SÃO LUÍS - O candidato do Partido da Causa Operária (PCO), Dimas Cassimiro, divulgou seu programa de luta para as eleições de 2026, intitulado “Por salário, trabalho e terra”. O documento apresenta como eixo central a defesa da “Revolução, governo operário e comunismo” e afirma que a participação eleitoral será utilizada como instrumento de divulgação das reivindicações da classe trabalhadora.
Segundo o partido, as eleições representam uma etapa secundária da luta política e devem servir para defender a organização dos trabalhadores. O texto afirma que as conquistas sociais não viriam pelo voto, mas pela mobilização popular e pela organização da classe trabalhadora.
Salários e emprego
Entre as principais propostas apresentadas está uma política de aumento salarial. O PCO defende a reposição integral das perdas dos trabalhadores, aumento emergencial de 50% dos salários e a criação de um mecanismo de reajuste automático quando a inflação elevar o custo de vida.
O programa também propõe um salário mínimo considerado “vital” pelo partido, estimado em R$ 7,5 mil, além de um Bolsa Família equivalente a um salário mínimo durante o período de crise econômica. O documento ainda defende o cancelamento das dívidas dos trabalhadores com o sistema financeiro.
Na área do emprego, a legenda propõe reduzir a jornada de trabalho para 35 horas semanais, com o argumento de gerar novos postos de trabalho. O programa também prevê restrições às demissões e medidas de proteção para trabalhadores desempregados.
Revogação de reformas e estatização
O PCO defende a revogação da reforma trabalhista de 2017 e de mudanças na Previdência, com ampliação de direitos para trabalhadores da ativa e aposentados. Entre as propostas estão aposentadoria com limite máximo de 25 anos de trabalho para mulheres e 30 anos para homens, além de cobrança de dívidas previdenciárias de grandes empresas.
O programa também propõe o cancelamento de privatizações e a reestatização de empresas consideradas estratégicas, incluindo setores como petróleo, mineração, energia e bancos. O partido defende a Petrobras integralmente estatal e sob controle dos trabalhadores.
Serviços públicos, educação e saúde
Na área dos serviços públicos, o documento defende o aumento de investimentos em saúde e educação, o fim do teto de gastos e a realização de concursos públicos para recomposição do funcionalismo. O partido também se posiciona contra terceirizações e mudanças que reduzam direitos dos servidores.
Para a educação, o PCO propõe ensino público gratuito, aumento de verbas, fim dos vestibulares, valorização dos professores com piso salarial de R$ 8,5 mil e gestão das instituições de ensino com participação de estudantes, professores e funcionários.
Na saúde, o programa defende a ampliação dos investimentos públicos, construção de hospitais e postos de saúde, retomada do programa Mais Médicos e criação de novos cursos na área da saúde em universidades públicas.
Reforma agrária e moradia
O documento apresenta como uma das bandeiras centrais a reforma agrária, com defesa do fim dos latifúndios e assentamento de trabalhadores sem terra. O partido também propõe a demarcação de terras indígenas e ações contra conflitos envolvendo disputas fundiárias.
Na habitação, o PCO defende a desapropriação de imóveis considerados vazios e a criação de um plano nacional para construção de moradias populares, com participação dos trabalhadores no controle dos projetos.
Segurança, comunicação e sistema político
O programa propõe mudanças profundas na área de segurança pública, incluindo a dissolução das polícias militares e a criação de formas de organização comunitária defendidas pelo partido como mecanismos de autodefesa dos trabalhadores.
O documento também defende alterações no sistema de comunicação, com críticas aos grandes grupos de mídia e propostas de estatização das empresas de comunicação sob controle dos trabalhadores.
Na economia, o partido propõe estatização do sistema financeiro, redução dos juros, cancelamento das dívidas pública e externa com bancos e mudanças na estrutura tributária, com maior cobrança sobre grandes fortunas.
Cultura e política internacional
O programa inclui propostas para ampliar investimentos em cultura popular, defender manifestações como carnaval, futebol e festas tradicionais, além de garantir recursos públicos para essas atividades.
Na política externa, o PCO defende soberania nacional sobre a Amazônia e se posiciona contra interferências estrangeiras na região. O partido também apresenta posições de apoio a governos e movimentos internacionais alinhados à sua visão política.
Ao final, o documento reafirma a defesa de um governo formado por organizações operárias e camponesas, sem participação de setores empresariais ou grupos classificados pelo partido como inimigos dos trabalhadores.
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