entrevista ao Radar Imirante

Eliziane Gama avalia vitória de Lula e comenta possível cargo no governo

Em entrevista ao Radar Imirante, senadora do PT-MA comentou a vitória de Lula, a mobilização popular no segundo turno e a possibilidade de integrar o novo governo.

Ipolítica

SÃO LUÍS – A senadora Eliziane Gama (PT-MA) criticou a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil após a derrota na eleição presidencial e voltou a defender o reforço da segurança em Brasília. Em entrevista ao Radar Imirante, nesta quarta-feira (28), a parlamentar afirmou que o episódio exige atenção das autoridades para evitar possíveis ameaças às instituições democráticas.

Eliziane, que foi relatora da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro, comparou o cenário atual aos acontecimentos posteriores às eleições de 2022. Na terça-feira (27), ela encaminhou ofícios a autoridades, incluindo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o Ministério da Defesa e os presidentes do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando medidas preventivas.

“Eu alerto porque no ano, em 2022, quando o Bolsonaro perdeu eleição, houve uma sensação de tranquilidade depois do dia 14 de dezembro, quando o presidente foi diplomado”, afirmou.

A senadora disse que a ausência de manifestações durante parte do período entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023 contribuiu para uma falsa sensação de segurança antes dos ataques às sedes dos Três Poderes.

“Pra gente garantir o Estado democrático de direito é vigilância permanente. Não se pode, na verdade, imaginar de que tudo tá resolvido. A democracia é uma luta constante”, declarou.

Eliziane chama saída de Flávio Bolsonaro de vergonhosa

Ao comentar a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, a senadora classificou a atitude como “vergonhosa” e afirmou que o senador deveria aceitar o resultado eleitoral.

“Ele é senador, né, ele tem um partido que tem no Senado Federal a maior quantidade de senadores eleitos nessa eleição. Ele tem no Congresso Nacional uma maioria de parlamentares aliados a ele, né, e a família dele tá no Brasil e tudo ele resolve fugir do Brasil um dia depois da eleição”, disse.

Flávio foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, realizado no domingo (25). A viagem do senador ao exterior ocorreu em meio a questionamentos sobre o resultado eleitoral e a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para que entregasse os passaportes.

Eliziane comparou a situação à própria experiência eleitoral. Ela afirmou que, após perder a disputa no Maranhão, passou a se dedicar à campanha de Lula.

“Quando você perde, você aceita o resultado da eleição. Eu mesmo perdi a eleição do Maranhão. Eu perdi no domingo, segunda-feira, eu tava na campanha do presidente Lula”, declarou.

A parlamentar defendeu que a democracia exige respeito ao resultado das urnas e acompanhamento permanente de possíveis ameaças.

Senadora vê semelhanças com o período anterior ao 8 de Janeiro

Eliziane afirmou que os acontecimentos recentes precisam ser observados à luz da experiência de 2022 e 2023. Na avaliação dela, a tranquilidade aparente após a eleição daquele ano não impediu os ataques de 8 de janeiro.

A senadora também pediu atenção dos serviços de inteligência para prevenir possíveis episódios de violência nos próximos dias.

“Um dos elementos que levam a isso é exatamente a tranquilidade, a letargia. E a gente realmente não pode ficar assim. Nós temos que ficar atentos”, afirmou.

Os ofícios enviados pela parlamentar pedem o acompanhamento de possíveis ameaças de violência política, o compartilhamento de informações entre órgãos competentes e a avaliação de medidas de proteção às sedes dos Poderes, sem comprometer o direito a manifestações pacíficas.

Eliziane avalia vitória de Lula e mobilização popular

Na entrevista, a senadora também avaliou a reeleição de Lula e afirmou que a campanha do segundo turno foi marcada por uma ampla mobilização popular.

Segundo Eliziane, a participação de jovens, estudantes universitários, influenciadores digitais e eleitores idosos teve papel importante no resultado. Ela destacou que, no Maranhão, a população participou de caminhadas e ajudou a organizar atividades de campanha.

“A gente da classe política fez a nossa parte”, disse. Para ela, porém, o envolvimento popular foi o principal destaque da mobilização.

A parlamentar também afirmou que Lula deverá ampliar a participação da sociedade na gestão que começa em 2027. Na avaliação dela, o presidente percebeu, durante a campanha, a importância de manter diálogo direto com a população e incorporar suas demandas às ações do governo.

Eliziane disse ainda que espera uma nova etapa da política brasileira, com mais debates sobre propostas e respeito às divergências.

Senadora diz estar à disposição do próximo governo

Questionada sobre a possibilidade de assumir um ministério ou uma secretaria no próximo governo Lula, Eliziane afirmou que está à disposição do presidente e do PT, mas disse não saber qual função poderá exercer.

A senadora explicou que a composição ministerial depende das articulações com os partidos e da necessidade de construir uma base de apoio no Congresso Nacional.

“Não sei efetivamente qual ação ou qual função eu terei nesse governo, mas seja ela qual for, seja no governo, seja no meu partido mesmo, no comando partidário aqui em Brasília, ou seja, em alguma função do governo do presidente Lula, o que for me colocado, eu darei o melhor de mim”, afirmou.

 

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