Violência

Estudantes fazem ato pedindo segurança para as escolas

Dezesseis colégios da Cidade Operária e Cidade Olímpica participaram; durante o evento, foi divulgada uma “Carta aberta dos jovens da Cidade Operária sobre as necessidades de políticas públicas”
03/10/2015

Estudantes, professores e pais de alunos de 16 escolas públicas estaduais e municipais da área da Cidade Operária e Cidade Olímpica se reuniram na manhã de ontem em um ato pela paz e contra a violência nas escolas. Durante o ato, que reuniu pelo menos 5 mil pessoas, além de apresentações culturais, alunos e professores relataram os constantes assaltos que ocorrem no entorno das unidades de ensino. A situação preocupa a comunidade escolar, que cobra ações do Governo do Estado para garantir a segurança nas unidades.

O ato aconteceu durante toda a manhã. Em passeata, os alunos percorreram diversas ruas da Cidade Operária e depois se concentraram no Viva do bairro, onde aconteceram apresentações culturais e foram feitos discursos contra a violência. Durante o ato, foi divulgada uma “Carta aberta dos jovens da Cidade Operária sobre as necessidades de políticas públicas”. No documento, a comunidade sugere “construções de espaço para lazer, cultura, esportes, utilizando áreas abandonadas ou semiabandonadas no bairro, procedimento cabível para desacelerar os efeitos quase irreversíveis da violência”.

Relatos de violência
O professor Claudio Ferreira dá aulas em duas escolas, o Centro de Ensino Médio Cidade Operária I e a Unidade de Ensino Básico José de Ribamar Bogéa. Ele já presenciou a invasão de criminosos em uma das unidades de ensino. “Uma vez, o membro de uma facção invadiu o Bogéa à procura de outro criminoso. Estamos vivendo um momento em que a violência está pulando os muros das escolas, e isso é preocupante”, afirmou.

Já a professora Lucilene Duarte disse que são comuns assaltos no entorno das escolas. “Estamos aqui para conscientizar a sociedade para promover a paz. Eu dou aulas em duas escolas e, uma delas, a Unida­de Integrada Santa Tereza, fica numa área muito sujeita a assaltos. Nós precisamos mudar essa realidade e, por isso, estamos mobilizando toda a comunidade: pais, alunos, professores e as autoridades”, disse.

Os alunos também têm relatos de violência para contar. Carla Vitória Gonçalves Martins, do 7º ano da escola Professor Ignácio Rangel, disse que a escola já foi invadida por criminosos. “Nossa escola fica em uma área onde a criminalidade é muito alta e isso nos preocupa muito, pois queremos estudar em paz”, afirmou. Já Yandson Costa, do 3º ano do Colégio São José Operário, informou que um aluno da escola morreu durante um assalto. “Muitas vezes, os assaltantes ficam na porta da escola, esperando os alunos sairem”, disse.

Escolas atacadas
No mês de setembro, em apenas quatro dias, seis escolas da rede pública na capital foram alvo de ações criminosas. No dia 18 de setembro, uma estudante de 14 anos da UEB Estudante Edson Luiz de Lima, na Rua 4, na Gancharia, área Itaqui-Bancaga, ficou ferida após ser atingida por estilhaços de vidro de uma janela da escola, que foi apedrejada. A UEB Santa Clara, na Rua 3 Irmãos, no bairro Santa Clara, foi incendiada no dia 20. Na madrugada do dia 21, a UEB Professor João de Sousa Guimarães, na Divineia, foi invadida por criminosos que roubaram equipamentos.

As três unidades de ensino chegaram a suspender as aulas. As UEBs Rubem Almeida, no Coroadinho, e Miguel Lins, no Maranhão Novo, e Darcy Ribeiro, na Avenida dos Africanos, foram outros alvos da criminalidade, no período de 17 a 21 de setembro.

Por causa do problema, a 1ª e a 2ª Promotorias de Justiça de Defesa da Educação de São Luís ajuizaram, no dia 24 de setembro, Ação Civil Pública (ACP) de obrigação de fazer contra o Município de São Luís e a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), solicitando, como medida liminar, a manutenção dos serviços de vigilância adequados à segurança da comunidade escolar e do patrimônio público.

Alerta
A professora da Unidade Integrada Pedro Álvares Cabral, Lucilei Melônio, fez um alerta. “Se nós permitirmos a invasão da criminalidade no ambiente escolar, perderemos o controle da situação e os alunos começarão a deixar a escola e isso não pode acontecer”, afirmou.

A mobilização de ontem foi organizada com o apoio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc). O secretário adjunto das Unidades Regionais de Educação (UREs), Fábio Rondon, afirmou que é preciso envolver todos os responsáveis na construção da cultura de paz. “A escola, o governo, os alunos, os professores, os pais precisam se unir para combater a violência e a insegurança, que é um problema mundial”, disse.

Escolas que participaram do ato
Centro de Ensino Paulo VI
Centro de Ensino Cidade Operaria I
Centro de Ensino Cidade Operaria II
Centro de Ensino São José Operário
Centro de Ensino Menino Jesus de Praga
Centro de Ensino Joana Batista dos Santos Silva
Centro de Ensino Prof. Luis Rego
Centro de Ensino Barjonas Lobão
Centro de Ensino Inácio Rangel
Centro de Ensino Justino Pereira
Unidade Integrada Maria José Aragão
Unidade Integrada 1° de Maio
Unidade Integrada Emb. Araújo Castro
Unidade Integrada Pedro Àlvares Cabral
Unidade Integrada João Pereira Martins Neto
Unidade Integrada Santa Tereza

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