Esporte

Licenciado da CBF, Del Nero mantém salário em comitê da Copa do Mundo

Mesmo fora da CBF, Del Nero poderá continuar recebendo salários do COL por até três anos, período do seu mandato como presidente do órgão
Agência Estadão23/12/2015 às 06h07

SÃO PAULO - Marco Polo Del Nero está licenciado da CBF desde o início do mês, mas não abriu mão da presidência do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo, onde continua recebendo salário de R$ 110 mil. O comando do órgão é atrelado à presidência da CBF, mas o dirigente não repassou o cargo para o deputado federal Marcus Vicente (PP-ES), indicado por ele para ficar apenas com a presidência da entidade que comanda o futebol nacional.

Mesmo fora da CBF, Del Nero poderá continuar recebendo salários do COL por até três anos. Esse é o período do seu mandato como presidente do órgão, de acordo com Contrato Social registrado no dia 15 de maio na Junta Comercial do Rio e ao qual o jornal O Estado de S. Paulo teve acesso.

Desde maio, quando estourou o escândalo de corrupção na Fifa, Del Nero vem perdendo força e cargos. Antes de pedir licença da CBF, no último dia 3, o cartola já havia entregado o cargo que ocupava no Comitê Executivo da Fifa. Com relação ao COL, no entanto, o dirigente optou por continuar com a cadeira de presidente do órgão.

Criado em 2008 para organizar e realizar a Copa das Confederações de 2013 e a Copa do Mundo de 2014, a previsão era que o COL fosse "dissolvido e liquidado" em até 18 meses após o fim do Mundial.

O prazo encerra-se no próximo dia 14, mas há uma ressalva no contrato que permite ao comitê funcionar por tempo indeterminado A mesma cláusula do texto que estabelece o prazo de duração diz que o órgão só será finalizado "desde que tenha concluído todas as suas atividades e obrigações".

Hoje, o COL conta com 13 funcionários, entre eles Del Nero, e não há previsão para o fim das suas atividades. O comitê, que em julho de 2014 chegou a contar com mais de 1.200 funcionários, hoje restringe as suas atividades à realização de pagamentos, reuniões e audiências e à prestação de contas à Fifa, responsável por financiar todas as contas da organização.

A sede também mudou de um amplo espaço no Riocentro para apenas duas salas comerciais na Barra da Tijuca, localizadas a menos de dois quilômetros do prédio da CBF na zona oeste do Rio.

A CBF é sócia majoritária do órgão com 99,99% das cotas e o presidente da entidade tem 0,01%. O primeiro presidente do COL foi Ricardo Teixeira, que comandou a empresa de junho de 2008 até março de 2012. Quando Teixeira renunciou à presidência da CBF, José Maria Marin assumiu os dois cargos e permaneceu até o dia 17 de abril deste ano. Eleito presidente da CBF, Del Nero também passou a acumular de imediato a presidência do COL.

Ao tomar posse no órgão, inclusive, o dirigente aprovou, sem ressalvas, as contas e ratificou todos os atos de gestão praticados por Marin. A assinatura de ambos consta no Contrato Social do COL.

Marin está em prisão domiciliar nos Estados Unidos acusado de receber propina em negociações da Copa América e suborno em contratos da Copa do Brasil. Também há suspeita de que Marin tenha se beneficiado ilegalmente de acordos comerciais da Copa do Mundo.

Já Del Nero é acusado pelo FBI de corrupção e é investigado pela CPI do Futebol no Senado e também pelo Comitê de Ética da Fifa.

O COL confirma que Marco Polo Del Nero continua na presidência do órgão e recebe salário para exercer a função. "A gestão do COL segue inalterada desde 17 de abril de 2015. Os cargos de direção do COL são remunerados", diz trecho de nota enviada ao jornal O Estado de S. Paulo.

De acordo com a assessoria do comitê, a empresa só será fechada depois de encerradas as ações que estão tramitando na Justiça. "O COL encontra-se atualmente em processo de desmobilização, sendo que o prazo final para o seu encerramento ainda não foi definido, dependendo, em especial, do andamento dos processos administrativos e judiciais em curso."

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