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Sem apoio do poder público, Santa Casa segue em situação crítica

Hospital é mantido apenas com recursos do Serviço Único de Saúde (SUS), o qual não reajusta a tabela de repasses há 14 anos; por falta de dinheiro, esta semana 89 profissionais foram demitidos na unidade de saúde
15/07/2016

Após a demissão de 89 funcionários e o lançamento de uma campanha de arrecadação de materiais e alimentos, a Santa Casa de Misericórdia de São Luís segue em situação crítica. Diante da situação, nem o Governo do Estado e a Prefeitura de São Luís se manifestaram no sentido de ajudar e evitar o fechamento da instituição de saúde, segundo o provedor do hospital.

Há vários anos que o hospital enfrenta crise financeira por cau­sa do repasse insuficiente de recursos. Segundo o provedor da Santa Casa de São Luís, o médico Abdon Murad, a manutenção do hospital no modelo atual de repasses está insustentável, pois os valores dos procedimentos repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) não recebem reajuste há 14 anos.

O hospital filantrópico tem recebido, por exemplo, apenas R$ 109,21 por uma curetagem pós-abortamento. O procedimen­to exige a internação da paciente e cuidados, que implicam em altos custos que não podem ser cobertos somente com esse valor. Além disso, há ainda o repasse para os acompanhantes que é de apenas R$ 8,00 por dia. Mas os custos totais chegam a R$ 24,00 por dia.

Com esse desequilíbrio, a San­ta Casa tem hoje uma dívida com fornecedores de cerca de R$ 1,1 milhão. Os débitos forçaram a direção da unidade a demitir 89 funcionários no último dia 12.

Além disso, sem condições financeiras de continuar manten­do o hospital, o provedor lançou um pedido em sua página no Facebook para arrecadar luvas, ga­ze, atadura gessada e alimentos, podendo assim manter o atendimento à população que necessita dos serviços.

De acordo com ele, nem a Prefeitura e nem o Governo do Estado se manifestaram para ajudar a evitar o fechamento do hos­­pital. “Eu acredito que o hospital não vá fechar, que conseguiremos sair dessa situação. Mas ninguém [Governo do Estado e Prefeitura de São Luís] veio nos perguntar nada, se precisamos de ajuda, qualquer coisa”, disse Abdon Murad.

Manifestação
Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) informou apenas que a Santa Casa de Misericórdia é um prestador SUS e que, portanto, os repasses de valores são condicionados à tabela do Ministério da Saúde. A Semus informou ainda que os repasses estão em dia, conforme os valores creditados pelo Governo Federal.

O Governo do Estado não respondeu ao questionamento de O Estado até o fechamento desta página.

SAIBA MAIS

Com a demissão de 89 funcionários do hospital, o Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem e Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde do Estado do Maranhão (SindSaúde-MA) está se articulando para cobrar o pagamento das verbas rescisórias aos trabalhadores. Na manhã de ontem, a diretoria foi ao hospital convocar os funcionários para uma assembleia geral, que será realizada hoje, às 15h. Serão discutidas na reunião: a demissão coletiva de empregados, pagamento de verbas rescisórias e outros assuntos.

Segundo a diretoria do sindicato, o Ministério Público do Trabalho será acionado para garantir que todos os direitos dos funcionários sejam pagos integralmente.

FAÇA SUA DOAÇÃO

As doações para a Santa Casa estão sendo recebidas no próprio hospital, em três setores diferentes, em horário comercial: administração, aos cuidados de Adriana França, almoxarifado, com Jane Diniz e internação, com Elisabete Ribeiro. Segundo Abdon Murad, a unidade precisa de praticamente tudo, mas alguns materiais como medicamentos, são muito caros e demandam um acompanhamento mais específico para a compra, por isso ele pediu apenas luvas, gaze, atadura gessada e alimentos.

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