Cidades | Medo

Moradores se trancam no interior de residências, temendo assaltos

Mesmo durante o dia, hábito comum em décadas anteriores de se sentar na porta de casa é evitado; pessoas relatam assaltos nos bairros onde moram; comércios têm horários alternativos e geralmente utilizam grades
Thiago Bastos 07/02/2017
Dinair Campos optou por fechar seu comércio mais cedo, no Desterro, para evitar assaltos

SÃO LUÍS - O que antes era uma cena comum do cotidiano ludovicense virou uma lembrança do passado. Por medo de assaltos, a cada dia moradores perdem o costume de se sentar na porta de casa, como era corriqueiro em décadas anteriores, e se trancam no interior de suas residências. Pessoas relataram a O Estado algumas ocorrências de assaltos sofridos por elas enquanto estavam na entrada de seus imóveis.

O hábito de se proteger dentro de casa ocorre principalmente nos bairros mais antigos e naqueles com a presença de moradores com maior poder aquisitivo. No Desterro, por exemplo, na Rua da Palma, pelo menos 10 casas são vigiadas à noite. Os avisos estão fixados na entrada delas. Durante o dia, portas e janelas são trancadas, para coibir a ação dos criminosos.

Os comerciantes do bairro tomaram duas medidas para se precaver quanto à violência: colocaram grades no acesso ao estabelecimento e padronizaram horários alternativos de funcionamento. “Eu, por exemplo, fecho meu comércio diariamente às 18h. Não dá mais para ficar até a noite. É pedir para ser assaltada”, disse a comerciante Dinair Campos, que tem um pequeno comércio no Desterro, há 36 anos.

Ela afirmou ainda que jamais viu tanta violência na cidade. “Antigamente, não tinha essas coisas. Mesmo com a passagem das viaturas da polícia por aqui, a gente ainda vive com medo e precisa se proteger de alguma forma”, explicou Dinair.

Também morador do Desterro, Cláudio Duarte – que ficou com medo de ser assaltado pela mera aproximação da equipe de reportagem de O Estado – informou que sua residência possui trancas e é vigiada. “Mesmo com o vigia, a gente não se sente totalmente seguro”, afirmou.

Outros bairros
No Vinhais, além de vigiadas, algumas casas estão à venda. De acordo com a proprietária de um dos imóveis ofertados, que não quis ser identificada, uma das razões para a colocação da casa à venda é a insegurança no local. “Eu graças a Deus nunca ter sido alvo de assalto na minha residência, mas eu prefiro ir, neste momento, para um apartamento. Pois apesar de ser menor do que minha casa, onde moro por mais de 20 anos, é mais seguro”, assegurou a proprietária.

Eu, por exemplo, fecho meu comércio diariamente às 18h. Não dá mais para ficar até a noite. É pedir para ser assaltada”Dinair Campos, comerciante, que tem um pequeno comércio no Desterro há 36 anos

O aposentado Antônio Cardoso, de 71 anos e morador do Vinhais há mais de 30, relatou que, no fim do ano passado, foi assaltado enquanto estava conversando com um amigo na porta de sua residência. O que chama a atenção é que o horário da ocorrência, 17h.

“Eu vi o carro dobrando a rua e naquela hora já me deu uma sensação ruim. Quando os homens pararam na porta de minha casa, foram logo pedindo dinheiro. Eu não tinha, estava apenas com um relógio em meu braço, que foi levado pelos assaltantes. Mas o meu amigo teve a carteira e o celular levados. É complicado a gente ser assaltado na porta de casa”, disse.

Casa à venda no Vinhais; moradores evitam ficar na porta de casa por causa da insegurança

Em alerta
A polícia monitora a ação dos assaltantes. De acordo com o delegado Tiago Dantas, do departamento da Polícia Civil responsável por apurar roubos a residências, houve uma redução do número de casos no estado.
Mesmo assim, é preciso alertar a população para que tome cuidados e reduza os riscos deste tipo de ação delituosa. “Por exemplo, um hábito que as pessoas têm, de lavar o carro na porta de casa. Se a pessoa puder lavar no interior de casa, é mais recomendável”, disse.

Ele frisou ainda que o bairro do Araçagi é, atualmente, o de maior preocupação da polícia. “Nas últimas semanas, a polícia registrou vários casos de roubos a residências nesta localidade. É necessário intensificar as ações neste e em outros bairros”, afirmou o delegado.

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