São Luís Cidadã

Projetos realizados na fundação melhoram vida de pacientes

Donnos da Alegria, Filhos de Antonio Brunno, Tempo de Aprender, Arte e Prazer e Dr. Gilvan Porto dão suporte psicológico, alimentar e educacional às pessoas em tratamento; fundação busca recursos para ampliar sua sede e atender mais pessoas
Jock Dean02/08/2015
Fundação Antonio Brunno, de apoio a pessoas com câncer, funciona em uma casa no Residencial Planalto Anil I

Transformando a dor em solidariedade, a Fundação Antonio Brunno Pessoa Sousa começou a desenvolver o Projeto Donnos da Alegria, que começou com o objetivo de amenizar o sofrimento de crianças com câncer. A ação foi idealizada por Antônio Brunno de Sousa, criador do projeto que deu origem à entidade. Inicialmente, a fundação realizava apenas visitas aos pacientes nos hospitais, com voluntários vestidos de palhaços. Mas a iniciativa cresceu e hoje desenvolve vários projetos para pessoas de São Luís e vindas do interior do estado, que estão em tratamento contra o câncer, na capital.

Hoje, a casa atende pelo menos 56 pessoas por dia, mas, segundo Antonio Lima Sousa, a demanda é muito maior, por isso a fundação está com um projeto de construção de uma nova sede, que vai poder receber até 250 pessoas. Ela terá duas salas para projetos, uma capela, dois ambulatórios, uma sala de reunião, uma ala infantil e uma brinquedoteca. O objetivo é iniciar as atividades em 2017, mas ainda faltam os recursos para a execução da obra. "Já temos o terreno, mas como dependemos de doações estamos pedindo a ajuda das pessoas, dos empresários e de quem mais puder nos ajudar para que possamos levar esse trabalho adiante", disse Antonio Lima Sousa.

Projeto Arte e Prazer para Alfabetizar realizado pela fundação

Lembranças - Iniciar os trabalhos da fundação logo após a perda do filho não foi fácil para seus pais, pois desde a execução das atividades, até o atendimento a pacientes em tratamento contra o câncer, tudo trazia Antonio Brunno Pessoa Sousa de volta à lembrança da família. E ainda traz.
Durante a manhã em que

O Estado esteve no local conhecendo os trabalhos realizados, muitas vezes Antonio e Fátima Lima Sousa choraram ao lembrar-se da luta e da preocupação do filho com as demais pessoas, mesmo estando em uma situação difícil.

"Não é fácil para nós trabalharmos nesse projeto que é dele, que é a cara dele, que ele planejou quando estava doente. Superamos também pelas pessoas que recebemos. Os primeiros pacientes pareciam muito com ele e nós recebemos como se fosse o Antonio Brunno", disse o pai.

Projetos - Mas o casal levou o trabalho adiante e, após a legalização da fundação, começou a colocar em prática os projetos idealizados por seu filho. O primeiro foi o Donnos da Alegria. A primeira turma do projeto tinha 10 voluntários escolhidos pelo próprio Antonio Brunno e hoje são 40 pessoas.

"Depois começamos a desenvolver o Filhos de Antonio Brunno. Ainda em vida ele doava cesta básicas a pessoas pobres, então, em outubro de 2013 selecionamos 12 famílias pobres e que tinham pessoas em tratamento contra o câncer para fazermos doações de cestas básicas. Em um ano, já
eram 110 famílias e atualmente 120 famílias estão sendo assistidas com esse projeto", informou Antonio Lima Sousa.

"As cestas básicas são distribuídas a famílias de localidades como Alto do Pinho, Maioba, Maracanã, Novo Cohatrac e Anjo da Guarda. As cestas custam de R$ 117,00 a R$ 200,00 e são compradas com o apoio de 10 benfeitores que doam para a fundação", explicou o pai de Antonio Brunno Pessoa Sousa.
Outro projeto desenvolvido pela casa é o Tempo de Aprender, que oferece aulas de violão todas as quarta-feiras para os pacientes abrigados pela fundação. "Nós percebemos que muitos dos nossos pacientes não eram alfabetizados, então criamos mais um projeto, o Arte e Prazer. Três pedagogas vêm todos os sábados até a fundação para alfabetizar essas pessoas", disse Antonio Lima Sousa.

No projeto Dr. Gilvan Porto, pessoas assistidas pela fundação Antonio Brunno recebem aulas de informática

Mais recentemente foi criado o projeto Dr. Gilvan Porto, que garante ainda a inclusão digital dos pacientes. "Conseguimos agora um carro que leva os pacientes para o hospital. Em Barretos, durante o tratamento, Antonio Brunno percebeu que as ambulâncias levavam os pacientes de casa para fazer quimioterapia no hospital. Então, ele incluiu no seu projeto que a casa de apoio deveria cuidar também do transporte dos pacientes. Agora, temos um carro que nos dá esse suporte", contou.

Você pode doar o seu tempo, o seu trabalho, o seu ouvido, o que tem dentro de você. A caridade não é apenas você doar roupas, alimentos. A caridade é você doar-se"Indira Moura, voluntária

Gratidão - O trabalho prestado pela fundação é visto com gratidão pelos pacientes acolhidos na casa como Francisco das Chagas Santos Melo Macêdo, 71 anos. Aposentado, ele foi diagnosticado com câncer de próstata e veio de Presidente Dutra para São Luís fazer o tratamento no Hospital Aldenora Bello.

Sem ter condições de se manter na capital, ele encontrou apoio na fundação. "Quando soube do câncer, caí em uma tristeza muito grande, porque passa um filme na cabeça da gente. Eu não posso operar, nem fazer quimioterapia por causa da minha idade e porque tenho problemas cardíacos, diabete e hipertensão.

Eu não sei quanto tempo vai durar o tratamento, mas estou tranquilo, porque tenho todo o suporte que preciso aqui", disse o aposentado que mora na fundação junto com a esposa.

E o trabalho da fundação inspirou também Indira Moura, que há um ano e meio perdeu o pai, vítima do câncer. Hoje, ela é uma das voluntárias da casa. "A gente acha que nunca tem tempo, mas quando meu pai adoeceu e nós tivemos de parar para cuidar dele, percebemos que cuidar tem disso, esse tempo, dedicação, doar um abraço, doar o ouvido. As pessoas enfermas precisam disso. Foi por meio da doença do meu pai que eu conheci a realidade das pessoas com câncer e as casas de apoio Antonio Brunno e Aldenora Bello", contou.

Francisco das Chagas encontrou na fundação o apoio para seu tratamento

“Quero enfrentar o câncer de frente como o Antonio Brunno enfrentou. Até a última hora ele foi alegre e escreveu o projeto para que seus pais dessem continuidade a esse trabalho que hoje serve a mim também”Francisco das Chagas Santos Melo Macêdo, 71 anos

do, 71 anos

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