REYKJAVÍK – Eleitores da Islândia rejeitaram, em um referendo realizado neste sábado (29), a proposta de retomada das negociações para adesão do país à União Europeia (UE). O “não” recebeu 52,8% dos votos, contra 47,2% do “sim”, em uma disputa considerada acirrada. A participação chegou a 82,5% dos eleitores.
O resultado representa uma derrota para o governo da primeira-ministra Kristrún Frostadóttir, que defendia a retomada das conversas com o bloco. A consulta não determinaria a entrada imediata da Islândia na UE, mas definiria se o país voltaria à mesa de negociações, processo que está suspenso há mais de uma década.
Pesca foi um dos principais pontos do debate
Durante a campanha, os defensores do “não” argumentaram que uma eventual adesão à União Europeia poderia comprometer o controle da Islândia sobre suas águas territoriais e o setor pesqueiro, considerado estratégico para a economia do país.
A pesca responde por uma parcela significativa das exportações islandesas, e a possibilidade de submissão às regras da política pesqueira comum da União Europeia foi um dos principais motivos apontados pelos opositores da retomada das negociações.
Além da pesca, questões relacionadas à soberania nacional também influenciaram o resultado. O movimento contrário à adesão ganhou força especialmente fora da capital, enquanto Reykjavík foi a única região em que o “sim” obteve maioria.
Governo reconhece resultado
A primeira-ministra Kristrún Frostadóttir havia defendido a consulta como uma forma de avaliar a posição do país diante das mudanças no cenário internacional. Entre os argumentos favoráveis às negociações estavam a busca por maior estabilidade econômica e o fortalecimento das relações europeias em meio às tensões geopolíticas no Ártico.
Após a divulgação do resultado, Frostadóttir reconheceu a decisão dos eleitores. O governo deverá manter a cooperação com a União Europeia por meio dos acordos que já aproximam o país do bloco.
A Islândia faz parte do Espaço Econômico Europeu e do Espaço Schengen, o que garante acesso ao mercado único europeu e livre circulação de pessoas, mesmo sem o país ser integrante da União Europeia.
Processo de adesão estava suspenso
A Islândia apresentou seu pedido formal de adesão à União Europeia em 2009, em meio aos efeitos da crise financeira internacional. As negociações avançaram nos anos seguintes, mas foram suspensas em 2013 diante da mudança de governo e da resistência interna à entrada no bloco.
O referendo deste sábado buscava justamente definir se o país deveria reabrir esse processo. Com a vitória do “não”, a retomada das negociações fica interrompida, reforçando a posição da Islândia de manter sua atual relação econômica e política com a União Europeia.
Receba também as principais notícias do Maranhão, do Brasil e do mundo diretamente no seu e-mail. Cadastre-se gratuitamente no Imirante.com e ative a opção "Receber conteúdos por e-mail" para acompanhar a Newsletter do Imirante.
Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.