Alternativo | Reflexão

Pecados íntimos

Espetáculo “Quase nada”, do grupo Nóis de Teatro, que será apresentado de hoje a quinta-feira, no Teatro João do Vale, e no fim de semana no Teatro Itapicuraíba, aborda aspectos das diferenças sociais
12/07/2016
Pecados íntimosEspetáculo "Quase Nada" será apresentado gratuitamente em São Luís (Divulgação)

Um crime em um cenário urbano, seguido de uma chantagem são elementos que marcam a vida de Antônio e Sara, um casal de classe média alta que de uma hora para outra se vê envolvido em uma cena de violência. Essa é a trama do espetáculo “Quase Nada”, do grupo cearense Nóis de Teatro, que será apresentado gratuitamente de hoje a quinta-feira, às 19h30, no Teatro João do Vale (Praia Grande).

Na quinta-feira, além da sessão das 19h, terá uma sessão extra, às 21h. No sábado e domingo, a peça será exibida às 19h30, no Teatro Itapicuraíba (Anjo da Guarda). Ainda no Anjo da Guarda, no sábado e domingo, o diretor da Nóis de Teatro, Altemar Di Monteiro apresentará a oficina “Olhar Periférico”, das 9h às 13h. A oficina traz o debate sobre espetáculos que põem em cena questões de grande pertinência para o debate sobre as periferias urbanas.

Em circulação em São Luís (MA) e Aracaju (SE), por meio do apoio do Programa Petrobras Distribuidora e do Ministério da Cultura, a montagem terá seis apresentações em cada cidade, sempre com debates após o espetáculo e realização de oficinas. A proposta é transitar tanto em teatros dos centros urbanos quanto em espaços nas periferias das cidades. Todas as apresentações contam com um intérprete de libras.

Com texto do dramaturgo cearense Marcos Barbosa, o espetáculo foi montado em 2013 por meio do Prêmio Myriam Muniz. “Quase nada” conta a história de Antônio e Sara, um casal de classe média alta que, de madrugada, é abordado por um garoto, em um semáforo de uma grande metrópole. Assustado, o casal atira no menino que morre no local e os dois fogem, mas logo recebem em seu apartamento a visita de uma mulher que diz ter visto o assassinato e quer dinheiro em troca do silêncio.

A partir daí duas questões colocam-se de forma antagônica em cena, ampliando a sua percepção para além de um discurso fechado, totalizante. Se de um lado, o jovem casal assassinou a queima-roupa, uma criança de idade não revelada, do outro, a tal senhora faz chantagem para não denunciar o caso. Nesse sentido, o espectador é convocado a testemunhar de forma ativa, através das janelas do apartamento do casal, uma trama complexa, cheia de reviravoltas, discutindo questões sobre o contexto de violência urbana que assola nossas cidades.

Violência

Segundo o produtor e ator do Nóis de Teatro, Henrique Gonzaga, faz parte do contexto da companhia de teatro trabalhar temáticas sobre o contexto social e a ideia da peça surgiu a partir do aumento da violência urbana em Fortaleza. “O texto do espetáculo “Quase Nada” é do dramaturgo cearense Marcos Barbosa. O grupo, como todos do país, vinha se preocupando muito com o aumento da violência em Fortaleza, assim como nas outras capitais, principalmente do Nordeste. Em meio a essa preocupação nos aparece o texto do Marcos Barbosa que traz uma discussão muito interessante sobre o antagonismo entre periferia e centro, luta de classes e outros assuntos que constroem um debate sobre a vida nas grandes cidades”, explica.

Criado há 15 anos em Fortaleza, o Grupo Nóis de Teatro tem como uma forte característica abordar questões sociais em suas montagens. Além de “Quase Nada”, o grupo tem outras produções com essa proposta, entre elas, “Todo camburão tem um pouco de navio negreiro”, selecionada para o Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga. Vencedor do Prêmio Funarte de Arte Negra, a montagem é uma “tragédia afro” com elementos alegóricos e representativos do universo do movimento negro do Brasil, em reverência e referência direta à mitologia dos orixás.

Serviço

O quê

Espetáculo “Quase Nada”, da Nóis de Teatro

Quando

De hoje a quinta-feira, com sessões às 19h30 e 21h (somente quinta-feira) no Teatro João do Vale (Praia Grande) e sábado e domingo, às 19h30 no Teatro Itapicuraíba (Anjo da Guarda)

Evento gratuito

Classificação: 14 anos

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