Cidades | Descaso

Após 5 meses, Feira do Vicente Fialho ainda não foi reformada

Município ainda não reconstruiu a estrutura que foi levada pelas chuvas no dia 29 de agosto do ano passado; obra de recuperação foi determinada pela Justiça
17/01/2017
Feirantes do Vicente Fialho estão trabalhando embaixo de tendas improvisadas e reclamam de problemas

SÃO LUÍS - Quase cinco meses depois do desabamento do telhado da Feira do Vicente Fialho, os feirantes e consumidores têm apenas tendas improvisadas para se abrigarem da chuva e do sol, já que até hoje a Prefeitura de São Luís ainda não reconstruiu a estrutura que foi levada pelas chuvas no dia 29 de agosto de 2016. Segundo os feirantes, vários boxes foram abandonados após o desabamento por causa das condições precárias de trabalho.

O desabamento aconteceu por volta das 14h do dia 29. No momento da queda de parte do telhado, não havia feirantes trabalhando nas proximidades e por isso ninguém ficou ferido. A área foi interditada e cerca de 30 boxes ficaram inutilizáveis. Apenas as bancas mais próximas à entrada da feira estavam em condições de uso. Funcionários da Prefeitura de São Luís chegaram a ir à feira e analisar a situação, mas não fizeram muita coisa.

“A única coisa feita foi a instalação destas tendas sobre os boxes”, conta Amarildo Silva, um dos feirantes do local. Ainda segundo ele, as primeiras chuvas que caíram em janeiro já demonstraram que as tendas não são eficazes para proteger feirantes e mercadorias. “Neste dias de chuva, a gente tava trabalhando no alagado. A gente usava um rodo para tirar o excesso d’água, mas mesmo assim o chão ficava encharcado”, afirma.

Além disso, não é apenas em dias de chuva que as tendas improvisadas são um incômodo. Nos dias de sol, é o calor que dificulta a vida dos feirantes. “Fica muito abafado para a gente. Fica mais quente que fora das tendas”, comenta o feirante Valdiney Silva Santos.

Não é apenas a Prefeitura de São Luís o alvo das críticas dos feirantes. A administração do mercado, que é da Associação dos Feirantes da Feira da Fialho, também provoca reclamações. “A gente paga taxa todos os dias, mas não vê melhoria na feira, nem a direção cobrando do poder público o que é da responsabilidade dele. Por isso estamos há 150 dias sem telhado e sem saber quando ele será reconstruído”, afirma Amarildo Silva.

Feira do Vicente Fialho foi uma das incluídas em determinação da Justiça, mas reforma nunca foi realizada


Feira da Fialho
A Feira da Fialho foi inaugurada em março de 1980, ainda na gestão do ex-governador João Castelo, falecido em 2016. Nestes quase 40 anos, segundo os feirantes mais antigos, poucas intervenções foram feitas na estrutura do mercado. As mais expressivas foram a construção de rampa para acesso de cadeirantes e reforma nos banheiros.

Quando do desabamento de parte do telhado, as condições da estrutura que foi ao chão denunciavam a carência de obras de manutenção. As vigas que desabaram estavam totalmente comprometidas pela ferrugem e as bases de concreto que as segurava no chão completamente rachadas.

Se a feira passasse por manutenção constante, as coisas não teriam chegado a este ponto. Agora, não sabemos quanto tempo mais iremos esperar para que a reforma comece e termine”Amarildo Silva, feirante

Reforma determinada pela Justiça

A reforma das feiras e mercados de São Luís, incluído o do Vicente Fialho, já havia sido determinada pela Justiça. No dia 11 de agosto de 2015, a juíza da 1ª Vara da Fazenda Pública, Luzia Madeiro Neponucena, deu seu parecer à Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público Estadual (MP), obrigando a Prefeitura a reformar e adequar as feiras e os mercados da capital.

Na ocasião, a magistrada deu um prazo de 72 horas para que o Município informasse o cumprimento e início das determinações judiciais, além de 60 dias para enviar o programa de reforma para o devido acompanhamento e fiscalização. Estipulou, ainda, multa diária de R$ 15 mil, em caso de descumprimento.

Ao todo, 27 feiras e mercados de São Luís entraram na lista da juíza que também determinou o prazo de 120 dias para o início da reformas e adequações. O objetivo era acabar com as irregularidades descritas nos laudos da Vigilância Sanitária Estadual e do Conselho Regional de Engenharia (Crea), citados no processo movido pelo MP.

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