Abuso

905 idosos foram vítimas de violência este ano

Dados da Defensoria Pública do Estado tratam apenas de São Luís; negligência foi a principal forma de violência registrada; também houve casos de agressões
Leandro Santos/O Estado26/09/2015
Idosos estão sendo vítimas de negligência, violência psicológica e física, além de outras formas de descaso (Idoso)

A cada hora, pelo menos dois idosos sofrem al­gum tipo de violência no Brasil, conforme da­dos da Secretaria de Direitos Humanos. Em São Luís, de janeiro a agosto deste ano, 905 casos de violência contra idosos foram registrados pela Defensoria Pública do Estado (DPE) na região metropolitana. Os números foram considerados elevados e são reflexo da sociedade, que desrespeita os direitos desse público.

Da mesma forma como acontece em todo o Brasil, a negligência é a principal forma de violência registrada na região me­tropolitana, com 146 casos registrados. A violência psicológica aparece em segundo lugar no ranking, com o registro de 126 casos. Logo em seguida, aparecem os registros de violência física, que contabilizaram ao longo de oito meses 99 casos. Há situações ainda em que uma pessoa idosa sofreu, ao mesmo tempo, essas e outras formas de violência.

Os dados de defensoria mostram também quem são as pessoas que mais agridem os idosos. De acordo com as estatísticas da defensoria, os filhos são os principais agressores: foram 159 casos em que eles agrediram seus pais. As estatísticas mostram também que outras pessoas também agridem os idosos, como os netos (25 ca­sos), companheiros (16), cuidadores (três), vizinhos (20), outros parentes (34), além de outras pessoas.

Causas
De acordo com Guadalupe Barros, assistente social do Centro Integrado de Apoio e Prevenção à Violência contra a Pessoa Idosa (Ciapvi), da DPE, os casos de violência estão diretamente relacionados com o desconhecimento das pessoas sobre os direitos dos idosos. Ela afirmou ainda que a falta de políticas públicas voltadas para esse público também contribui com a situação.

“A sociedade está envelhecendo sem o suporte de políticas públicas do Estado, ou elas são ineficientes. Por isso acontece essa violação dos direitos da pessoa idosa. Os próprios familiares desconhecem esses direitos e por isso também são registrados os casos de violência”, disse.

Segundo ela, é grande a quantidade de casos que chegam diariamente ao Ciapvi, de idosos que tiveram seus direitos desrespeitados. O Bairro de Fátima, Coroadinho, Liberdade e bairros localizados no Itaqui-Bacanga são as áreas da capital maranhense onde mais são registrados casos de violência contra idosos.

No total, 3.820 atendimentos foram realizados pelo centro de janeiro a agosto, além dos diversos encaminhamentos feitos para os órgãos que compõem a rede de proteção dos direitos dos idosos. Os casos que chegam até a defensoria são atendidos por uma equi­pe multidisciplinar e, dependendo da situação, podem ser resolvidos no local ou encaminhados para outros órgãos.

Na opinião de Guadalupe Barros, é necessária uma mudança de consciência da sociedade para a diminuição dos casos de violência contra as pessoas da terceira idade. “Não vamos mudar a sociedade de uma hora para outra. Temos de mostrar para essa geração que todos têm direitos, inclusive os mais velhos. Com as nossas ações, buscamos a intersetoriedade das políticas, para que haja um envelhecimento das pessoas de forma saudável e ativa”, afirmou.

VIOLÊNCIA
Levantamento da SDH

Segundo levantamento da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República (SDH PR), em um ano, o número de registros de casos de negligência e violência contra idosos cresceu 16% no país. De janeiro a junho deste ano, o Disque 100 recebeu mais de 16 mil denúncias de violência contra pessoas com 60 anos ou mais. No mesmo período do ano passado, foram registradas quase 14 mil denúncias. Ainda de acordo com os dados do Disque 100, serviço de recebimento de denúncias contra violações de direitos humanos da SDH PR, em 2014 houve 27.178 denúncias de abusos contra a pessoa idosa. As mais recorrentes foram de negligência, com 20.741 denúncias (76,32%); violência psicológica, com 14.788 (54,41%); abuso financeiro e econômico, com 10.523 (38,72%); violência física, com 7.417 (27,29%); e violência sexual, com 201 denúncias (0,74%). Entre os casos menos denunciados estão a violência institucional, discriminação, outras violações ligadas a direitos humanos, trabalho escravo e torturas. O levantamento mostrou ainda que 76,48% das violações denunciadas foram cometidas nas casas das vítimas; e em 51,55% dos casos denunciados, os próprios filhos são os suspeitos das agressões.

NÚMEROS
905 casos de violência contra a pessoa idosa registrados de janeiro a agosto
146 casos de negligência foram registrados em São Luís
3.820 atendimentos relacionados à violência contra a pessoa idosa realizados pela DPE de janeiro a agosto deste ano

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