Eleições 2026

Flávio Bolsonaro não reconhece derrota para Lula e anuncia pedido de anulação da eleição

Candidato do PL questionou a prorrogação da votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, e afirmou que recorrerá à Justiça Eleitoral.

Imirante.com

Flávio Bolsonaro contesta derrota para Lula, critica decisão de Cristiano Zanin sobre horário de votação e anuncia pedido de anulação da eleição. (Joédson Alves/Agência Brasil)

BRASÍLIA – Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou neste domingo (25) que não reconhece o resultado e anunciou que pedirá a anulação da votação. O candidato questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou em duas horas o encerramento da votação.

Flávio alegou que a medida alterou as regras durante o processo eleitoral e comprometeu a igualdade de condições entre os eleitores. O senador também criticou o fato de a decisão ter sido tomada por um integrante do STF, e não do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi inclusive inaceitável”, declarou.

Segundo o candidato, sua equipe jurídica será acionada para contestar o resultado.

“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, afirmou.

A declaração ocorreu após a confirmação da vitória de Lula pelo TSE, às 21h08. Naquele momento, com 97% das urnas apuradas, o presidente tinha 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio Bolsonaro.

Flávio questiona prorrogação do horário de votação

O principal argumento apresentado pelo senador é a decisão de Cristiano Zanin de estender o horário de votação em duas horas.

Flávio afirmou que o ministro teria interferido no processo eleitoral ao determinar a mudança depois do horário previsto para o encerramento da votação. Ele também mencionou a atuação anterior de Zanin como advogado de Lula.

Na avaliação do candidato derrotado, a prorrogação teria provocado diferenças nas condições de votação entre municípios.

“Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades, de diferentes estados. Eu nunca vou saber se no estado aonde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter”, disse.

Apesar das críticas, a própria campanha de Flávio Bolsonaro havia solicitado ao TSE, na tarde deste domingo, a ampliação do horário de votação em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina.

O pedido foi apresentado antes do pronunciamento em que o senador contestou a decisão de Zanin.

Presidente do TSE afirma ter segurança no processo eleitoral

Após a confirmação da vitória de Lula, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, declarou ter “absoluta segurança de todo o processo eleitoral”.

Nunes Marques foi indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio Bolsonaro.

A manifestação do presidente do TSE ocorreu no mesmo dia em que o candidato derrotado anunciou a intenção de recorrer à Justiça Eleitoral.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também reconheceu o processo eleitoral. O procurador-geral Paulo Gonet Branco afirmou que o Ministério Público cumpriu sua função de fiscalização, combate a irregularidades e defesa da vontade dos eleitores.

“A democracia se fortalece quando as regras são cumpridas e cada pessoa pode exercer seu direito de escolha de forma livre”, declarou.

Gonet acrescentou que o respeito ao resultado das urnas fortalece as instituições democráticas e a legitimidade da representação política.

Lula conquista quarto mandato após virada no segundo turno

A contestação de Flávio Bolsonaro ocorre após uma disputa em que Lula reverteu o resultado do primeiro turno.

Na votação de 4 de outubro, Flávio havia terminado à frente, com 47% dos votos válidos, contra 45% do presidente. No segundo turno, realizado neste domingo (25), Lula passou à frente e teve a vitória confirmada pelo TSE.

O resultado garantiu ao petista seu quarto mandato na Presidência da República. Lula, que completa 81 anos na terça-feira (27), tornou-se o primeiro presidente brasileiro eleito quatro vezes pelo voto popular.

O presidente venceu suas primeiras eleições em 2002 e 2006 e retornou ao Palácio do Planalto em 2023, após derrotar Jair Bolsonaro na disputa de 2022.

A nova vitória ocorreu após uma campanha marcada por mobilizações nas ruas e nas redes sociais.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou que pretende contestar judicialmente o resultado. A fonte não informa quando o pedido de anulação será apresentado.

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