COLUNA
Cristiano Sardinha
Cristiano Sardinha é escritor, professor e tabelião. Mestre em Cultura e Sociedade pela UFMA e Doutor em Direito Constitucional pela UNIFOR, é autor de romances e livros jurídicos.
Cristiano Sardinha

Jesus Cristo não é cabo eleitoral

A fé deve aproximar as pessoas, enquanto a política deve respeitar a liberdade religiosa sem transformar a religião em instrumento eleitoral.

Cristiano Sardinha

A fé deve aproximar as pessoas, enquanto a política deve respeitar a liberdade religiosa sem transformar a religião em instrumento eleitoral. (Reprodução)

Como se não bastasse o apartheid social que vivenciamos por conta dos extremistas que tomaram conta da política brasileira, resolveram promover uma guerra religiosa às vésperas das eleições. A sensação é de que retrocedemos no tempo para uma era de intolerância e obscurantismo.

Em vez de os candidatos debaterem questões urgentes relacionadas à melhoria da educação, da saúde e da segurança, cujos índices são lastimáveis, estão vergonhosamente usando o nome de Jesus e de Nossa Senhora nos palanques eleitorais.

A boa política constrói pontes que unem, não muros que segregam. O eleitor mais atento tem consciência de que aqueles que não respeitam a fé alheia ou a utilizam em benefício próprio são os menos merecedores de confiança.

Não há como mensurar quanta tristeza, miséria e morte ocorreram ao longo da história por causa de homens sedentos de poder que se intitularam “escolhidos de Deus”.

A Constituição Federal e as normas de direito internacional asseguram a liberdade de crença, de culto, de manifestação e de organização religiosa. Dessa maneira, todo ser humano possui o direito de escolher ou mudar de religião, bem como de ser ateu.

Nos ensinamentos de Jesus Cristo registrados nos evangelhos, encontramos: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” Sendo assim, não se pode confundir o reino de Deus com interesses e deveres mundanos.

A mensagem cristã de “amar ao próximo como a si mesmo” promove união, fraternidade e dignidade, não se curvando aos desejos obscuros e mesquinhos daqueles que almejam o poder.

A fé deve servir para aproximar as pessoas, jamais para dividi-las em busca de votos. Jesus Cristo não é cabo eleitoral.


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