NEGOCIAÇÕES COLETIVAS

Mais de 43% dos reajustes salariais tiveram perdas reais

Segundo o Dieese, ficaram abaixo da inflação oficial calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Imirante.com

Considerando a atividade econômica, resultados iguais ou acima da inflação foram mais frequentes no comércio
Considerando a atividade econômica, resultados iguais ou acima da inflação foram mais frequentes no comércio (Divulgação)

BRASIL - De acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), no acumulado do ano, até agosto, 43,2% dos reajustes salariais acordados tiveram perdas reais, ou seja, ficaram abaixo da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento mostra ainda que somente 20,5% dos reajustes resultaram em ganhos acima da inflação e 36,4% apenas recompuseram os salários. 

Considerando a atividade econômica, resultados iguais ou acima do INPC-IBGE foram mais frequentes no comércio (68,9%). Na indústria, o percentual de reajustes iguais e acima da inflação (66,2%) é pouco inferior ao observado no comércio, mas é no setor industrial que se observa a maior proporção de aumentos reais (26,2%). Nos serviços, mais da metade dos reajustes (51,6%) ficou abaixo da inflação.

No quadro regional, as negociações realizadas pelas categorias do Sul e Sudeste seguem com resultados melhores do que os observados nas demais regiões, em 2022. No Sul, ¾ dos reajustes foram em valores iguais ou superiores à inflação, enquanto o Centro-Oeste apresenta, até o momento, resultados iguais e acima do INPC em apenas 31,5% dos casos.

Segundo o tipo de instrumento coletivo firmado, negociações que resultam em convenções coletivas (por categoria) registram, no conjunto, reajustes melhores do que as que produzem acordos coletivos (por empresas). O percentual de convenções que registraram resultados em valores iguais ou superiores ao INPC-IBGE é cerca de 10 pontos percentuais superiores ao dos acordos coletivos (63,8% e 53,6%, respectivamente).

Data-base

O Dieese informou que 51% das negociações coletivas concluídas até o começo de setembro, referentes à data-base agosto, conseguiram ao menos recomposição dos salários diante da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse total, 27,5% conquistaram aumento real, enquanto 23,5% registraram resultados iguais ao índice inflacionário. O restante, 49%, não conseguiu repor a inflação.

A variação real média dos reajustes salariais de agosto (média simples das variações reais de cada reajuste na data-base) foi de -0,28%. Considerando apenas os reajustes acima da inflação, a variação real média em agosto foi de 1,38%. Levando em conta apenas os resultados abaixo da inflação, a variação real média foi de -1,35%.

Com nova deflação registrada no INPC-IBGE em agosto, pelo segundo mês consecutivo, o reajuste necessário para “zerar” a inflação nas negociações com data-base em setembro (inflação dos 12 meses encerrados em agosto) é de 8,83%. Após 12 meses acima de 10%, a correção necessária para a data-base setembro é a menor desde junho de 2021.

O percentual de reajustes pagos em duas ou mais parcelas foi de 9,4% em agosto. É superior ao registrado em julho de 2022 (8,9%) e inferior ao de agosto de 2021 (12,9%).

Os reajustes escalonados – pagos diferenciadamente por faixa salarial ou tamanho de empresa – foram observados em 10,1% das negociações de agosto. O percentual é maior do que o registrado em julho de 2022 (7,0%) e menor do que o de agosto de 2021 (12,0%).

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