Empresas passadas de pai para filho se mantém em São Luís

O sonho de quem empreendeu há três décadas era manter estabelecimentos e ter nome lembrado por netos e bisnetos
Jock Dean Da equipe de O Estado19/04/2015 às 00h00
Divulgação (T)

Um negócio é muitas vezes encarado como um filho por muitos empresários. Mesmo porque foi algo gerado por eles, que precisa de cuidados intensos, investimentos em potenciais áreas de desenvolvimento e atenção redobrada nos primeiros anos de vida. Não à toa, passar o bastão do comando da empresa para os filhos é para alguns a melhor maneira de perpetuar a companhia e estreitar o laço entre a história da família com ela. São histórias do tipo que O Estado começa a contar a partir de hoje, na série Firmas Tradicionais e as Novas Gerações.

Algumas das empresas de São Luís têm quase um século de atendimento ao público. Mas as primeiras organizações comerciais de São Luís foram as feiras, dentre as quais se destaca como a mais antiga da capital a Casa das Tulhas, localizada no bairro Praia Grande. Primeiro centro polarizador do comércio maranhense, a Praia Grande foi, nos séculos XVIII e XIX, a sede das primeiras atividades econômicas de médio e grande porte do estado, ali se instalando grandes firmas comerciais, que abasteciam São Luís e o interior do Maranhão.

Sua construção foi requerida durante os anos 1780, quando surgiu a necessidade da criação de uma praça pública para a comercialização dos produtos na área. Mas o Governo da Província, na época sob o comando de Antônio de Saldanha da Gama, só autorizou sua construção em 1804. Sem interesse de arcar com os custos do projeto, foi ordenado a José da Costa Oliveira, comerciante de cachaças, que construísse com recursos próprios o terreiro público. A obra foi finalizada em 1805 e era composta de três quarteirões de barracas de madeira.

Casa das Tulhas - Em 1820, a administração do espaço passou aos órgãos públicos, quando se estabeleceram as regras para seu funcionamento. Três anos antes, havia se instalado ali uma tulha, local para venda de grãos, com o objetivo de baratear os custos da farinha para a população, o que viria a denominar aquele local como Casa das Tulhas, que nos dias atuais é conhecida popularmente como Feira da Praia Grande.

O pesquisador José de Ribamar Reis mostra que durante aquele período o espaço passou a ser administrado por uma diretoria, composta por funcionários remunerados para atender às questões burocráticas, modelo administrativo que foi destituído no ano de 1833, em razão de problemas políticos e administrativos, como desvio de verbas, excesso de regulamentação e complicações com tarifas e fiscalização. Esse fracasso administrativo culminou na extinção da feira.

No ano de 1855, a Casa das Tulhas foi incorporada à Companhia Confiança Maranhense, formada pelos comerciantes locais, que empreendeu uma reforma no local com o objetivo de aprimorar as instalações do prédio do mercado. Com isso, foram derrubadas as barracas de madeira e construído um edifício regular, entregue no ano de 1861. Um ano depois, a Casa da Praça, como foi chamado aquele prédio, recebeu autorização para funcionamento. A Companhia Confiança Maranhense teve o direito de explorar e arrendar os boxes que formavam a Casa da Praça, ou Casa das Tulhas, como continuou sendo chamada, até o ano de 1895, quando então passou a ser administrada pela Câmara Municipal.

Mercado Central - Nas proximidades do Centro Histórico, foi construído em 1864 o prédio do Mercado Novo, que durante o período do governo de Paulo Ramos (1936-1945) foi transferido e instalado na Avenida Magalhães de Almeida e passou a ser chamado de Mercado Central, sendo o segundo mais antigo mercado da capital maranhense.

Cerca de 65 anos após suas construção, o Mercado Central de São Luís foi demolido e reconstruído, por isso a denominação Mercado Novo. Ele já foi chamado também de Largo do Açougue Velho, na década de 1940, quando ali existia um curtume que tinha relação com o curral municipal. Ocupando um quadrilátero retangular entre a Rua de São João e o fim da Avenida Magalhães de Almeida, o local reúne cerca de 450 estabelecimentos e mantém direta e indiretamente mil trabalhadores em média, além de todas as pessoas envolvidas na logística do processo, desde o transporte de mercadorias vindas de locais distantes até arrumadores e pessoal da limpeza.

Nele se encontra o que de mais peculiar e que ludovicense tem em suas raízes: frutas e bebidas regionais, doces caseiros, ervas, plantas medicinais, caças, grãos, além de carnes, aves, peixes, mariscos, legumes, hortaliças, artesanato em palha, couro e madeira, gaiolas, vassouras, funis e diversas quinquilharias. Os boxes da área externa concentram as maiores exposições de artigos de artesanato. Os internos são, em sua maioria, ocupados pelos vendedores de gêneros alimentícios não perecíveis e dos diversos tipos de carne.

Mercado do Anjo da Guarda - Dentro do percurso histórico de formação da cidade de São Luís no contexto das feiras e mercados, de acordo com documentos da Secretaria Municipal de Agricultura, Pesca e Abastecimento (Semapa), uma das feiras mais antigas, após o Mercado da Praia Grande e o Mercado Central, é o Mercado do Anjo da Guarda, construído na década de 1960.

A partir dessa década, chegaram grandes empreendimentos, como a Estrada de Ferro Carajás (EFC), o Complexo da Alumar e o Porto do Itaqui, que atraíram milhares de pessoas para a cidade. Nesse mesmo período, as grandes pontes da cidade foram construídas - Governador Newton Bello, interligando o Ipase à Ivar Saldanha; Governador José Sarney, ligando o Centro Histórico ao São Francisco; e Bandeira Tribuzi, que interliga o Centro de São Luís e o Jaracati -, além da Barragem do Bacanga.

Todas essas construções permitiram a expansão da cidade para além do eixo Centro-Rio Anil. A partir daí, São Luís entrou em um ritmo acelerado de crescimento urbano, econômico e populacional. Com isso, outras áreas da cidade foram se consolidando como centros populacionais e comerciais. Por meio desse processo de migração da população para áreas mais internas da ilha de São Luís, os espaços das feiras e mercados começaram a se multiplicar pelos bairros que foram se constituindo.

Saiba mais

Primeiro centro comercial para além do Centro

Assim como o Monte Castelo e o Anil, o João Paulo faz parte do conjunto de bairros de São Luís que se desenvolveram a partir da segunda metade dos anos 1800. Esses bairros tinham uma característica comum: dispunham de algum elemento de prestação de serviço público ou privado que se tornava referência para os transeuntes da via. A partir da década de 1920, a consolidação desses bairros determinou o deslocamento das atividades comerciais ao longo do novo eixo viário principal, as avenidas Getúlio Vargas e João Pessoa. O João Paulo, até então considerado subúrbio, tornou-se o primeiro subcentro funcional da cidade com intensa atividade comercial.

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