ALCÂNTARA

Alcântara: Divino poderá se tornar patrimônio imaterial

Prefeito Domingos Araken anunciou que já foi iniciado o processo para que a Festa do Divino, que foi aberta ontem na cidade, se torne patrimônio cultural
14/05/2015

A tradicional Festa do Divino Espírito Santo, que teve início ontem no município de Alcântara, poderá se tornar o mais novo Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Durante a abertura oficialmente da festa, que aconteceu durante a tarde, o prefeito Domingos Araken anunciou que já foi iniciado o processo para que o ritual se torne um patrimônio imaterial do país, da mesma forma como já é o Bumba Meu Boi e o Tambor de Crioula, que são expressões da identidade do povo maranhense.

Desde o ano de 2013, o Instituto do trimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) notificou a prefeitura e a Secretaria Municipal de Cultura de Alcântara para que fosse iniciado o processo de registro para o reconhecimento da Festa do Divino Espírito Santo como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Contudo, esse processo somente ocorreu há poucos dias.

De acordo com Valdecir Cantanhede, diretor de Cultura da Secretaria Municipal de Cultura de Alcântara, a primeira etapa para que a festa seja transformada em patrimônio imaterial é a coleta de assinaturas de pessoas que reconhecem a importância do ritual ser caracterizado como esse tipo de patrimônio.

Em seguida, esse livro de assinatura é entregue ao Iphan e uma equipe multidisciplinar formada por historiadores, antropólogos e outros profissionais iniciam o trabalho de coleta de dados e informações a respeito da festa. Todo esse trabalho pode se estender por alguns anos. Apesar disso, Cantanhede frisou que a transformação da Festa do Divino em patrimônio imaterial é de grande importância para a valorização e perpetuação da cultura local.

“A Festa do Divino criou uma identidade muito forte com a cidade. Quando falamos em Alcântara, lembramos da Festa do Divino e quando se fala na Festa do Divino, nos lembrados de Alcântara. A festa sendo reconhecida como Patrimônio Imaterial fortalece a identidade e faz com que seja mais valorizada o povo e a cidade. Além disso, também se prepara um material escrito para as próximas gerações”, frisou Valdecir Cantanhede.

Divino – Este ano a festa de Alcântara – de caráter secular e uma das mais tradicionais do Maranhão - tem como tema Divino da Paz e é uma realização da comunidade de Alcântara com patrocínio oficial da Prefeitura Municipal.

Um dos principais destaques da festa são as caixeiras, mulheres que se encarregam de tocar caixas (instrumentos de percussão) e entoar cânticos, repetidos de cor ou improvisados, em louvor ao Divino Espírito Santo.

A programação, que segue até o dia 25 deste mês, terá alvorada das caixeiras, missas na igreja do Carmo, passeata do Cortejo pelas ruas da cidade e prisão dos mordomos pelo Império, entre outros rituais. No encerramento, haverá a entrega dos postos aos novos festeiros de 2016, às 9h, na Casa do Divino de Alcântara.

Tradição - Conforme a tradição, toda a festa do Divino gira em torno do Império ou Reinado. Crianças representando a Corte Imperial usam trajes de nobres e são tratadas como tais durante os dias da festa. O Império do Divino se estrutura de acordo com a hierarquia, no topo da qual estão o imperador ou a imperatriz. Abaixo se posicionam os mordomos-régios e as mordomas-régias e o mordomo-mor e a mordoma-mor.

O culto ao Divino Espírito Santo iniciou-se na cidade de Alenquer (Portugal), no século XIII, por iniciativa da rainha Dona Isabel, devota do Espírito Santo. No Brasil, essa tradição começou no século XVI. No Maranhão, teve início por volta do século XVIII, em meados do século XIX. A tradição da festa do Divino está firmemente enraizada entre a população da cidade de Alcântara, de onde teria se espalhado para o resto do estado, tornando-se muito popular entre as diversas camadas da sociedade.

A cada ano, ao final da festa, imperador e imperatriz repassam seus cargos aos mordomos que os ocuparão no ano seguinte, recomeçando o ciclo. No Maranhão, entre os elementos mais importantes da festa do Divino estão as caixeiras: senhoras devotas que cantam e tocam caixa acompanhando todas as etapas da cerimônia. As caixeiras no Maranhão são, em sua maioria, mulheres negras com mais de 50 anos. Elas são portadoras de uma rica tradição, que se expressa nas cantigas que pontuam cada uma das etapas da festa.

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Patrimônio cultural imaterial (ou patrimônio cultural intangível) é uma concepção de patrimônio cultural que abrange as expressões culturais e as tradições que um grupo de indivíduos preserva em respeito da sua ancestralidade, para as gerações futuras. São exemplos de patrimônio imaterial: os saberes, os modos de fazer, as formas de expressão, celebrações, as festas e danças populares, lendas, músicas, costumes e outras tradições.

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