DENÚNCIA

Indígenas afirmam que morte no Maranhão tem ligação com madeireiros

O índio Eusébio Ka’apor, da aldeia Xiborendá, no município de Centro do Guilherme, foi morto no último dia 26.
Com informações da Agência Brasil02/05/2015 às 13h54

Lideranças da Terra Indígena Alto Turiaçu, no Maranhão, associam a morte do índio Eusébio Ka’apor, da aldeia Xiborendá, à ação de madeireiros do município de Centro do Guilherme, localizado no oeste do estado.

Segundo o CIMI, Conselho Indigenista Missionário, Eusébio tinha 42 anos e foi morto no último dia 26. Ele estava na garupa de uma motocicleta, quando foi abordado por dois homens encapuzados. O indígena foi atingido por um tiro nas costas e morreu a caminho do hospital.

Para um morador da aldeia Xiborendá, que pediu para não ser identificado, o assassinato de Eusébio ocorreu devido a ações de autofiscalização e vigilância territorial pelos Ka’apor. Em março deste ano, todos os ramais de invasão madeireira da Terra Indígena Alto Turiaçu foram fechados.

O indígena lamenta a morte de Eusébio e pede justiça. “O Euzébio ele foi um representante da comunidade indígena Kaapo, guerreiro para lutar para defender a natureza pro nosso povo, neto filho e pro mundo inteiro. Por isso ele foi morto; a gente tá muito revoltado com isso. Nós queremos que o governo faça um trabalho, tanto para a proteção territorial, pela proteção da vida do ser humano e a justiça seja vingada pelo acontecimento do representante Eusébio", afirmou

De acordo com a coordenadora do Cimi no Maranhão, Rosana de Jesus Diniz, a violência contra os indígenas tem se intensificado depois do fechamento do último ramal madeireiro. “Por conta desse processo de autofiscalização que esse povo vem realizando, eles começaram a sofrer grandes represálias; essa repressão, os indígenas sempre atribuem a grupos políticos e econômicos locais e, envolvimento também dessa classe com madeireiras da região", ressaltou

Rosana ainda lamenta a lentidão das ações sobre denúncias de crimes ambientais praticados por invasores dentro do território indígena. “Vários documentos de denúncia foram feitos por esse povo e protocolados, nas secretarias de segurança aqui do estado, no Ministério Público Federal; e nós do Cimi também protocolamos já e também viabilizamos audiências e reuniões com várias autoridades, denunciando essa situação. Então todas as autoridades, elas estão sabendo do que se passa na Terra Indígena Alto Turiaçu.”

A CPT – Comissão Pastoral da Terra – também comentou em seu site o caso. A entidade declarou que a luta dos Kaapor em defesa do território desagrada madeireiros há algum tempo. Para a entidade, a política indigenista em curso no país é omissa no que tange ao cumprimento das diversas obrigações constitucionais e da efetivação dos direitos indígenas.

A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão divulgou nota informando que foi criado grupo especial para apurar as circunstâncias desse assassinato.

Por telefone, a assessoria de comunicação da Funai informou que não vai se pronunciar sobre a morte do índio, até que sejam concluídas as investigações.

A reportagem aguarda informações do Ministério Público Federal.

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