Alternativo | Cinema

Produção em destaque

Filme em curta-metragem de Frederico Machado feito em parceria com alunos da Escola Lume de Cinema, “Angústia” é uma das produções de destaque em festivais este ano, tanto no Brasil quanto no exterior
19/10/2016
Produção em destaqueFilme de Frederico Machado tem como tema a dor e indiferença humana (Divulgação)

Filme em curta-metragem com duração de 20 minutos, “Angústia”, de Frederico Machado, feito em parceria com alunos da Escola Lume de Cinema, é atualmente uma das produções mais selecionadas para festivais este ano. Esta semana, foi convocado para mais dois: para o Festival de Cinema de Penedo, em Alagoas, e para o Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. No total, já são quase 20 festivais internacionais e nacionais em apenas 5 meses.

Desde que entrou para o circuito de festivais, o filme de Frederico Machado vem se destacando entre os demais. O primeiro do qual participou, levando o prêmio de “Melhor Filme”, foi o Festival Internacional da Armênia – Yerevan, sobressaindo-se em meio a 800 produções concorrentes. Depois, foi premiado na Itália, no Festival Internacional de Cinema CortoSplash. E ainda se destacou no Festival Internacional de Cinema Ambiental de Goiás e no Festival de Cinema Gato Preto, entre diversos outros.

O curta-metragem foi filmado com a equipe da Escola Lume de Cinema, como fechamento do Módulo de Som Direto, coordenado por Ricardo Mansur. A produção, que tem distribuição pela Lume Filmes, traz elementos de realismo fantástico e fala da fragilidade humana representada na trajetória de um homem que parte em viagens em busca de seu próprio “eu”, rendendo ótimas críticas, inclusive internacionais. Segundo Frederico Machado, o filme é uma experiência única em sua carreira.

“Tenho muita sorte de trabalhar com pessoas amigas. O filme foi feito com os alunos da Escola Lume de Cinema e nunca vi um grupo tão guerreiro e atento a tudo. Dedico o filme a eles: aos alunos que estiveram comigo neste último ano na Escola e que confiaram em mim e no meu trabalho. Um ano de muitas perdas, mas também de recomeço. Consegui renovar minhas forças no cinema, minha paixão pela vida por meio do cinema. O filme, apesar de ser sobre a dor, é também um filme que será lembrado como uma produção coletiva, trabalhado com companheirismo e felicidade”, disse Machado.

Enredo

Para o crítico carioca Marco Fialho, o que está posto é a indiferença social à dor de um pai diante da perda precoce. Plano a plano, lentamente, vai se construindo e fortalecendo uma dramaticidade latente. “Os recursos de imagem e som são fundamentais na construção psicológica do personagem. A dor do personagem não representa somente a sua dor, individual e indivisível. É também a dor de todos que se silenciam nas suas tragédias cotidianas. Não se trata de resolver essa dor ou de amenizá-la, mas apenas de tirar de si um peso insuportável, de dividir com o mundo sua dor. No filme, nos parece haver uma preocupação de se ir para além da proposta tchekhoviana, pois a apatia do personagem está para além da morte do filho, ela é intrínseca, sedimentada culturalmente no aceitar silenciosamente desde sempre a opressão. Sutilmente, Frederico Machado enfatiza a questão da submissão social no drama de seu personagem. Angústia é uma parábola sobre a indiferença do mundo”.

A obra foi destacada pela revista italiana de cinema Cine Paxy: “Angústia é uma parábola extraordinária sobre a dor. Filmado com um estilo desestabilizador, que dá a todo o filme uma atmosfera de horror, graças também a uma direção maravilhosa e limpa. O curta-metragem de Frederico Machado é uma mistura poderosa de som e imagens, acompanhada por um bom desempenho do elenco, que confere um tom delirante ao filme”.

Crítica

Para o crítico italiano Salvatore Verde, Angústica é um “pequeno grande filme, corajoso, poderoso, compacto, que lembra o bom cinema do passado e as lições do melhor cinema brasileiro, mas também o neorealismo cinematográfico italiano. Mas vai além, com competências linguísticas e valor técnico formal absoluto”.

O ano de 2016 está sendo de muito trabalho para Frederico Machado. Recentemente, o cineasta anunciou o Festival Internacional Lume de Cinema, para março de 2017, que acontecerá em 4 cidades brasileiras: Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, com caráter competitivo e autoral e longas e curtas-metragens do mundo todo. Além disso, Machado está finalizando, para lançamento em 2017, o longa-metragem “O tempo envelhece depressa”, com Antônio Saboia (“O Lobo atrás da Porta”), Buda Lira (“Aquarius”) e Vera Leite.

Machado informou que o Lume Channel será expandido para a América Latina. E mais: “Além da Escola Lume, que gerenciamos, temos o Cine Lume, que prossegue a todo o vapor. Em 2017, abriremos a Casa de Cultura Nauro Machado e em dezembro deste ano, um portal na internet, o Lume, dentro do qual falaremos sobre nossas ações. Além disso, estamos finalizando dois projetos grandes para a televisão: a série ‘Ocupantes’, com direção de Lucian Rosa (Luises) e Manoel Bernadino, e um telefilme de Rose Panet, a ser lançado em 2017”, anunciou.

Ainda para o ano que vem, Frederico Machado tem quatro novos longas-metragens: “América do Sul” (filme coletivo), a ser filmado em oito países da América; “As Órbitas da Água”, terceira parte da “Trilogia Dantesca” (composta também por “O Exercício do Caos” e “O Signo das Tetas”); “Nau de Urano” (co-direção de Maria Helena), sobre Nauro Machado, com Matheus Natchergaele e Marcelia Cartaxo, e ainda “O Baldio Som de Deus”, filme de realismo fantástico passado na ilha de Lençóis. “E ainda faremos a série Pung (com co-direção de Maria Helena), com Márcia de Aquino, Rosa Ewerton, Auro Juriciê e Julia Martins, para o Cine Brasil TV”, concluiu.

Leia mais notícias em OEstadoMA.com e siga nossas páginas no Facebook, no Twitter e no Instagram. Envie informações à Redação do Jornal de O Estado por WhatsApp pelo telefone (98) 99209 2564.

© - Todos os direitos reservados.
Tamanho da
Fonte