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Desemprego pode levar à depressão

Estudo mostra que 20% dos suicídios cometidos no mundo de 2000 a 2011 tiveram como causa o desemprego
11/08/2016
Desemprego pode levar à depressão

BRASIL - Um estudo publicado por pesquisadores da Universidade de Zurique, que analisaram dados da mortalidade registrada de 2000 a 2011 em 63 países do mundo, constatou um dado alarmante para o Brasil, que tem atualmente 11,4 milhões de desempregados, o maior número desde 2012. De acordo com os estudiosos suiços, em todo o período foram registrados cerca de 230 mil suicídios por ano. Desse total, 20%, ou seja, cerca de 45 mil mortes, são atribuídas ao desemprego.

Ficar sem emprego tem impacto brutal no bem-estar de qualquer pessoa e isso não tem apenas a ver com o adiamento de alguns sonhos, nem com o fato de a família ser forçada a diminuir o orçamento. A perda do posto de trabalho implica quase sempre em uma quebra de confiança nas próprias capacidades e na diminuição dos contatos sociais.

Segundo especialistas, o isolamento e a falta de rotinas associadas ao desempenho de uma profissão são angustiantes e, para algumas pessoas, fonte de devastação, apatia e depressão. Foi o que aconteceu com o sociólogo Alderico Segundo. Em outubro de 2015 ele foi demitido. “Imediatamente eu comecei a me isolar, a questionar minha profissão. Fiquei cabisbaixo e passava a maior parte do tempo triste. Cheguei em pensar em suicídio porque não recebi apoio de toda a minha família. Até expus isso em meu perfil em uma rede social”, contou.

Segundo a psicóloga Joelina Abreu, do Hapvida Saúde, desempregados desenvolvem a depressão por não se sentirem úteis ou por não poderem mais prover o sustento de sua família. “O fato de a pessoa estar desempregada mexe com a estrutura psicológica como um todo, tanto em seus aspectos sociais quanto culturais”, explica.

Crise

Paralelamente, a crise financeira tem sido uma fonte de ansiedade para muitos trabalhadores que, por não se sentirem seguros no seu trabalho, vivem sistematicamente nervosos. “A falta do salário, do dinheiro, faz a pessoa se sentir infeliz. Ela perde sua autoestima, já que o dinheiro é também um símbolo de poder, e nesse caso representa o sustento das pessoas que dependiam desse desempregado”, afirma.

Esta ansiedade tem uma base muito real – ora porque as chefias transmitem a ideia clara de que “as coisas não estão bem”, ora porque há ameaças de demissões. À medida que surgem sinais evidentes de crise é natural que cresça o estresse e que se torne progressivamente mais difícil manter a harmonia familiar. “A depressão vem da acomodação, do não se sentir útil, do não se sentir feliz”, diz Joelina Abreu.

A psicóloga alerta que quando o quadro começa a atrapalhar o dia a dia da pessoa é hora de procurar tratamento. Alderico Segundo relutou e só começou a fazer terapia este ano. “Eu voltei a conviver com meus amigos, meu pai me deu todo o suporte necessário e isso foi fundamental para que eu buscasse tratamento psicológico para reverter essa situação”, afirma.

O apoio da família e amigos contribui muito para a recuperação do paciente depressivo. “A depressão leva a pessoa a se isolar e, se as pessoas que convivem com ela se afastam, esse isolamento se agrava e o paciente se sente só, sem apoio nenhum e as consequências podem ser graves”, alerta Joelina Abreu.

Outro problema é que a depressão ainda é vista como tabu e não encarada como uma doença grave, que precisa de tratamento. “A depressão é diferente da tristeza, que passa imediatamente. O sofrimento que a doença causa é difícil de medir, o que muitas vezes acaba retardando o diagnóstico, e pior, o tratamento. O portador da depressão, geralmente, não sabe como, onde ou com quem procurar auxílio e, outras vezes, porque durante a doença não tem energia ou vontade para agir”, explica.

Diagnóstico
A depressão caracteriza-se por um estado em que o humor fica deprimido, melancólico, "para baixo". O indivíduo sente angústia, ansiedade, desânimo, falta de energia e, sobretudo, uma tristeza profunda. Às vezes tédio e apatia sem fim. No mundo inteiro, a depressão atinge um número cada vez maior de pessoas, e dentre todos os distúrbios psiquiátricos, ela ocupa o terceiro lugar em prevalência.

A pessoa deprimida percebe que seus sentimentos diferem de uma tristeza anteriormente sentida. Na depressão grave, ela se isola, perde o interesse por tudo. Algumas pessoas procuram ocupar-se ao máximo para distrair-se e afastar o mal-estar sentido. Podem ficar mal-humorados, sempre insatisfeitos com tudo. Lutam contra a depressão sem saber que sofrem dessa doença. Essa luta lhes rouba a pouca energia que lhes sobra. Com isso, ficam piores, mais irritados e impacientes.

COMO RECONHECER A DEPRESSÃO

• Humor depressivo ou irritabilidade, ansiedade;
• Desânimo, cansaço mental, dificuldade de concentração, esquecimento;
• Incapacidade de sentir alegria e prazer em atividades que antes da depressão eram agradáveis;
• Tendência ao isolamento, tanto social como familiar;
• Apatia, desinteresse, falta de motivação;
• Falta de vontade, indecisão;
• Sentimentos de medo, insegurança, desespero, vazio;
• Pessimismo, ideias de culpa, baixa autoestima, falta de sentido na vida, inutilidade, fracasso;
• Ideias de morte e até suicídio;
• Dores e outros sintomas físicos geralmente não justificados por outros problemas médicos, tais como, cefaleias, sintomas gastrintestinais, dores pelo corpo, pressão no peito;
• Alterações do apetite;
• Redução da libido, insônia ou aumento do sono.

Formas de tratamento:
O tratamento mais indicado atualmente para a depressão é uma combinação de medicamentos antidepressivos e psicoterapia, realizada por psicólogos e psiquiatras.

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