COLUNA
João Ricardo
Jornalista e radialista que aborda assuntos diversos como esporte, política e entretenimento, por isso, a coluna propõe um debate em forma de artigos sobre o Maranhão.
ESTREIA NA COLUNA

Conta do esquecimento: a miopia dos planos de governo diante da indústria do esporte no Maranhão

Não há questionamento em larga escala sobre quem, com dinheiro público, banca uma estrutura milionária em busca de votos.

João Ricardo

Entre promessas e espetáculos, falta cobrança real por propostas que transformem, como no esporte, que segue esquecido. (Imagem gerada por IA.)

É quando chega o período eleitoral que a humildade volta ao coração dos "deuses" brasileiros, que também conhecemos como políticos. É neste período em que os próprios dizem que o poder emana do povo, mas nem pedem desculpas por ter, durante os últimos quatro anos, sabotado este canal de empoderamento popular.

É neste período também que os salvadores da pátria aparecem. Aqueles que já são políticos ou estão entrando para a política partidária pedem voto para se eleger, mas bradam: "todo político é vagabundo, portanto não votem neles, votem em mim". Ora, ora.

Então, é neste momento que a gente reclama da falta de efetividade de quem se elege. Mas, quando olha para o lado, percebe-se que o ciclo vicioso é difícil de quebrar, uma vez que quem vota se submete, desde o princípio, a fazer festa por migalhas — um carnaval num momento que deveria ser de mais sobriedade.

Não há questionamento em larga escala sobre quem, com dinheiro público, banca uma estrutura milionária em busca de votos. Cobranças pontuais ou ataques fora do debate político real, partindo de adversários, transformam a disputa em uma gincana cruel com a máquina pública, movimentada por quem mais consegue inflamar (ou pagar) o maior número de pessoas. E nem estou falando de compra de votos, já que, como disse acima, é permitido bancar essa estrutura milionária legitimada por lei.

Puxando um pouco para o lado em que trabalho há anos e que entendo ser um caminho de desenvolvimento social se bem administrado: o esporte de alto rendimento.

Nos planos de governo apresentados, o esporte surge de forma modesta ou genérica na maioria das propostas. O futebol, então, fica esquecido. Desenvolver este setor é fundamental para a geração de emprego e renda e, por consequência, para o aumento da arrecadação.

Assim, entendo que, quando a iniciativa privada e os próprios atores (como clubes e federações) estão sem rumo, caberia ao poder público — por ter maior estrutura e interesse social — puxar a responsabilidade e liderar a condução deste setor, capaz de movimentar recursos significativos para o estado.

Peguei apenas um exemplo para mostrar que muito se discute sobre quem é mais rejeitado ou quem tem o passado mais nebuloso. Mas e a cobrança direta sobre propostas? Vamos aproveitar o momento para exigir o que realmente importa? a


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