Mais uma morte

Mais um recém-nascido morre na Maternidade Carmosina Coutinho

Filho de Elinalda da Silva nasceu morto e hospital, que já foi centro de polêmica por causa do alto número de óbitos, não deu explicação
10/07/2015 às 16h35
Maternidade Carmosina Coutinho é apontada como um dos locais no país onde mais morrem recém nascidos (Maternidade Caxias )

Caxias - Não adiantou a interferência do Governo do Estado, nem cobranças por parte do Ministério da Saúde, porque esta semana mais uma criança recém-nascida morreu sem nenhuma explicação na Maternidade Carmosina Coutinho, em Caxias, apontada como um dos locais no país onde mais morrem recém nascidos todos os anos. Segundo o Ministério da Saúde, em 2014 mais de 100 crianças morreram na maternidade.

Desta vez, a parturiente Elinalva da Silva deu entrada na maternidade, por volta das 10h de terça-feira, 7, sentindo dor. Ela já estava no nono mês de gestação e foi conduzida ao hospital pelo marido, Edson Silva, que explicou que a esposa teve gestação normal, fez o pré-natal corretamente, na rede pública, foi submetida a exames e nada de anormal foi constatado.

“Eram 13h, quando ela sentiu as dores mais fortes. Só tinha uma enfermeira atendendo. Só quando viram que era grave foi que chamaram o médico. Para mim foi negligência meu filho ter nascido morto. Estava tudo bem como ele. Ele era saudável. Houve descaso da maternidade”, disse o pai da criança. Sobre mais essa morte, a direção da Maternidade Carmosina Coutinho não quis se pronunciar.

Tristeza - No quarto do bebê que receberia o nome de Edson Eduardo da Silva Barbosa ficou o berço arrumado para recebê-lo e o desejo de justiça. O pai da criança registrou o boletim de ocorrência no 2°Distrito Policial (DP), localizado no Bairro Campo de Belém, onde fica também a maternidade e exigiu que o corpo da criança fosse autopsiado pela equipe do Instituto de Criminalística para descobrir a verdadeira causa da morte, já que a esposa teve uma gestação saudável e com o acompanhamento médico.

“Foi uma dor muito grande sair sem meu filho vivo da maternidade e, ainda, ter de levar ele para Timon para ser aberto. Mas eu quero que a Justiça seja feita e se tiver responsáveis eles terão de ser punidos. Porque ninguém sabe a dor de perder um filho. A mãe dele está sofrendo e eu também”, disse Edson Silva.

Apesar de ter registrado o Boletim de Ocorrência, o delegado regional Jair Paiva Lima explica que o inquérito ainda não será instaurado. Segundo ele, será necessário, ainda, o resultado do exame cadavérico. Se ele comprovar que houve negligência médica ou que a causa da morte foi a demora ou complicação durante o parto, aí sim o inquérito será instaurado. O pai da criança disse que vai aguardar o resultado do laudo e que não vai deixar que a morte do filho passe impunemente.

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