Política | Articulação

Partidos querem declarar vago cargo de presidente da Câmara

Além de afastar definitivamente Eduardo Cunha da presidência, articulação quer tirar Waldir Maranhão da presidência interina
Estadão Conteúdo10/06/2016 às 08h14
Partidos querem declarar vago cargo de presidente da CâmaraPresidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, e interino, Waldir Maranhão, são alvo de partidos (Arquivo)

BRASÍLIA - Uma articulação entre partidos da antiga oposição e os que apoiavam a presidente afastada Dilma Rousseff pode resultar no afastamento definitivo de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara dos Deputados. A aliança também pode acabar com a presidência interina de Waldir Maranhão (PP-MA), pois um dos pontos discutidos durante reunião realizada na quarta-feira (8) foi o projeto que declara vago o cargo de presidente da Casa, de autoria do deputado Roberto Freire (PPS-SP). O maranhense assumiu o comando da Casa no início de maio, após o Supremo Tribunal Federal afastar Cunha.

PSDB, DEM e PPS começaram a negociar uma união com os antigos adversários PT, PCdoB e Rede por um objetivo comum: afastar, por definitivo, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara e realizar novas eleições na Casa. A articulação prevê ainda a discussão de um nome para disputar a sucessão do peemedebista contra o candidato apoiado por Cunha e que sairá do Centrão, grupo de 13 partidos comandado por PP, PR, PSD e PTB.

O diálogo entre os dois grupos foi aberto na quarta-feira (8). Foram discutidas alternativas para provocar a realização de novas eleições internas. No encontro, a antiga oposição cobrou apoio dos petistas ao projeto que declara vago o cargo de presidente da Câmara. Para aprovar o projeto, precisam de assinaturas de líderes que representem 257 deputados. Até agora, contudo, apenas PSDB, DEM, PPS e PSB apoiam a proposta. Juntos, os quatro partidos têm 119 parlamentares. A nova oposição - PT, PC do B, PDT e o deputado Silvio Costa (PT do B-PE) - soma 90 parlamentares.

'Dúvida' - O PT, por ora, se recusa a assinar o pedido. "Tenho muita dúvida da real intenção deles", afirmou o líder do partido, Afonso Florence (BA). Ele disse desconfiar de que a antiga oposição quer aprovar o projeto em um acordo para tirar Cunha da presidência da Câmara, mas o preservando do processo de cassação que tramita no Conselho de Ética da Casa.

A avaliação no PT e nos outros partidos adversários de Temer é que, por enquanto, pode ser mais favorável lidar com o presidente interino da Câmara. Embora seja aliado de Cunha e do Centrão, Maranhão votou contra o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff e é próximo de deputados do PT, PCdoB e PDT, além de ser aliado do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

A antiga oposição não aceita Maranhão. "O que está em questão é a normalidade da Casa. Não dá para Waldir Maranhão presidir", afirmou o líder do PSDB, Antonio Imbassahy (BA). O tucano nega acordo para salvar Cunha. "A cassação de Cunha é consequência e, caso venha para o plenário, será inevitável", disse.

Embora tenham tido divergências na primeira conversa, os dois grupos vão continuar as articulações. Nova reunião está marcada para a próxima semana.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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