SÃO LUÍS – A morte de Renata Rebeca Negrão Saldanha dos Santos, de 26 anos, após cair do sétimo andar do Rio Poty Hotel, no bairro Ponta d'Areia, em São Luís, continua sendo investigada pela Polícia Civil do Maranhão. O caso aconteceu por volta de 1h30 da madrugada de terça-feira (3) e é tratado, inicialmente, como morte acidental.
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Imagens de câmeras de segurança registraram os momentos que antecederam a queda. Segundo a investigação, Renata tentou se sentar no batente de uma janela do corredor do hotel quando uma estrutura de alumínio se desprendeu após ela apoiar as costas, provocando a queda do sétimo andar.
O namorado da jovem, Leonardo Augusto Pinto França, estava no corredor no momento do ocorrido. Ele prestou depoimento e foi liberado. De acordo com a Polícia Civil, as imagens não mostram agressão ou empurrão, e Leonardo não é considerado suspeito.
Após a morte, o Corpo de Bombeiros realizou uma vistoria no hotel e identificou irregularidades relacionadas às medidas de segurança contra incêndio e pânico. O estabelecimento foi notificado e multado. No entanto, a fiscalização não determinou as causas do desprendimento da janela, que seguem sob análise da Perícia Oficial.
A investigação ainda busca esclarecer as condições de segurança e conservação da estrutura, além de verificar se possíveis falhas contribuíram para a morte da jovem.
Confira o que já se sabe e quais perguntas ainda precisam ser respondidas sobre o caso.
Quem era Renata Rebeca?
Renata Rebeca Negrão Saldanha dos Santos tinha 26 anos, morava em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, no Pará, e cursava Administração. A jovem era mãe de dois filhos pequenos.
Ela estava em São Luís desde 28 de outubro, acompanhando o namorado, Leonardo Augusto Pinto França, em um campeonato de pôquer. O casal, que mantinha um relacionamento desde julho deste ano, estava hospedado no Rio Poty Hotel e tinha previsão de retornar ao Pará na terça-feira (3), mesmo dia em que ocorreu a queda.
Como aconteceu a queda do sétimo andar?
Segundo a Polícia Civil, Renata e o namorado estavam no corredor do sétimo andar do hotel e procuravam a chave do quarto quando a jovem decidiu se sentar no batente de uma janela.
Ao apoiar as costas em uma estrutura de alumínio, a peça cedeu, fazendo com que Renata caísse sobre uma marquise localizada na entrada do estabelecimento.
A jovem chegou a ser socorrida, mas não resistiu. O corpo foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) no início da tarde de terça-feira (3) e encaminhado ao Pará, onde ela morava com a família.
As circunstâncias que provocaram o desprendimento da estrutura ainda são investigadas.
O que mostram as câmeras de segurança?
Imagens obtidas pela TV Mirante mostram Renata e Leonardo caminhando pelo corredor do hotel momentos antes da queda.
Em determinado momento, Leonardo aparece encostado em uma parede, próximo à janela, enquanto parte da estrutura se abre. Em seguida, os dois começam a procurar a chave do quarto.
Renata aparece carregando uma mochila, que cai no chão. Depois, ela se senta no batente da janela e apoia as costas na estrutura de alumínio, que se desprende, provocando a queda.
Após o ocorrido, Leonardo permanece parado por alguns segundos, até ser abordado por um funcionário do hotel.
As gravações são consideradas importantes para a investigação, pois ajudam a reconstruir a sequência dos acontecimentos e a esclarecer as circunstâncias da morte.
O namorado é considerado suspeito?
Não. Segundo a Polícia Civil, Leonardo Augusto Pinto França não é considerado suspeito pela morte de Renata.
O delegado George Marques, da Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), explicou que as imagens não indicam qualquer agressão ou empurrão e mostram que o namorado não estava próximo da jovem no instante da queda.
Leonardo foi ouvido pela polícia e liberado. Durante o depoimento, relatou que havia consumido bebidas alcoólicas naquela noite e que não se lembra do momento do acidente.
De acordo com a investigação, o casal aparentava estar sob efeito de álcool.
A principal hipótese considerada pela Polícia Civil é a de morte acidental. Entretanto, a apuração continua para esclarecer as condições da estrutura que se desprendeu.
O que a perícia investiga na janela do hotel?
A Perícia Oficial realizou exames no Rio Poty Hotel para identificar o que provocou o desprendimento da estrutura de alumínio da janela.
De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), os trabalhos incluem a avaliação da estrutura envolvida na queda, com o objetivo de verificar possíveis irregularidades que possam ter contribuído para o ocorrido.
Entre os pontos que precisam ser esclarecidos estão as condições de instalação, fixação, conservação e manutenção da janela.
Até o momento, não há conclusão técnica sobre as causas do desprendimento da peça. Também não foi confirmado se havia defeitos estruturais ou falhas de manutenção.
Os resultados dos exames devem ajudar a Polícia Civil a determinar as circunstâncias da morte e a avaliar a eventual responsabilidade de terceiros.
Hotel foi multado após vistoria dos bombeiros
O Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA) realizou uma vistoria no Rio Poty Hotel na quinta-feira (5), dois dias após a morte de Renata.
Durante a fiscalização, foram identificadas irregularidades nas medidas de segurança contra incêndio e pânico, incluindo a ausência de um Certificado de Aprovação atualizado, documento que comprova o atendimento às exigências de segurança previstas na legislação.
Diante das irregularidades, o hotel foi notificado e multado. Os bombeiros também determinaram a instalação imediata de barreiras de proteção em áreas consideradas vulneráveis.
A corporação esclareceu, no entanto, que a vistoria se concentrou nas medidas de segurança contra incêndio e pânico. A análise das condições da janela envolvida na queda é realizada separadamente pela Perícia Oficial.
Portanto, as irregularidades identificadas pelos bombeiros não comprovam, por si só, que houve falha estrutural responsável pela morte da jovem.
O que diz o Rio Poty Hotel?
Em nota, o Rio Poty Hotel lamentou a morte de Renata Rebeca e manifestou solidariedade aos familiares e amigos da vítima.
A administração informou que está colaborando com as autoridades e acompanhando as investigações conduzidas pela Polícia Civil.
A TV Mirante procurou o estabelecimento, que recebeu a equipe de reportagem, mas não concedeu entrevista. Posteriormente, ao ser questionado sobre as condições das janelas do prédio, o hotel informou que não iria se manifestar.
Um amigo de Renata, que preferiu não ser identificado, questionou as condições de manutenção das janelas e afirmou que a assistência oferecida pelo estabelecimento à família não cobriu todas as despesas.
Ele também demonstrou preocupação com a segurança de outros hóspedes, especialmente crianças, diante da possibilidade de uma ocorrência semelhante.
As declarações levantam questionamentos sobre as condições de segurança do prédio, mas ainda não há conclusão pericial que confirme irregularidades na janela responsável pela queda.
O que ainda falta esclarecer sobre a morte?
Apesar de a Polícia Civil trabalhar com a hipótese de morte acidental, a investigação ainda depende de resultados periciais para esclarecer questões importantes sobre o ocorrido.
Entre os pontos que permanecem sem resposta estão:
- O que provocou o desprendimento da estrutura de alumínio da janela?
- A instalação atendia às normas técnicas de segurança aplicáveis ao edifício?
- Havia problemas de conservação, fixação ou manutenção que possam ter contribuído para a queda?
- A altura da janela e os dispositivos de proteção eram adequados às exigências de segurança?
- Existe alguma responsabilidade pela falta de proteção ou pelo desprendimento da estrutura?
Além dos exames periciais, a Polícia Civil deverá ouvir outras pessoas, incluindo funcionários e representantes da administração do hotel, para reunir mais informações sobre as condições do local.
Até a conclusão dos laudos, não é possível determinar se o desprendimento da janela ocorreu por falha de instalação, desgaste da estrutura, falta de manutenção ou outro fator.
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