Política | Segurança Pública

Flávio Dino recebeu delegacia de Barra do Corda já com a Ordem de Serviço assinada para construção

Obra que tinha por objetivo garantir a adequação do prédio policial teve o contrato assinado em 2014, mas governador comunista nunca deu continuidade, mantendo o gaiolão ao ar-livre
Marco Aurélio D''Eça - Editor de Política14/10/2017
Flávio Dino recebeu delegacia de Barra do Corda já com a Ordem de Serviço assinada para construçãoGaiolão de Bara do Corda poderia ser evitado com investimentos (Arquivo)

O governador Flávio Dino (PCdoB) não precisava ter mantido o “gaiolão” ao ar livre na Delegacia de Barra do Corda, onde morreu um empresário por maus tratos na semana passada. O comunista recebeu o governo, em 2015, já com uma obra de cnstrução contratada e com ordem de serviço já liberada à Construtora Doumar Construções, Comércio, Serviços e Empreendimentos LTDA, conforme dados do Grenciamento de Riscos e Acompanhamento de Obras do governo maranhense.

O empresário Francisco Edinei Lima Silva, 40, morreu após ser enjaulado na gaiola, no ultimo domingo, 8, por ter cometido infração de trânsito. Exposto a um sol de 40° ele morreu, segundo a família, por hipertensão. Mesmo sem ter dado continuidade à obra de reforma da delegacia – que evitaria a exposição da jaula – Flávio Dino, que completou mil dias de governo, culpou a gestão anterior pela gaiola.

Construção

O contrato para reforma da delegacia de Barra do Corda foi assinado pela Secretaria de Segurança Pública. O valor global foi de R$ 269.986,57. Em 24 de julho de 2014, de acordo com documentos do programa de investimentos do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social, o contrato encontrava em “fase de mobilização”.

O programa de investimentos indicava, inclusive, as providências a ser tomada pelo governo na efetivação da nova delegacia: “aumentar o efetivo de pessoal e a mobilização de equipamentos”.

Ao receber o governo, consta que a obra estava 14% concluída. Os fatos ocorridos após a morte do empresário na gaiola humana mostram que Flávio Dino não moveu uma palha para terminar a delegacia. E o resultado foi a morte do empresário, uma barbárie que repercute no mundo inteiro.

Comunista tinha recursos também para presídio e quartel de polícia

Além dos cerca de R$ 270 mil que recebeu para a construção da Delegacia de Barra do Corda – sem nunca ter concluído a obra - o governador Flávio Dino recebeu também, do governo Roseana Sarney (PMDB), outros R$ 841.048,00 para construção de um presídio modular no mesmo município.

O prédio serviria como presídio modular, nos mesmos moldes dos que estavam sendo construídos, à época, em vários outros municípios.

Os dados do programa de financiamento do BNDES confirmam que, ao entregar o governo, o projeto do presídio de Barra do Corda estava com status “em dia”.

O governador comunista também recebeu o governo com recursos em caixa, da ordem de R$ 1.058.225,76 para “Reforma e Modernização do 5º Batalhão de Polícia Militar de Barra do Corda.

O quartel da PM seria construído pela mesma Doumar Construções, Serviços e Empreendimentos LTDA. De acordo com o documento do acompanhamento da aplicação dos recursos do BNDES, em 30/11/2014, a obra da PM estava 32,02% concluída.

De lá para cá passaram-se mil dias do governo Flávio Dino sem que nenhuma notícia de construção do presídio, do quartel de polícia ou da delegacia em Barra do Corda.

Mais

Duas versões

Desde que eclodiu o escândalo da jaula de Barra do Corda, o governo Flávio Dino já emitiu pelo menos duas versões de nota para se justificar. Na primeira, encaminhada ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, tentou jogar a culpa na gestão anterior, alegando que herdou a gaiola quando o assumiu o governo. Na sexta-feira, circulou em grupos de troca de mensagem e blogs alinhados ao governo, nova versão, desta vez, afirmando ser a gaiola ao ar livre apenas para o banho de sol dos presos provisórios. Não explicou o governo, porém, porque o empresário Francisco permaneceu todo o tempo de detenção nesta jaula. Foi um banho de sol com tempo nunca visto na história das cadeias.

Nossa Opinião

Compromisso com o erro

É cena usual uma criança quebrar algum objeto que guarneça a sua residência e, ao ser questionada pelos pais acerca do acontecimento, acabar colocando a culpa no irmão, no primo, no amigo, na secretária doméstica ou em outro alguém.

Desse modo, é compreensível que uma criança, apenas uma criança que está em formação de caráter, possa vir a imputar a alguém aquele erro que foi por ela cometido.

Significa dizer que quando um adulto - com nível superior, jurista, ex-juiz federal, ex-Juiz Auxiliar da Presidência e ex-Secretário Geral do Conselho Nacional de Justiça (órgão que desenvolve ações relacionadas ao sistema carcerário, à execução penal e às medidas socioeducativas) e atual mandatário do Governo do Estado do Maranhão - imputa a um terceiro responsabilidade que é exclusivamente sua, se está diante de um exemplo clássico de desvio de personalidade e de caráter, já que o Governador Flávio Dino não tem idade cronológica de uma criança.

E, entre tantos exemplos recorrentes do erro, temos o último do governo comunista, ao querer responsabilizar o governo anterior pela morte de um empresário aprisionado numa jaula em Barra do Corda.

Será possível que o governador irá completar o seu mandato inteiro sem reconhecer um erro sequer do seu governo?

Só o tempo, por si só, afinal são três anos que o governo anterior deixou de existir, seria bem mais do que o suficiente para que Flávio Dino se inspirasse em Juscelino Kubitschek, um homem flexível, que admitia sem qualquer obstáculo os próprios erros e diante deles os reconhecia para dizer: “Não tenho compromisso com o erro”.

Seria mais honesto confessar que ao receber o governo da sua antecessora, a gestão comunista tinha no caixa mais de R$ 85 milhões do BNDES apenas para usar em presídios e que apenas com um décimo desse valor teria evitado essa morte e essa vergonha nacional que o Maranhão volta a passar sob a batuta dinista.

Não é de forma irresponsável e leviana, imputando a um terceiro sem culpa no cartório, que conseguirá apagar a vergonha diante desse episódio lastimável envolvendo a jaula de Barra do Corda.

Agir como quem subestima a inteligência dos maranhenses, mais uma vez, é atitude de alguém que se julga acima de tudo e de todos, um desprezo devotado aos cidadãos que o elegeram.

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