano para o pagamento de dívidas já contraídas, aumento de aumento de 4,94% em relação a 2016.

Segundo os dados levantados pela Anefac, grande parte dos consumidores (94%) tem dívidas contraídas no cheque especial e no cartão de crédito e pretendem utilizar os recursos do 13º salário para estar regularizando as mesmas.

Nesse contexto, o cartão de crédito é a linha de crédito com maior peso na composição das dívidas em aberto dos consumidores tendo atingido em 2017, 51% do total (crescimento de 6,25% sobre 2016) contra 43% do cheque especial (elevação de 4,88% sobre 2016).

A pesquisa mostrou que houve igualmente uma redução no percentual de consumidores que pretendem poupar parte do que sobrará de seu 13º salário para as despesas de começo do ano - IPVA, IPTU, material e matriculas escolares - redução de 33,33% sobre 2016.

Para o diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, esse comportamento se deve ao fato de que com o maior endividamento das famílias, a maior parte destes recursos será destinada ao pagamento de dívidas, o que reduz o volume de recursos que sobra para aplicações financeiras.

Diante dessa realidade mostrada pela pesquisa, a orientação da Anefac é que o trabalhador use o 13º preferencialmente no pagamento de dívidas, principalmente aquelas que embutem encargos maiores como o cartão de crédito rotativo e o cheque especial, no qual na média atinge 12,89% ao mês (328,42% ao ano) e 12,33% ao mês (303,60% ao ano) respectivamente

Quitadas as dívidas, o consumidor deve, se possível, reservar recursos para as despesas de começo do ano (IPTU, IPVA e de despesas escolares (livros, uniformes e matriculas) além das compras de natal, para evitar entrar novamente no vermelho no começo do próximo ano.

Produtos

Na pesquisa sobre intenção de gastos do consumidor com compras natalinas, verificou-se que os produtos que mais vão atrair os recursos do 13º salário serão: roupas com 70%, celulares 61%; e bens diversos com 59%.

Diversos segmentos (quase a totalidade de compras) apresentaram redução na intenção de gastos dos consumidores, como eletrônicos, celulares, linha branca, informática e materiais de construção, demonstrando uma maior cautela seja por conta de um ano mais difícil (recessão econômica, desemprego maior, e juros altos) seja por conta da continuidade de piora das expectativas econômicas para o ano de 2018.

Um dado que chama a atenção é a redução de compras de brinquedos, que pode ser atribuída à mudança de hábitos de consumo deste público que vem preferindo cada vez mais produtos eletrônicos e celulares.

A pesquisa demonstra claramente a preocupação dos consumidores em reduzir o volume de seus gastos neste Natal. Assim 95% dos consumidores pretendem gastar no natal até R$ 500,00, contra 94% em 2016.

Números

85%

Dos entrevistados pretendem utilizar os recursos este ano para o pagamento de dívidas já contraídas

1.045

Consumidores de todas as classes sociais foram entrevistados na pesquisa realizada pela Anefac

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