Diplomacia

Rússia quer conversar com Trump sobre armas nucleares e Síria

Em entrevista, o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, disse ontem que juntos os dois países podem solucionar problemas mundiais; Moscou apoia o presidente Bashar al-Assad no conflito sírio, enquanto Washington apoia rebeldes da oposição

Atualizada em 11/10/2022 às 12h41
Ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, durante coletiva de imprensa ontem
Ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, durante coletiva de imprensa ontem ( Ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, durante coletiva de imprensa ontem)

Moscou - O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse ontem que Moscou está pronta para dialogar com a nova administração do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre armas nucleares e Síria, dizendo que juntos os dois países podem solucionar muitos dos problemas mundiais.

Falando poucos dias antes da posse de Trump, Lavrov usou uma entrevista coletiva anual para sinalizar possíveis áreas de cooperação e minimizar o que descreveu como tentativas maliciosas de ligar negativamente Trump à Rússia.

Trump, que tem elogiado o presidente Vladimir Putin, sinalizou que deseja melhorar os laços com a Rússia, apesar de agências de inteligência dos EUA alegarem que o chefe do Kremlin ordenou uma campanha de ataques cibernéticos para ajudar o republicano a derrotar a rival democrata, Hillary Clinton, na corrida à Casa Branca.

Embora tenha alertado que a nova administração norte-americana precisa se organizar antes que maiores negociações possam ser realizadas, Lavrov destacou que está encorajado com o tom das afirmações da equipe de Trump até o momento, as quais disse que sugerem uma possibilidade de relação pragmática.

“Trump tem pontos de vista que diferem muito de seu antecessor”, disse Lavrov, que acusou a administração Obama de destruir a cooperação em diversas áreas e tentar recrutar diplomatas russos como agentes. “Ao concentrar em uma busca pragmática por interesses mútuos podemos resolver muitos problemas.”

Síria

Lavrov também disse que a Síria é uma das áreas mais promissoras para cooperação, acrescentando que o Kremlin acolheu bem a afirmação de Trump de que gostaria de tornar a luta global contra o terrorismo uma prioridade.

“O que escutamos de Donald Trump (sobre a Síria) e de sua equipe mostra o quanto eles têm uma abordagem diferente (de Obama) e não irão recorrer a dois pesos, duas medidas”, disse Lavrov.

Sobre a Síria, Lavrov disse que representantes da nova administração norte-americana foram convidados a participar de conversas de paz marcadas para 23 de janeiro no Cazaquistão.

Ele disse esperar participação de autoridades dos EUA, à medida que seria a primeira oportunidade para Moscou e Washington iniciarem conversas sobre cooperação mais próxima na Síria.

Moscou apoia o presidente Bashar al-Assad no conflito sírio, enquanto Washington apoia rebeldes da oposição, mas ambos tem militantes do Estado Islâmico como inimigo comum.

Dossiê

A Rússia nega ter tentado influenciar a eleição norte-americana usando ataques hackers ou de outras maneiras. O país também rejeitou como uma "fabricação" um dossiê escrito por um ex-agente do Serviço Secreto de Inteligência Britânico, MI6, que sugeria que Moscou teria informações comprometedoras sobre Trump.

Lavrov classificou o autor do dossiê, Christopher Steele, como “um charlatão fugitivo do MI6” e disse que o dossiê parece ser parte de uma campanha para causar problemas a Trump e seus aliados. Putin classificou nesta terça-feira o mesmo dossiê como uma fraude.

Mais

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse ontem que a notícia "sem fundamentos" de que a Rússia teria reunido materiais comprometedores sobre o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, é "uma fraude". Ele disse ainda que as pessoas que divulgaram o dossiê "são piores do que prostitutas" e "não têm limites morais".

No último dia 10, a imprensa americana divulgou um documentosupostamente secreto que afirma que a inteligência russa vem "apoiando e ajudando" o republicano Donald Trump por anos, além de ter reunido informações comprometedoras sobre o presidente eleito. Entre as informações, estariam encontros com prostitutas em um hotel de Moscou.

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