Cidades | Rachaduras

Moradores do João Paulo vivem pesadelo

Problemas de rachaduras em várias residências teriam sido ocasionados por estrutura erguida dentro de área pertencente a uma operadora de telefonia, localizada no mesmo quarteirão
23/04/2017 às 00h00
Rachadura compromete estrutura de casa

SÃO LUÍS - Moradores de pelo menos nove casas ladeadas em um quarteirão na Rua Santa Helena, no bairro João Paulo, estão vivendo um pesadelo. Nos últimos meses, com a intensificação das chuvas, as estruturas começaram a apresentar rachaduras nas paredes, em diversos pontos, e também no piso. O problema, que levou a Defesa Civil a interditar as casas, seria de uma barreira de contenção construída em área atualmente pertencente a uma operadora de telefonia, bem ao lado, e cuja entrada principal fica na Avenida São Marçal.

A estrutura teria sido construída depois que o terreno (onde havia uma área verde) fora adquirido pela extinta Telma e precisou ser nivelado para que chegasse mais próximo à avenida, segundo contaram os moradores. Com o desnivelamento, foi construída uma barreira para dar sustentação às casas. No entanto, com o acúmulo de água e a obstrução do canal de escoamento sobre a barreira, que sofre com a falta de manutenção, a estrutura ficou comprometida e isto está repercutindo nos imóveis.

Parede de lavanderia está com grande rachadura

Residente na casa de número 296, a telefonista Edinólia Moraes não consegue mais dormir. As paredes da área da lavanderia da residência dela, por exemplo, estão bastante comprometidas, bem como o quarto superior de sua mãe, de 87 anos, deficiente visual e com mobilidade reduzida. Bem próximo ao tanque, dá para ver que, aos poucos, a parede vai cedendo. Ela contou que o problema é a plataforma construída rente ao muro do quintal da residência, do lado do terreno da operadora. Recentemente, funcionários da empresa de telefonia cobriram a barreira com lona e esta encheu d’água, o que compromete ainda mais a estrutura, por causa do peso da água, bem como o vento.

Pânico

Rachaduras deixam moradores com medo

“Até então nós não tínhamos nos dado conta de que, mais cedo ou mais tarde, essa estrutura iria puxar este terreno onde estão as nossas casas. Acredito que seja pelo tipo de material usado na construção da barreira, com blocos de cimento, e pelo acúmulo de água, já que não há escoamento. O resultado é que estamos em pânico, pois temos escutado estalos nas paredes, que estão todas rachando. Além disso, os pisos estão quebrando e nada podemos fazer. Já entramos na Justiça para que a operadora faça alguma coisa, antes que seja tarde demais, mas a mesma informou que está em processo de falência”, disse Edinólia Moraes, acrescentando que há cabos ligando o prédio da operadora a uma enorme torre, e que isto a preocupa, pois caso haja um desmoronamento, os cabos ainda forçarão a torre abaixo, o que seria uma tragédia.

Problema semelhante foi relatado por Alan Ferreira, morador da casa de número 284. Ele mostrou que as paredes da cozinha estão quase caindo. O piso, em alguns trechos, está cedendo. “O problema é sério e o pior é que, mesmo nossas casas estando interditadas, não podemos sair daqui, pois não temos para onde ir. Precisamos que a operadora dê um jeito. Se eles fizerem algo para conter o avanço desse problema, considerado seriíssimo pela Defesa Civil, aí nós iremos começar a ajeitar as coisas dentro de casa. Enquanto isso, estamos de braços cruzados”, disse.

Ismael de Jesus Moraes Abreu, da casa de número 278, está muito preocupado e está passando por problemas de saúde. “O meu quintal está rachando cada vez mais. Quase não posso entrar na cozinha com medo que desabe. A situação aqui é crítica”, relatou.

Defesa civil interditou casas, mas moradores não têm para onde ir

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