Câmara dos Deputados

Arthur Lira vai tentar reunir partidos de direita e de esquerda para garantir reeleição na Câmara

Nesta semana, o atual presidente da Câmara dos Deputados conseguiu o apoio do União Brasil, partido que tem uma das maiores bancadas na Casa.

Ipolítica com informações da CNN

Arthur Lira teve anunciado apoio do União Brasil esta semana
Arthur Lira teve anunciado apoio do União Brasil esta semana (Marina Ramos/Agência Câmara de Notícias)

BRASIL - O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), já busca apoios de partidos para se reeleger ao comando da Casa por mais dois anos. A eleição interna de votação secreta está prevista para dia 1° de fevereiro.

Lira já conseguiu firmar o suporte de ao menos nove siglas com bancadas importantes e tem negociações avançadas com outras. No momento, ele caminha para uma candidatura dominante, com partidos tanto de direita quanto de esquerda ao seu lado.

Publicamente, Lira nega a intenção de ser o único candidato à Presidência da Câmara no ano que vem. “Não tenho essa perspectiva, não. A gente vai trabalhando”, disse, ao ser questionado sobre a possibilidade.

Ao longo da semana, Lira pôde comemorar o fato de uma das maiores bancadas da Câmara fechar apoio à sua candidatura. Com 59 deputados em 2023, o União Brasil resolveu seguir com o deputado do PP. A decisão foi tomada após superados alguns impasses. Até mesmo o presidente da sigla, deputado Luciano Bivar (PE), que tinha a intenção de lançar a própria candidatura, acabou cedendo.

Na outra semana, Lira já havia garantido o apoio oficial do Republicanos, que contará com 41 deputados no ano que vem, por exemplo.

União

Os partidos acima somam 177 deputados federais ao lado de Lira. A tendência atual é que ele consiga ainda aglutinar consigo o PL — do presidente Jair Bolsonaro –, PSD — do cacique Gilberto Kassab, e PDT – de Ciro Gomes.

Uma liderança do PP ouvida pela reportagem acredita ser preciso conversar como todos para não correr o risco de aparecer um outro candidato tido como mais radical à esquerda ou à direita. Há ainda a vontade de alguns no partido de tentar isolar o apoio fiel do ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), a Jair Bolsonaro.

O PL fez a maior bancada da Câmara para 2023 e, por isso, em tese, deve ter direito ao comando do principal colegiado da Casa: a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Se não ficar ao lado de Lira, pelos acordos que o presidente da Câmara já articulou, o PL pode ficar isolado nas negociações para futuros espaços de poder. Há uma expectativa que o União Brasil mantenha o comando da Comissão Mista de Orçamento (CMO), que dita o controle sobre as emendas de relator, conhecidas como orçamento secreto, por exemplo.

No PP, há também a previsão de que o PSD acabe apoiando Lira pela tendência de não lançar candidato próprio. Isso porque o PSD já deve disputar o comando do Senado, com a reeleição de Rodrigo Pacheco (MG). Há um acordo informal no Congresso de que um único partido não deve presidir ambas as Casas ao mesmo tempo. Essa situação também tenderia a diminuir mais ainda o poder de outras siglas.

Embora o PDT ainda não tenha batido o martelo sobre o apoio a Lira, o próprio líder da legenda na Câmara dos Deputados, André Figueiredo (CE), tem dito que esse é o caminho. Uma reunião da bancada está marcada para 6 de dezembro para discutir o assunto. Para Figueiredo, há uma grande maioria entre os deputados pedetistas que defendem a recondução de Lira ao comando da Casa, com a benção do presidente da sigla, Carlos Lupi.

Juntas, essas três siglas devem somar 158 deputados em 2023. Portanto, Lira pode contar com o apoio de cerca de 340 dos 513 deputados federais.

“Estamos conversando a formação de bloco parlamentar para compor o Parlamento, então todas as nossas conversas são restritas ao Parlamento. A formação de blocos parlamentares para o funcionamento da Casa, para a escolha das funções administrativas da Casa. Essas funções e decisões a respeito de oposição, governo e posicionamento de cada partido é inerente a cada partido”, declarou Lira.

Antes de aderir ao atual presidente da Câmara, o União Brasil também negociava com o MDB e o PT a formação de um bloco de frente ampla que dê sustentação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Câmara.

Oficialmente, o PT afirma que Lula não vai interferir na disputa pela presidência da Casa e o partido ainda não declarou um posicionamento oficial. No entanto, Lira conversa com lideranças petistas e é possível que o partido feche com o presidente da Casa já nessa próxima semana.

Há parlamentares no PT que acreditam que apoiar a reeleição de Lira pode ajudar o partido a tocar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca tirar o Auxílio Brasil de R$ 600 do teto de gastos. No entanto, para outros no partido, a recondução de Lira e a PEC devem ser tratados de forma separada.

O PT também busca comandar a CCJ se compor com Lira. A federação do partido junto ao PV e PCdoB contabilizará 80 deputados em 2023. O PV é outro que já indicou que seguirá com Lira.

Enquanto isso, o MDB aguarda um posicionamento do PT para definir como irá se posicionar diante da tentativa de reeleição de Lira. Segundo interlocutores, o partido tem conversado com o atual presidente da Câmara dos Deputados e uma parte está tendendo a apoiá-lo. Mas as negociações irão depender também das tratativas pelo comando do Senado Federal.

Caso não haja acordo com o PP, o MDB poderá lançar como candidato o líder da bancada, Isnaldo Bulhões (AL), apenas para marcar um posicionamento. O PSOL e a ala de aliados mais fiéis a Bolsonaro são os outros únicos que eventualmente devem lançar candidatos próprios.

O voto secreto na eleição à presidência da Câmara faz com que nem todos os deputados sigam a orientação de seus partidos. No entanto, a perspectiva das lideranças da Casa é que não há uma alternativa forte a Lira.

O partido Novo não deve aderir de forma automática ao Lira, mas também não se opõe a ele. A bancada tende a esperar outros eventuais candidatos à Presidência da Câmara para fazer uma avaliação. Há no partido quem defenda que apoiem um candidato sem processo em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Câmara tenha “mais independência”.

Mais

Partidos que já declararam apoio a Arthur Lira:

  • -União Brasil (59)
  • – PP (47)
  • – Republicanos (41)
  • – Podemos (12)
  • – PSC (6)
  • – Patriota (4)
  • – Solidariedade (4)
  • – Pros (3)
  • – PTB (1)

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