Cidades | Violência

Rodoviários relatam rotina de medo no trabalho em coletivos

Na segunda-feira, dia 25, um motorista foi baleado durante assalto a ônibus na zona rural de São Luís; ação foi cometida por três pessoas, que fugiram; até o momento, elas não foram identificadas ou presas
27/07/2016
Rodoviários relatam rotina de medo no trabalho em coletivosDepois das 17h, piora o medo dos motoristas por causa do aumento na quantidade de ações criminosas (De Jesus / O ESTADO)

“Não tem muita coisa para fazer. O jeito é trabalhar com medo e sobressaltado”. Essa foi a frase repetida por todos os motoristas e cobradores ouvidos ontem por O Estado, ao relatarem a sua rotina diante da onda de assaltos, cada vez mais violentos, a ônibus do transporte coletivo de São Luís. Na segunda-feira, dia 25, um motorista foi baleado durante um assalto na zona rural da cidade.

Hoje é difícil encontrar um motorista ou cobrador que ainda não tenha passado por momentos de pânico ao se vir impotente diante da ação de criminosos nos coletivos. E os números atestam essa realidade: de acordo com dados do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Estado do Maranhão (Sttrema), o primeiro semestre deste ano terminou com um total de 307 assaltos a ônibus. Além disso, três motoristas ficaram gravemente feridos nessas ocorrências.

Medo
A preocupação de motoristas e cobradores aumenta, pois os criminosos, além assaltarem o ônibus, levando a renda do coletivo e os pertences dos passageiros, também estão agredindo violentamente os rodoviários, como já foi registrado em três casos este ano.

Por medo de algum tipo de represália, nenhum dos motoristas e cobradores ouvidos ontem por O Estado quis mostrar o rosto, mas eles contaram um pouco da rotina à qual estão sujeitos diariamente, por causa da crescente onda de assalto. O medo deles começa logo na primeira viagem e só termina quando encerram o expediente.

O motorista Benedito Pereira trabalha há 18 anos na profissão e contou que por 17 vezes presenciou o ônibus que dirigia ser assaltado. Uma das mais traumáticas dessas experiências aconteceu há cerca de seis anos, quando ele ficou sob a mira de um revólver empunhado por um criminoso que exigia a renda do coletivo, mas ele e o cobrador afirmavam que não havia nada no ônibus, uma vez que era a primeira viagem que o ônibus estava fazendo.

“Quando dá 17h em diante, andamos ainda mais sobressaltados no ônibus. Às vezes, os assaltantes estão bem arrumados, se passando por passageiros, e não há como saber quem é quem”, relatou Benedito Pereira.

A cobradora Claudete Silva já foi assaltada no ônibus duas vezes e em uma delas também ficou sob a mira de um revolver empunhado por criminosos. “Nesse dia, eles fizeram ‘o raspa’ dentro do ônibus. É horrível uma situação como essa”, disse.

Jorge Américo também é motorista e disse que já perdeu a conta de quantas vezes foi assaltado dentro do ônibus. Em uma dessas ocorrências, o rodoviário também ficou sob a mira de uma arma de fogo. É uma rotina preocupante e estressante. Trabalhamos o tempo todo preocupados e sobressaltados”, frisou. Ele contou que já pensou em mudar de profissão, mas ainda não encontrou a oportunidade certa por causa da dificuldade em encontrar um serviço.

De acordo com o presidente do Sttrema, Isaías Castelo Branco, os assaltos a ônibus já chegaram a um nível que não é mais aceitável. “A categoria não suporta mais essa situação. Vemos prisão e apreensões sendo feitas, mas pouco tempo depois essas mesmas pessoas voltam a cometer o novo assalto, de vez em quando na mesma linha de ônibus”, disse o sindicalista. Ele voltou a cobrar uma ação mais enérgica dos órgãos de segurança para a redução dessas ocorrências.

Violência
Na noite de segunda-feira, dia 25, o motorista Jackenilson Rocha Cantanhede foi baleado durante uma tentativa de assalto no Itapera, na região do Maracanã (zona rural de São Luís). O crime foi cometido por três indivíduos, que fugiram logo após o fato. O rodoviário foi socorrido e passa bem. Este ano, outro motorista foi baleado e outro esfaqueado durante assalto a ônibus.

Até o fechamento desta página, nenhum dos autores do crime ocorrido na segunda-feira havia sido identificado ou preso. Por meio de nota, a Polícia Militar informou que o caso está sendo investigado pelo 12º Distrito Policial (12ª DP).

A Polícia Militar (PM) informou ainda que ao longo dos últimos meses vêm adotando diversas medidas para combater as ações de assaltos a ônibus. Entre elas está intensificação no número de abordagens aos coletivos, nas Operações Catraca. Além disso, informou que têm sido realizadas barreiras constantes em pontos estratégicos da região metropolitana.

Outra medida adotada pela PM foi a criação de um grupamento específico para combater essa modalidade de crime. O policiamento utiliza o serviço de motopatrulhamentoe viaturas, além do serviço de policiamento em rotatórias e pontos finais dos ônibus, para garantir cada vez mais a segurança do cidadão. Por fim, a Polícia Militar ressaltou que continuará atuando de forma a reduzir os índices de assaltos a coletivos em toda a Ilha.

Números (fonte: Sindicato dos Rodoviários)
307
foi a quantidade de assaltos a coletivos registrados no primeiro semestre deste ano
662 foi a quantidade de assaltos a coletivos registrados no ano passado

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