Duas palavras

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h36

Definitivamente, o governador Flávio Dino (PCdoB), eleito sob o manto de uma mudança de paradigma em todos os níveis, cada vez mais demonstra estar preocupado apenas com o poder pelo poder. E para isso, faz qualquer negócio: diz e desdiz, nega o que disse, desmente a si mesmo e usa uma palavra para cada interlocutor, beneficiando-se de qualquer audiência.
Dino recebeu o ex-presidente Lula na semana passada, em busca do espólio da esquerda e do apoio do PT como substituto do tempo do PSDB em sua chapa.
Nada mais natural no discurso de um governador que se elegeu por um partido historicamente de esquerda e que flerta com esse campo do espectro político desde que deixou de ser juiz federal, em 2006.
Mas o mesmo Flávio Dino que apontou o caminho da esquerda na presença do ex-presidente Lula, só precisou de uma semana para desmentir a si mesmo, e afirmar totalmente o contrário, para tentar justificar a presença do DEM em sua base. “A chapa não pode ir apenas à esquerda. Aqui é eleição entre os Sarney e os não Sarney”, justificou.
Este é o Flávio Dino em estado puro, o mesmo que, em 2014, acendeu uma vela para Dilma e outra para Aécio Neves; o mesmo que tem o PSDB como vice e faz gracinhas para o PT.
Discurso de quem de tudo faz para manter o poder. Aceita quem quer.

Direitona
Não é apenas o DEM, entre os partidos da chamada direita, que tem tratamento vip de Dino no Maranhão, apesar de espezinhado por ele em Brasília.
No mesmo palanque comunista devem estar em 2018 legendas como PP, PTB, PSC e PR.
Todos devidamente aquinhoados com espaços no governo e garantias de articulação nas eleições do ano que vem.

Que esquerda?
Mesmo com o abrigo a ícones da direita, Flávio Dino quer porque quer uma chapa eminentemente de esquerda em 2018.
Por isso mantém o controle sobre o PT, faz agrados para o PDT, tenta manipular o PSB, já que deve mesmo perder o PSDB.
O objetivo é vender uma imagem de “único sobrevivente da oposição ao poder central” ora instalado em Brasília.

De saída
O vice-governador Carlos Brandão tentou de tudo para manter o PSDB atrelado ao governo Flávio Dino, mas parece ter jogado a toalha.
Ele já articula transferência para o PP, por onde deve disputar uma vaga na Câmara Federal em 2018.
O problema é que o PP não tem vinculação absoluta com o governo maranhense, o que ainda depende de alguns ajustes com o Palácio dos Leões.

Sem efeito
Não deve ter qualquer efeito prático a decisão do PSB maranhense de expulsar o senador Roberto Rocha da legenda.
Rocha foi eleito líder do partido no Senado praticamente no mesmo instante em que seus adversários decidiam seu futuro no diretório maranhense.
Ocorre que esses adversários são todos vinculados ao chamado grupo pernambucano, que está sendo defenestrado do PSB nacional.

Sem futuro
Não é confortável a situação da deputada federal Eliziane Gama (PPS) em relação às eleições de 2018.
Ela decidiu candidatar-se a senadora, apostando na influência da igreja Assembleia de Deus junto ao governo Flávio Dino.
Mas a cúpula da igreja já decidiu que, caso não vingue seu projeto ao Senado, a deputada não poderá mais disputar qualquer outro cargo.

Aparelhamento
O PCdoB tenta infiltrar militantes em sindicatos, nos conselhos tutelares, conselhos comunitários e até em direção de escolas.
O projeto do partido é rivalizar com o PDT, que há mais de 20 anos controla essas instâncias políticas como canal de eleição para os parlamentos e poder Executivo.
Para isso, usa o poder do Governo Estadual para forçar apoios nos mais diferentes segmentos sociais.

Denúncia
A Procuradoria-Geral de Justiça vai ter que dar uma resposta sobre o ato pró-Lula em frente ao Palácio dos Leões.
A deputada Andrea Murad representou oficialmente ontem contra o ato, que teve transmissão ao vivo pela emissora oficial do governo.
A denúncia pode levar a processos por improbidade administrativa.

E MAIS

• Apesar de polarizar a disputa com o que ele ainda vê como “grupo Sarney”, o governador Flávio Dino quer mesmo é enfrentar apenas o senador Roberto Rocha.

• Comandante do PP no Maranhão, o deputado federal André Fufuca diz que não há qualquer projeto em discussão para aliança com o PCdoB.

• O vereador Astro de Ogum quer agilidade da Câmara Municipal para votar as prestações de conta dos prefeitos de São Luís.

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