Vida | Comportamento

Comuns para muitas pessoas, fobias têm tratamento

Medo exagerado pode comprometer qualidade de vida e trazer prejuízos à vida profissional, social e pessoal
19/07/2016
Comuns para muitas pessoas, fobias têm tratamento

Personagens comuns nas festas infantis, os palhaços têm a missão de levar alegria e divertir as pessoas, com seus tradicionais narizes vermelhos. Mas nem sempre é assim. Para algumas pessoas, eles são sinônimo de pânico, e não é exagero ou muito menos frescura. Existe um grupo de pessoas que têm verdadeiro pavor deste personagem. Elas sofrem da chamada coulrofobia, ou simplesmente medo de palhaço. E esta é apenas uma das inúmeras fobias das quais as pessoas podem sofrer. A boa notícia é que as fobias têm tratamento.

Laila Palhano tem 27 anos, é professora de inglês e evita dar aulas para crianças muito pequenas, porque geralmente elas adoram palhaços, mas a professora não pode nem ver a foto de um que perde um pouco o controle. “Quando tem festa na escola e algum aluno vai fantasiado de palhaço eu passo mal. A pressão cai, eu entro em pânico, não consigo respirar. A direção da escola até recomendou que palhaços sejam evitados nas atividades escolares”, conta.

Situações embaraçosas

Ela lembra algumas situações bastante embaraçosas que já passou por causa da sua fobia. Uma vez ela estava em um shopping no qual acontecia a inauguração de uma loja infantil. Então, curioso sobre a fobia de Laila, um dos seus amigos resolveu chamar um dos palhaços que estavam na loja para perto dela. A professora teve um ataque de pânico, queda de pressão, dificuldade para respirar. “Uma vez eu estava no trânsito e um palhaço de sinal veio falar comigo. Por sorte eu não estava sozinha, porque eu fiquei sem condições de dirigir”, lembra.

O nome da fobia de Laila Palhano é tão incomum quanto o próprio medo que ela sente, mas este não é o único tipo que existe. “As fobias são o medo exagerado de algo ou alguma situação e nem sempre são uma doença, mas um sintoma de algum tipo de transtorno mental”, explica a professora de psicologia da Estácio São Luís, Sílvia Vale.

Tipos de fobia

Segundo Sílvia Vale, alguns tipos de fobia se desenvolvem cedo, geralmente na infância. É o caso de Laila. “Desde muito pequena não posso ver fotos, filmes, pelúcias de palhaço. Nada. Tudo me faz sentir mal. Esse medo se intensificou com o meu crescimento. Hoje, eu me controlo um pouco mais para evitar algumas situações, mas ainda assim é bem difícil”, afirma. Outras ocorrem durante a adolescência e há aquelas que surgem no início da vida adulta, até por volta dos 35 anos de idade.

A professora destaca que é difícil definir o número de fobias. Em postagem em uma rede social, perguntamos se alguém tinha ou conhecia alguém que tivesse algum tipo de fobia. As quase 50 pessoas que responderam relataram ter algum medo exacerbado.

Entre as fobias citadas estavam medo de baratas, aranhas, insetos em geral, trovões, de multidões, de lugares fechados, serpentes, buracos, tubarão, morcego, cavalo, borboletas, mariposa, baleia, gatos, escuro, altura e aves, como papagaios e galinhas. Entre os relatos feitos na publicação na rede social houve quem dissesse ter medo de baratas mesmo quando elas já estão mortas ou até mesmo de pelúcias no formato do animal que provoca a fobia.

Sílvia Vale afirma que o medo sentido por pessoas que têm fobia é completamente diferente da ansiedade, que é natural dos seres humanos. “O medo, por si só, é uma reação psicológica e fisiológica que surge em resposta a uma possível ameaça ou situação de perigo. Já a fobia não segue uma lógica propriamente dita, e a ansiedade nesses casos é incoerente com o perigo real que aquilo representa”, explica.

Tratamento

Existem diversas formas de tratar uma fobia, e a escolha do procedimento dependerá do psicólogo que acompanha o paciente. O tratamento pode incluir desde uma lista de tarefas que levem à aproximação do paciente com o causador da sua fobia, por meio de uma imagem em um livro, dizer seu nome ao tocá-lo, por ordem crescente de medo, para que o paciente crie estratégias que reduzam sua ansiedade.

Pode-se ainda recriar as situações difíceis do passado e os estímulos atuais que provocam o medo e as situações futuras nas quais a pessoa poderá estar perante o que lhe provoca medo. Em alguns casos, utiliza-se o estado de relaxamento induzido em hipnose para alterar a relação emocional do paciente com o causador da sua fobia.
O tratamento, na maioria dos casos dos medos irracionais, pode ter um bom resultado, principalmente com as crianças. “O terapeuta deverá considerar os elementos presentes no momento em que a pessoa manifesta a fobia, as situações que rodeiam esse momento e coisas que fazem, para que o medo se manifeste”, explica Sílvia Vale.

MAIS

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais, a fobia simples pode ser dividida em pelo menos cinco categorias: sangue, injeções ou feridas; aspectos do ambiente natural (trovoadas, terremotos, etc.); animais (aranhas, cobras, sapos, etc.), situações (alturas, andar de avião, elevador ou metrô, etc.), outros tipos (medo de vomitar, contrair uma doença, etc.).

Leia mais notícias em OEstadoMA.com e siga nossas páginas no Facebook, no Twitter e no Instagram. Envie informações à Redação do Jornal de O Estado por WhatsApp pelo telefone (98) 99209 2564.

© - Todos os direitos reservados.
Tamanho da
Fonte