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Criança com hidrocefalia sofre por causa de burocracia

Bebê de sete meses precisa de uma válvula para fazer seu tratamento, mas equipamento importado está retido na alfândega, em São Paulo
17/02/2016
Criança com hidrocefalia sofre por causa de burocraciaEnquanto aguarda válvula, criança permanece internada no Hospital Materno Infantil, no Centro (Arquivo)

Uma menina com hidrocefalia está sem fazer o tratamento de drenagem dos fluidos do crânio por falta de um equipamento no Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HUUFMA) – Unidade Materno Infantil, onde está internada des­de a noite de segunda-feira, dia 15. Só que dessa vez a culpa não é da rede pública de saúde, mas da burocracia brasileira. É que o equi­pamento, que é importado, está retido na alfândega.

A criança tem sete meses e foi entregue pela mãe, que é adolescente, a uma tia, Sandra Maria da Silva, que assumiu os cuidados com a saúde da menina. Por causa das complicações decorrentes do problema de saúde, ela iniciou o tratamento neurológico no Hospital Dr. Odorico Amaral de Mattos (Hospital da Criança), localizado na Alemanha, logo após seu nascimento, e na semana passada foi internada na unidade de saú­de. “Ela não chora, não mama e tem febre todos os dias”, afirmou.

Só que o estado de saúde da menina piorou e na noite de segun­da-feira precisou ser transferida para o Materno Infantil, no Centro, para cuidados mais especializados. “Ela está com uma son­da ligada diretamente ao intestino. O neurologista que a aten­deu no Hospital da Criança disse que ela não poderia ficar mais lá, porque não teriam condições de tratar dela. Então, foi transferida”, informou Sandra Maria da Silva.

Na maioria dos casos, a hidrocefalia é tratada com as derivações, popularmente conhecidas como válvulas. Esses sistemas são compostos de um cateter que fica em contato com o líquor (líquido que envolve o cérebro) dentro do ventrículo e está ligado a uma válvula que limita a quantidade de líquido a ser drenado. A outra extremidade do cateter é passada por baixo da pele até outra cavidade do corpo que possa receber este líquido, geralmente a abdominal.

Burocracia
É essa válvula que está faltando no Materno Infantil, para que a criança tenha o tratamento adequado. Só que, diferentemente do que costuma ocorrer na rede pública de saúde, o problema desta vez não é por culpa da precariedade do Sistema Único de Saúde (SUS), mas da burocracia da legislação brasileira, já que o equipamento necessário para o tratamento da criança é importado. “Segundo me informaram no hospital, eles já tinham feito pedido com urgência da válvula bem antes da internação da mi­nha filha, mas a válvula ficou pre­sa na alfândega, em São Paulo, aguardando liberação”, informou Sandra Maria da Silva.

A importação de medicamentos, cosméticos, perfumes, produtos de higiene, alimentos, saneantes, produtos médicos ou produtos de diagnóstico in vitro está sujeita a controle sanitário. Para importar qualquer desses produtos, é necessário seguir regras estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A assessoria de comunicação do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HUUFMA) afirmou que a unidade de saúde já informou a Defensoria Pública da União (DPU) e a Justiça Federal sobre a retenção do material no aeroporto. Entretanto, com o objeti­vo de dar maior celeridade ao pro­cedimento do paciente, o hospital está buscando junto aos demais hospitais do país o empréstimo da válvula, até que to­da a burocracia seja resolvida.

SAIBA MAIS

Hidrocefalia
O cérebro é envolvido por um liquido chamado de líquor ou liquido céfalo-raquidiano (LCR) cujas funções básicas são hidratar e proteger. Este liquido está presente também dentro do cérebro em algumas cavidades que são chamadas de ventrículos. O acúmulo deste liquido dentro dessas cavidades com conseqüente dilatação dos ventrículos é chamado de hidrocefalia.

As hidrocefalias podem aparecer na vida intra-uterina (hidrocefalias congênitas) ou podem ser adquiridas ao longo da infância ou fase adulta por uma diversidade de causas. O líquor se acumula nos ventrículos por uma obstrução em alguma via de passagem (hidrocefalia obstrutiva) ou por um desequilíbrio entre a velocidade de produção do LCR e a capacidade de absorção (hidrocefalia comunicante).

Sintomas
Em recém-nascidos ou crianças pequenas:
- irritabilidade
- letargia ou sonolência excessiva
- apnéias ou paradas respiratórias
- alteração do formato do crânio, cabeça grande ou que cresce rapidamente
- fontanela dilatada, ou seja, “moleira” aberta, abaulada e tensa
- dificuldade para andar, desequilíbrio
- atraso do desenvolvimento neuropsicomotor
Nas crianças mais velhas e em adultos:
- dor de cabeça
- vômitos
- dificuldade para enxergar
- letargia ou sonolência excessiva

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