Cidades | Denúncia

Sem água no IML, liberação de corpos fica comprometida

Famílias demoram mais de 24 horas para receber os corpos de seus entes e reclamam, ainda, da falta de cuidados e refrigeração dos corpos no instituto
25/08/2016

Famílias denunciam a demora na liberação de corpos de parentes pelo Instituto Médico Legal (IML) de São Luís. Ontem, duas famílias afirmaram que esperaram 24 horas para poder levar os corpos para casa, e uma delas declarou que não poderia mais velar o parente, por causa do estado em que recebeu o corpo. Outras reclamações são so­bre a emissão de laudos com informações erradas e precariedade no atendimento à população.

O corpo do irmão de Raquel Oliveira Sousa chegou ao IML na ma­nhã de terça-feira, dia 23, mas só foi liberado por volta das 11h de ontem. Segundo ela, a família ficou das 11h da terça-feira até o início da madrugada de quarta-feira sem nenhuma informação. “Não nos de­ram nenhuma satisfação do motivo da demora. Ninguém veio aqui falar conosco, apesar das nossas reclamações”, disse a dona de casa.

A família de Raquel Oliveira Sousa é do Maracanã. Ontem, no início da manhã, eles retornaram ao IML sem previsão de quando teriam o corpo liberado para o velório e sepultamento. Apenas no meio da manhã um funcionário explicou à família o porquê da demora. “Eles disseram que não tem água no IML. Por isso, os corpos estão demorando a serem liberados. É um absurdo essa situação. Como é que falta água no IML e não resolvem o problema deixando as famílias esperando?”, reclamou.

Nenhum funcionário informou quantos corpos estavam aguardan­do liberação no IML, mas a família de Raquel Oliveira Sousa não era a única que estava tentando velar um ente querido. Gardelise Pinheiro Ribeiro também estava há quase 24 horas tentando levar o corpo do irmão para casa. Ela conseguiu no fim da manhã, mas não poderia fazer velório. “O estado em que entregaram o corpo do meu irmão não permite velório. Vamos da funerária direito para o cemitério. Eles não deram tratamento ao corpo dele”, afirmou.

Sem conservação
Gardelise Pinheiro Ribeiro afirmou ainda que a câmara refrigerada do IML estaria quebrada e, por isso, o corpo de seu irmão não foi conservado. “Eles não passaram nem um formol no corpo dele. Deixaram meu irmão apodrecendo 24 horas em cima da pedra e agora não va­mos poder velá-lo. Isso é um desrespeito com a pessoa e com a família. É um descaso total o que está acontecendo”, disse indignada.

E esse não foi o único problema enfrentado por Gardelise Pinheiro Ribeiro. A documentação que foi entregue a ela pelo IML estava com informações erradas. “Meu irmão morreu dia 22 e colocaram no laudo que foi dia 23. Erraram até a data de nascimento dele. Como um órgão desses trabalha assim?”, comentou.

A direção do IML foi procurada, mas não quis se pronunciar sobre os problemas relatados pelas famílias. Entretanto, confirmou que o prédio está com problemas no abastecimento d’água e que na noite de terça-feira um carro-pipa foi chamado para abastecer o local, mas a água foi insuficiente para a realização de todas as atividades do órgão. A direção do IML não comentou os erros na documentação nem quantos corpos aguardavam liberação.

O Governo do Estado foi procurado para saber quando o abastecimento d’água será restabelecido no IML, mas até o fechamento desta página nenhuma resposta foi obtida.

SAIBA MAIS

Esta não é a primeira vez que o Instituto Médico Legal (IML) apresenta problemas. Em 2014, o juiz Clésio Coelho Cunha determinou a interdição do IML e do Instituto de Criminalística (Icrim) para construção e reforma dos referidos prédios. O magistrado atendeu a um pedido do Ministério Público Estadual (MP), em ação movida em 2012. Na época, a promotora de Justiça Márcia Buhatem (11ª Promotoria Especializada na Defesa dos Direitos Humanos de São Luís), após realização de inquérito civil, alegou que a iluminação do IML era precária em diversos ambientes; havia vazamentos em reservatórios sanitários e nas instalações elétricas, o que aumentaria os riscos de curto-circuito, choques e incêndios. Também foi observada a falta de higienização e gerenciamento de coleta de resíduos sólidos.

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