Polícia | Caso Gamela

Índios ficam gravemente feridos em conflito em Viana

Uma das vítimas teve greves ferimentos nos antebraços durante o confronto; Comissão Pastoral da Terra Regional Maranhão diz que o Governo do Estado já tinha sido avisado que a situação era tensa na área
02/05/2017
Um dos feridos durante o confronto

SÃO LUÍS- Cinco índios da aldeia Gamela feridos deram entrada no Hospital Municipal Socorrão II, na Cidade Operária, durante a madrugada de ontem, segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Foram 13 indígenas feridos a golpes de facão e pauladas após o conflito, que segundo testemunhas, um grupo de pessoas teria atacado a aldeia. Há uma outra versão de que os indígenas teriam invadido uma propriedade rural na última semana, o que desencadeou o conflito. O Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou em nota que está averiguando o conflito agrário no povoado de Bahias, no Maranhão. Por determinação do ministro Osmar Serraglio, a Polícia Federal já enviou uma equipe para o local para evitar mais conflitos e ofereceu apoio à Secretaria de Segurança Pública que, por sua vez, já instaurou inquérito para investigar o caso.

Uma das vítimas, Aldeli Ribeiro Gamela, foi atingido por um tiro na costela e um na coluna, como ainda teve ferimentos graves nos antebraços e joelhos cortados. O irmão dele, José Ribeiro Gamela, levou um tiro no peito. O indígena e agente da Comissão Pastoral da Terra do Maranhão, Inaldo Gamela foi atingido com tiros na cabeça, no rosto e no ombro. Segundo a polícia, eles tiveram a sua aldeia, localizada no povoado das Bahias, zona rural de Viana, foi massacrada por um grupo de pessoas na tarde de domingo devido a disputas territoriais. Os índios feridos foram levados para hospitais da região e na capital.

O padre Clemir da Silva, que faz parte do Cimi, esteve ontem no Socorrão II e informou sobre os índios, que deram entrada nessa unidade de saúde, três já tiveram alta no começo da tarde de ontem, 1º. Os outros dois indígenas, que continuam internados, passaram por intervenções cirúrgicas e ainda estão em estado grave.

As outras vítimas receberam socorro nos hospitais da região e estão fora de perigo. Ainda segundo o padre, os criminosos estavam reunidos para atacar os indígenas desde o começo da tarde de domingo, nas proximidades do Povoado da Bahias, numa área chamada de Santero, em Viana.

Os criminosos estavam armados com pedaços de pau, facão e arma de fogo atacaram a aldeia. Houve vários disparos de arma de fogo e muitos índios ficaram feridos. Como não havia ambulâncias suficientes para socorrer todas as vítimas, pois, alguns feridos foram levados para o hospital em carros particulares.

A polícia foi acionada e esteve no local. A Secretaria de Estado da Segurança Pública informou por meio de nota enviada ontem à imprensa que já instaurou inquérito para investigar o caso como também enviou reforço policial para a região e que o conflito já foi contido.

Conflito aconteceu na tarde de domingo

Conflito

Esse não foi o primeiro ataque sofrido pelo povo Gamela, que luta para que a Fundação Nacional do Índio (Funai) instale um Grupo de Trabalho para a identificação e demarcação do território tradicional. No ano de 2015 ocorreu um ataque a tiros contra os índios da região de Viana. Em agosto de 2016, três homens armados e trajando coletes balísticos tentaram expulsar os Gamelas das suas terras.

Na última sexta-feira, 28, os Gamelas retornaram para uma área nas proximidades da aldeia Cajueiro Piraí, localizada também em Viana, e ainda nesse dia, trancaram a rodovia MA-014 como forma de apoiar à Greve Geral.

Nota

A Comissão Pastoral da Terra Regional Maranhão (CPT-MA) ainda ontem enviou uma nota como forma de denunciar o ato de violência contra a vida dos índios Gamelas, no Povoado de Bahias, em Viana. Segundo a nota, essa violenta ação aconteceu quando os indígenas decidiram sair de uma área tradicional retomada, prevendo a violência iminente. Dezenas de pistoleiros armados com facões, armas de fogo, e pedaços de madeira atacaram os Gamelas no momento em que deixavam o território. Para se protegerem, muitas pessoas correram e se esconderam na mata.

A nota também afirma que o Governo do Maranhão já havia sido avisado da situação conflituosa na região e do risco de acontecer um massacre, mas, ao que consta até o momento, nem a polícia havia sido deslocada até a área para tomar as medidas cabíveis. Também há preocupação do alto índice de violência contra os povos e comunidade tradicionais do Maranhão. Atualmente, há cerca de 360 conflitos no campo no estado, destes, somente em 2016 foram registradas 196 ocorrências de violência contra os povos do campo. 13 pessoas foram assassinadas e 72 estão ameaçadas de morte

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