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São Luís é uma das capitais com o menor percentual de fumantes

Dados divulgados esta semana pelo Ministério da Saúde mostram que na capital maranhense o percentual de fumantes é de 5,4% do público analisado; considerando os fumantes passivos, percentual é de 6,5%
Leandro Santos / O Estado31/08/2017
São Luís é uma das capitais com o menor percentual de fumantes5,4% das pessoas entrevistadas para a pesquisa era fumantes ativos. (Paulo Soares / O Estado)

SÃO LUÍS - São Luís é uma das capitais brasileiras com o menor percentual de fumantes ativos. Foi o que mostrou recente pesquisa, divulgada na terça-feira, dia 29, pelo Ministério da Saúde (MS), quando foi celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo.

A pesquisa foi feita pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal, com base na estimativa populacional do ano passado. Na capital maranhense, 5,4% dos abordados eram fumantes ativos. No total, foram questionadas 1.934 pessoas com faixa etária acima de 18 anos.

Ainda em 2016, a capital com o menor percentual de fumantes foi Salvador, com o percentual de 5,1%, seguido por Aracaju e São Luís, cada uma com 5,4% de fumantes. Curitiba foi a capital com um maior percentual com 14%, seguida por Porto Alegre (13,6%), São Paulo (13,2%), Campo Grande (11,6%) e Rio de Janeiro, com 11,2%.

A pesquisa trouxe dados relacionados aos fumantes passivos, ou seja, aquelas pessoas que inalam a fumaça do cigarro por estarem próximas de quem utiliza o produto. Segundo os dados, o percentual desse público na capital maranhense foi de 6,5%, maior do que o de fumantes ativos.

Nesse quesito, São Luís perdia para as cidades de Aracaju (5,1%), Porto Velho (5,6%), São Paulo (5,8%), Palmas (6,1%), Vitória (6,2%), Campo Grande (6,3%), e Salvador (6,3%). A capital com o maior percentual de fumantes passivos é Porto Alegre, com 10,4%, seguido por Natal e Maceió, cada uma com 9,7%.

Ao fazer uma comparação com o ano de 2015, observa-se que houve um aumento no percentual de fumantes ativos, passando de 4,2% naquele ano para 5,4% em 2016. Em relação aos fumantes passivos, também houve um aumento, passando de 5,9% para 6,5%.

Brasil

Em todo o país, houve uma redução na quantidade de fumantes passivos no ambiente familiar. Em oito anos, o índice registrou queda de 42,5% no número de fumantes passivos no domicílio, caindo de 12,7% no ano de 2009 para 7,3% no ano passado.

A frequência de fumantes passivos no domicílio foi mais alta entre os mais jovens (18 a 24 anos), em ambos os sexos. A pesquisa foi feita por telefone nas 26 capitais e no Distrito Federal e contou com 53.210 entrevistas.

A queda no número de fumantes passivos em domicílio vem junto com a redução de fumantes no país. Nos últimos 10 anos, houve redução de 35% no número de usuários de produtos derivados do tabaco. A prevalência caiu de 15,7% em 2006 para 10,2% em 2016. Quando separado por gênero, a frequência de fumantes hoje é maior no sexo masculino (12,7%) do que no feminino (8%). Se analisada por faixa etária, a pesquisa mostra que a frequência de fumantes é menor entre os adultos jovens antes dos 25 anos (7,4%), ou após os 65 anos (7,7%) e maior na faixa etária dos 55 a 64 anos (13,5%).

Riscos

[O tabagismo passivo é causa de doenças e morte. Em 2015, o Ministério da Saúde registrou 17.972 óbitos, sendo uma das principais causas de mortes atribuíveis ao tabaco. Ser fumante passivo significa inalar fumaça de cigarros (ou outros produtos derivados do tabaco) por pessoas que não fumam. Essa fumaça se difunde no ambiente e faz com que as pessoas ao redor inalem a mesma quantidade de poluentes que os fumantes. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2013 o tabagismo passivo foi a 3ª maior causa de morte evitável no mundo, perdendo apenas para o tabagismo ativo e para o consumo excessivo de álcool.

Estudos comprovam que os efeitos imediatos da poluição ambiental pela fumaça do tabaco não são apenas de curto prazo, como irritação nasal e nos olhos, dor de cabeça, irritação na garganta, vertigem, náusea, tosse e problemas respiratórios. Essa exposição também está relacionada ao aumento do risco de câncer de pulmão, de infarto, e de várias outras doenças graves e fatais relacionadas ao tabagismo.

SAIBA MAIS

O QUE É

O tabagismo integra o grupo dos transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de substância psicoativa na Revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde e é a maior causa isolada evitável de adoecimento e mortes precoces em todo o mundo.

É reconhecido como uma doença epidêmica que causa dependência física, psicológica e comportamental semelhante ao que ocorre com o uso de outras drogas como álcool, cocaína e heroína. A dependência ocorre pela presença da nicotina nos produtos à base de tabaco. A dependência obriga os fumantes a inalarem mais de 4.720 substâncias tóxicas, como: monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído, acroleína, além de 43 substâncias cancerígenas, sendo as principais: arsênio, níquel, benzopireno, cádmio, chumbo, resíduos de agrotóxicos e substâncias radioativas.

Algumas dessas substâncias tóxicas também são conhecidas como potenciais irritantes, pois produzem irritação nos olhos, no nariz e na garganta, além de paralisia nos cílios dos brônquios. Desse modo, o tabagismo é causa de aproximadamente 50 doenças, muitas delas incapacitantes e fatais, como câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias crônicas.

Segundo a Organização Mundial de Saúde o tabagismo é a principal causa de morte evitável em todo o mundo, sendo responsável por 63% dos óbitos relacionados às doenças crônicas não transmissíveis. Dessas, o tabagismo é responsável por 85% das mortes por doença pulmonar crônica (bronquite e enfisema), 30% por diversos tipos de câncer (pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga, colo de útero, estômago e fígado), 25% por doença coronariana (angina e infarto) e 25% por doenças cerebrovasculares (acidente vascular cerebral).

Tabagismo passivo é a inalação da fumaça de derivados do tabaco, tais como cigarro, charuto, cigarrilhas, cachimbo, narguilé e outros produtores de fumaça, por indivíduos não fumantes, que convivem com fumantes em ambientes fechados respirando as mesmas substâncias tóxicas que o fumante inala.

A fumaça que sai da ponta do cigarro e se difunde homogeneamente no ambiente, contém em média três vezes mais nicotina, três vezes mais monóxido de carbono e até 50 vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que o fumante inala. A exposição involuntária à fumaça do tabaco pode acarretar desde reações alérgicas (rinite, tosse, conjuntivite, exacerbação de asma) em curto período, até infarto agudo do miocárdio, câncer do pulmão e doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema pulmonar e bronquite crônica) em adultos expostos por longos períodos. Em crianças, aumenta o número de infecções respiratórias.

Em 2011, houve um grande avanço que contribuirá para que não haja mais a poluição tabagística ambiental nos recintos fechados, com a aprovação da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro, que proíbe o fumo em local fechado em todo país.

Assim, o fumante deve ter conhecimento de que a fumaça do seu cigarro ou de outro derivado do tabaco pode causar doenças nas pessoas com quem convive em casa, no trabalho e em demais espaços coletivos e que não existe nível seguro de exposição à fumaça.

Além de estar associado às doenças crônicas não transmissíveis, o tabagismo também é um fator importante de risco para o desenvolvimento de outras doenças, tais como - tuberculose, infecções respiratórias, úlcera gastrintestinal, impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose, catarata, entre outras doenças.

O consumo de tabaco e seus derivados mata milhões de indivíduos a cada ano. Se a tendência atual continuar, em 2030 o tabaco matará cerca de 8 milhões por ano sendo que 80% dessas mortes ocorrerão nos países da baixa e média renda.

Desde o final da década de 1980, sob a ótica da promoção da saúde, a gestão e a governança do controle do tabagismo no Brasil vêm sendo articuladas pelo Ministério da Saúde através do (Instituto Nacional do Câncer (Inca), o que inclui as ações que compõem o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT).

O programa tem como objetivo reduzir a prevalência de fumantes e a consequente morbimortalidade relacionada ao consumo de derivados do tabaco, seguindo um modelo no qual ações educativas, de comunicação, de atenção à saúde, associadas às medidas legislativas e econômicas, se potencializam para prevenir a iniciação do tabagismo, promover a cessação de fumar e proteger a população da exposição à fumaça ambiental do tabaco.

Informes sobre o tabagismo

- Estima-se que 1 em cada quatro homens fumam diariamente. Entre as mulheres, a proporção é de 1 em cada 20. O tabagismo é o segundo maior fator de risco causador de mortes prematuras e incapacidades.

- 428 pessoas morrem por dia no Brasil por causa do tabagismo.

- 12,6% de todas as mortes que ocorrem no país são atribuíveis ao tabagismo. Em 2015, esse problema o foi responsável por 156.216 mortes. Além disso, o tabagismo responde por 78% dos casos de câncer no pulmão e, dos 22% restantes, 1/3 ocorre em fumantes passivos.

Prejuízos

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil tem prejuízo anual de R$ 56,9 bilhões com o tabagismo. Desse total, R$ 39,4 bilhões são gastos com despesas médicas e
R$ 17,5 bilhões com custos indiretos ligados à perda de produtividade, causada por incapacitação de trabalhadores ou morte prematura. A arrecadação de impostos com a venda de cigarros no país é de R$ 12,9 bilhões, o que gera saldo negativo de R$ 44 bilhões por ano.
A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é a enfermidade relacionada ao tabagismo que mais gerou gastos aos sistemas público e privado de saúde em 2015, com R$ 16 bilhões. Doenças cardíacas vêm em segundo lugar, com custo de R$ 10,3 bilhões. Também entraram no levantamento o tabagismo passivo; cânceres diversos, entre os quais o de pulmão; Acidente Vascular Cerebral (AVC) e pneumonia.

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