Candidatos à presidência encerram campanha com debate

O Estado do Maranhão

- Atualizada em 27/03/2022 às 15h29

RIO - O aguardado confronto entre José Serra (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no debate entre os candidatos à Presidência realizado pela TV Globo foi aberto com a questão da flexibilização da CLT e a geração de empregos.

Tema que foi questionado pelos dois candidatos. De cara, o candidato tucano fez ressalva à associação direta entre emprego e CLT proposta pelo mediador William Boner. Lula defendeu a flexibilização, mas “não como foi feita” e afirmou que vai reformular a estrutura sindical para por em prática um novo modelo criado a partir de um pacto social entre as forças sindicais, o empresariado e a sociedade.

Serra defendeu a aceleração da economia com aumento das exportações, da agricultura familiar, do turismo, da construção civil, da educação e da saúde. Lula desferiu o primeiro ataque, afirmando que o oponente deveria levar uma nota 3,5 na matéria de emprego, como constituinte. O petista lembrou que defende a criação de uma nova estrutura sindical e o estabelecimento de um contrato coletivo desde 1975.

O candidato da Frente Trabalhista à Presidência da República, Ciro Gomes (PPS) disse durante o debate que o atual governo confundiu qualidade de ensino com expansão de vagas e defendeu cotas sociais e raciais na universidade pública. Lula também defendeu a cota para negros, como forma de “resgatar a dívida social”.

O candidato petista disse que atuará para o aumento do crédito educativo, para que favoreça 186 mil novos estudantes. Ciro Gomes pretende também, se eleito, ampliar em 20 milhões o número de vagas na pré-escola e nas creches, além de melhorar os salários dos professores, com a criação de um fundo federal especial para complementação salarial.

REFORMA - A reforma agrária foi o tema da terceira pergunta do debate entre os candidatos à Presidência realizado pela TV Globo. Foi a primeira participação do tucano José Serra, que prometeu dar continuidade ao projeto implantado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. “Não admitiremos invasões de terras e a violação ao direito da propriedade privada”, garantiu Serra ao ser perguntado pelo seu adversário Anthony Garotinho (PSB) sobre como será sua relação com o Movimento dos Sem Terra (MST).

Garotinho concordou com a afirmação do tucano, mas criticou o número de assentamentos feitos por Fernando Henrique. “Quero dizer que foram assentadas 2,7 vezes mais famílias do que todo o processo de reforma agrária feito no Brasil”, rebateu Serra. Os dois candidatos afirmaram ser importante não dar apenas a terra, mas orientar os assentados na produção, além de criar mecanismos de financiamento. Serra, por exemplo, citou o Banco da Terra e o Programa de Apoio à Cultura Familiar.

Dando continuidade ao debate, Garotinho acusou o tucano José Serra de ter assinado - junto com presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro da Fazenda, Pedro Malan - a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de número 175, que, na avaliação de Garotinho, propõe o confisco da caderneta de poupança dos brasileiros. “É simples, é aquilo que o Collor (ex-presidente Fernando Collor de Mello) fez”, afirmou Ciro ao analisar o teor da proposta, a pedido do adversário socialista.

A PEC é de 1995, quando Serra ainda era ministro do Planejamento do governo Fernando Henrique.

Serra pediu direito de resposta para se defender da acusação e negou que o objetivo da PEC fosse o de promover confisco. “Empréstimo compulsório tem de ser aprovado por lei”, argumentou o tucano. “Não tem nada a ver com corralito, poupança. É algo que se faz sobre combustível, preços muito elevados.” Tanto Ciro Gomes quanto Garotinho criticaram a atual política econômica.

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